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Bancos Sonho enterradoO
banqueiro Ezequiel Nasser vende o Excel
O milionário Ezequiel Nasser, que já foi considerado um dos homens de negócios mais astutos do país, enterrou na semana passada seu sonho de ser um dos cinco maiores banqueiros do Brasil. Na quarta-feira, Nasser vendeu o controle do Excel Econômico aos espanhóis do Bilbao Vizcaya, um dos maiores grupos financeiros da Europa, por cerca de 500 milhões de reais. Para o Bilbao, que estava interessado em entrar no Brasil, o acerto significa o fim de uma novela. Os espanhóis já tinham sondado vários bancos sem sucesso e quase fecharam negócio com o BCN, que acabou comprado pelo Bradesco. Para Nasser, o negócio representa uma guinada radical numa carreira meteórica. Depois de trabalhar por quase duas décadas nos bancos dos tios Edmond e Joseph Safra, Nasser abriu sua própria instituição, o Excel, oito anos atrás. Em 1996, comprou o Econômico, um banco em apuros, com ajuda do governo. Na semana passada, ele tinha chance de continuar, no máximo, como acionista do Excel Econômico.
Mercado diferente "Da compra do Econômico para cá, o mercado financeiro brasileiro virou do avesso", diz Marcelo Bessan, sócio responsável pela área de bancos da consultoria KPMG. Entraram no país grandes bancos estrangeiros como o HSBC, da Inglaterra, o Santander, da Espanha, e o NationsBank, dos Estados Unidos. Bradesco e Itaú aumentaram de tamanho comprando outras instituições. Além disso, a integração do Excel com o Econômico não aconteceu com a facilidade que se esperava. Nasser manteve enquanto pôde a estrutura do Econômico no Nordeste, um compromisso assumido com o senador Antonio Carlos Magalhães. O acordo foi ficando muito pesado e, no ano passado, o banqueiro começou a dar prioridade ao mercado da Região Sudeste. Perdeu muitos clientes no Nordeste e não conseguiu abrir contas novas no Sudeste. O resultado foi que, em 1997, o Excel Econômico registrou um prejuízo de 44 milhões de reais.
David Friedlander
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