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O
americano Lindsay: na versão disco-solo |
| Foto: Jack Vartoogian |
Olha o Arto Lindsay aí de novo, gente! Arto, quem? Entre os estrangeiros que fazem o tipo arroz-de-festa da vida cultural brasileira, Lindsay é o mais discreto. Ele que não é espalhafatoso como Dionne Warwick, penetra-mor da noite carioca sempre que vem ao Rio, nem inconveniente como o argentino Fito Paez, que gosta de atuar como papagaio de pirata dos artistas da MPB passa uma média de quatro meses por ano no Brasil, mas ninguém repara. Ninguém, exceto quem gravita em torno do meio musical. Lindsay é disputado a tapa pelos artistas da MPB, por ser reconhecidamente um dos melhores produtores atuando no mercado. Ele está por trás de alguns dos melhores discos da música brasileira recente, como Mais, de Marisa Monte, ou o primeiro CD de Carlinhos Brown. Nas horas vagas, também atua como cantor e compositor. É nesse formato que chega nesta semana às lojas brasileiras, a bordo de Mundo Civilizado, o segundo dos seus três CDs-solo e o primeiro a ser lançado no Brasil. Mas é atrás dos microfones, e não na frente, que Lindsay dá seu melhor recado.
A marca do trabalho do Lindsay produtor é a combinação de sons de universos diferentes. Uma de suas boas idéias foi promover um inusitado encontro, no CD Mais, entre Pixinguinha e a música japonesa. A versão de A Rosa, cantada por Marisa Monte com arranjo minimalista de Ryuichi Sakamoto, é antológica. No CD de Carlinhos Brown, deu o ponto na mistura entre sons pop e atabaques baianos. Aos 44 anos de idade, Lindsay divide sua carreira entre Estados Unidos, Brasil e Japão. Além de Marisa Monte e Carlinhos Brown, ele trabalhou também com nomes como Gal Costa e Caetano Veloso. Neste mês, em sua segunda visita ao país no ano, dá continuidade a mais dois trabalhos de produção: a trilha sonora do filme Orfeu, de Cacá Diegues, baseado em música de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e o novo disco do grupo baiano Ilê Aiyê.
Sotaque Seu conhecimento de música brasileira não veio por acaso. Filho de um pastor presbiteriano americano, ele nasceu nos Estados Unidos, mas, com 3 anos, por causa das andanças missionárias do pai, foi morar em Garanhuns, no agreste de Pernambuco. Ficou quinze anos no Nordeste brasileiro até voltar a seu país de origem. Nesse período, aprendeu a falar português com sotaque nordestino. Dono de um apartamento no Rio de Janeiro, adora andar pelas ruas do bairro da Gávea, na Zona Sul da cidade, onde compra jornais e toma cafezinho na padaria. Claro que Arto não vem tanto ao Brasil apenas porque gosta do país, mas também por uma questão de mercado de trabalho. "Se duvidar, sou mais conhecido no Brasil do que nos Estados Unidos", diz. Lá, suas incursões como cantor e compositor não tiveram êxito. "Faço uma música pop que é melódica, mas que também é dançante. Só que as pessoas não compreendem isso direito", queixa-se Lindsay. Enquanto não vira um superstar do disco, ele se contenta em ser uma griffe respeitada na contracapa dos CDs.
Marcelo Camacho
Copyright © 1998, Abril
S.A. |