|
Japão Em ponto mortoPacote para salvar economia japonesa não surte efeito O pacote de salvação da economia japonesa, concluído na semana passada, não surtiu efeito algum nem melhorou o ânimo dos investidores. Apesar da promessa do governo japonês de investir 128 bilhões de dólares para reaquecer a economia, a Bolsa de Valores de Tóquio continuou em queda. A moeda local, o iene, desvalorizou-se em relação ao dólar. As reações negativas têm dois motivos. O primeiro é que ninguém sabe de onde vai sair o dinheiro. O segundo é que o mesmo governo responsável pelo pacotaço não pára de produzir escândalos. O Japão é a segunda nação mais rica do mundo, tem um PIB de 3,5 trilhões de dólares, mas cresceu pouco nos últimos sete anos. Com o pacote econômico, o governo quer que o PIB cresça 2% neste ano. Um dos motivos pelos quais a economia está parada é o comportamento dos próprios consumidores japoneses. Eles não estão comprando nada, têm medo do desemprego e poupam seu dinheiro para se proteger de um futuro incerto. Pode haver recessão no arquipélago neste ano se as medidas não derem certo. O governo japonês promete gastar quase 60 bilhões de dólares em obras públicas para ajudar empresas com problemas de caixa e gerar empregos. Outros 3 bilhões serão enviados para a Tailândia, a Coréia e a Indonésia recuperarem suas economias. O Japão vende boa parte de seus produtos nesses mercados. Tóquio anunciou também o corte de 30 bilhões de dólares em impostos de pessoas físicas como forma de estimular o consumo. A redução do pagamento de impostos é temporária. Está prevista para acabar em 1999. "É tempo insuficiente para reverter o quadro de estagnação da economia japonesa", diz Takatoshi Ito, ex-analista de mercados do FMI, crítico do pacote. Na semana passada, a situação piorou porque se descobriu um dos maiores escândalos de corrupção da História do país. Pelo menos 112 funcionários do Ministério das Finanças são acusados de receber propinas de empresários em forma de jantares, convites para festas, favores sexuais e dinheiro vivo. Entre os acusados está o vice-ministro de Finanças para assuntos internacionais, Eisuke Sakakibara, conhecido como Mister Ien. Uma declaração de Sakakibara faz a cotação da moeda japonesa subir ou descer no mercado financeiro. Na segunda-feira, Mister Ien foi suspenso por seis meses. J.S.N
|