Futebol sem fronteira

Quem quer que saia campeão no dia 12 de julho, é grande a chance de que a conquista seja comemorada na Itália. Entre os 490 jogadores inscritos para o campeonato italiano que chega ao fim, 109 são estrangeiros, oriundos de 34 países. Destes, pelo menos sessenta deverão ir à França vestindo a camisa de vinte seleções diferentes. É o caso de Ronaldinho, do francês Zidane, do argentino Simeone, do nigeriano Kanu, do holandês Kluivert, todos candidatos ao título de Rei da Copa. Mas, mesmo com tanta força para importar, a Itália não conseguiu impedir a exportação de craques. Pelo menos três selecionáveis da Azurra atuam hoje no exterior. O atacante Vieri está no Atlético de Madri, Ravanelli joga no Olympique da França e Di Matteo defende o Chelsea da Inglaterra.

Torcida interessada

O presidente da Bulgária, Petar Stoyanov, 45 anos, de olho nas reformas econômicas em curso no país, torce desesperadamente pelo êxito de sua seleção: "Tem sido muito alto o custo social do ajuste. O sucesso na França nos ajudará a conseguir o crédito de confiança para continuar tomando medidas impopulares".

500 milhões

de dólares é o valor do
contrato que a seleção
dos Estados Unidos firmou
com a Nike e a empresa de
marketing esportivo IMG pelos
próximos doze anos.
A meta de Alan Rothenberg,
presidente da federação
americana, é desenvolver o
futebol no país e ser campeão
do mundo em 2010. "Agora
já temos dinheiro para isso",
diz ele. O contrato da Nike
com a seleção brasileira é de
400 milhões de dólares em dez anos.

"Não estou arrependido de ter deixado a seleção
brasileira depois da Copa dos Estados Unidos.
Quando vejo o que o Zagallo está passando, sei
do que escapei. Duas Copas do Mundo como treinador
do Brasil me parece desumano. É preciso
ter muita saúde e muita cabeça para suportar a pressão."
Carlos Alberto Parreira, técnico do Brasil
em 1994 e da Arábia Saudita em 1998

Do campo para o altar

O atacante Duncan Ferguson, da Escócia, marcou seu casamento para o dia 23 de junho. Neste dia, ele deveria estar em Saint-Etienne para o jogo de sua seleção contra Marrocos, na última rodada da primeira fase do Grupo A. O técnico Craig Brown implorou para que Ferguson mudasse a data do casório, mas o jogador, apaixonado, bateu o pé, irredutível. "Se me quiserem para os outros jogos, estou à disposição. Mas estou fora da partida do dia 23", explicou. Melhor para o Brasil, que enfrenta a Escócia em sua estréia, no dia 10 de junho: Ferguson, cortado da seleção, não irá à Copa .


Túnel do tempo

Castrilladas sempre acontecem. O presidente da Fifa, João Havelange, costuma dizer que erro de juiz faz parte do jogo. Confira alguns equívocos decisivos que modificaram a história dos Mundiais:

1962 - Nílton Santos derruba um atacante espanhol dentro da grande área, dá um passo para fora e levanta o braço. O juiz chileno S. Bustamante marca falta e não o pênalti. A Espanha, que ganhava por 1 a 0, acaba perdendo de 2 a 1.

1966 - Na prorrogação da final entre Inglaterra e Alemanha, o inglês Geoff Hurst chuta a bola, que bate no travessão, quica no chão e volta para o campo. O juiz suíço G. Dienst considera válido o gol, o terceiro na vitória de 4 a 2 que daria o título à Inglaterra.

1982 - Gentile puxa Zico pela camisa dentro da área da Itália. O brasileiro mostra a camisa rasgada para o juiz, o israelense Abraham Klein, mas ele nada marca. A Itália vence por 3 a 2.

1986 - Maradona, com a mão, manda a bola para dentro da meta de Shilton e assinala o primeiro gol da Argentina na vitória de 2 a 1 contra a Inglaterra. O juiz tunisiano A. Bennaceur não vê a mão e dá o gol.

Editado por Maurício Cardoso




Copyright © 1998, Abril S.A.

Abril On-Line