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Orientação
vocaciona no Colégio Elvira Brandão: escolha precoce |
| Foto: Antonio Milena |
Após criar várias novidades para melhorar o ensino fundamental, o governo está preparando uma grande reforma para o 2º grau. As mudanças, que serão aprovadas no Conselho Nacional de Educação em junho, devem entrar em vigor já no ano que vem (veja quadro). O principal objetivo é devolver ao ensino médio o caráter de curso de formação geral. Criado na década de 60, o 2º grau brasileiro é um modelo de ensino ultrapassado, que já não cumpre suas funções. Ele não fornece conhecimento técnico necessário para quem pretende ingressar imediatamente no mercado de trabalho nem prepara de forma adequada os alunos que desejam seguir adiante e fazer um curso superior. Em dez anos, o número de formados no 2º grau dobrou foi de 1,2 milhão de pessoas no ano passado. Ao mesmo tempo, registrou-se um alarmante desinteresse pelas faculdades. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais fez um levantamento com 429.775 jovens que terminaram o 2º grau no ano passado e descobriu que apenas 31,5% deles pretendiam fazer curso superior. Hoje somente 11% dos brasileiros entre 18 e 24 anos fazem faculdade. Esse índice é de 35% na Argentina, 40% na França e 60% nos Estados Unidos. "Isso mostra a urgência de redefinir o ensino médio", diz o ministro da Educação, Paulo Renato Souza.
Mesmo entre os jovens que entram na faculdade a escolha precoce do curso é um problema, apontado como o principal responsável pelo alto índice de evasão nas universidades. De 100 alunos que entram numa faculdade pública no Brasil, aproximadamente quarenta saem antes de se formar. Com as desistências, o governo perde cerca de 300 milhões de dólares ao ano gastos com esses alunos, dinheiro suficiente para manter uma escola com 20.000 estudantes, como a Universidade Federal do Paraná. Apenas alguns colégios de elite conseguem investir em cursos de orientação vocacional, como o Elvira Brandão, de São Paulo, que oferece aos 172 estudantes do seu colegial um programa com jogos, visitas a universidades e conversas com profissionais. "É um erro obrigar esses jovens a escolher tão cedo", diz o vice-diretor da Fundação para o Vestibular de São Paulo, Fuvest, José Atílio Vanin. "Eles não se desenvolveram integralmente e são culturalmente imaturos." A solução pode estar também na mudança das universidades. Existem no governo defensores de uma outra reforma, que deixaria as universidades brasileiras mais parecidas com as americanas, onde a especialização só começa no segundo ano da faculdade.
Alice Granato
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