Bola rolando

Campos de grama sintética reativam as peladas

Taffarel (ao centro) na
escolinha: royalties de
5.000 reais ao mês
Foto: Marcelo Prates  

Até pouco tempo atrás, os únicos lugares onde se podia jogar futebol nas grandes cidades brasileiras eram as ruas, cada vez mais perigosas, e os terrenos baldios, cada vez mais raros. Surgiram também em algumas capitais as quadras de futebol society, um pouco maiores que as de futebol de salão, mas sem muito sucesso: com piso de areia, muito irregular, era quase como jogar bola na praia. Agora, as peladas ganharam um novo padrão com os campos de grama sintética. Fabricados há 25 anos nos Estados Unidos e na Europa, esses campos são importados e nunca tinham dado muito certo por aqui. Além de duros, descolavam fácil do chão e nem de longe lembravam a sensação de um jogo num gramado de verdade. Os fabricantes decidiram então promover uma grande alteração no produto. Os novos campos são tapetes de polipropileno, um derivado do náilon, tratado com raios infravermelhos para não desbotar com o sol e a chuva. Não descolam e alguns ainda possuem uma camada adicional de borracha para amortecer quedas e diminuir o risco de contusões como inflamações de tendão — freqüentes em praticantes de esportes em pisos duros. Nos últimos três anos, os seis principais importadores do ramo venderam 1.130 campos sintéticos em todo o país. "É a era da profissionalização das peladas", diz o treinador Telê Santana, hoje dono de um centro com quadras de grama sintética em Belo Horizonte.

Como esses campos são enormes, têm em média o tamanho de três a cinco quadras de futebol de salão, as partidas reúnem grupos grandes de pessoas, coisa de dúzia de jogadores ou mais. Isso torna o custo do aluguel bastante razoável. Para jogar num dos sete centros do grupo Playball, com 47 campos em São Paulo, pagam-se cerca de 120 reais por hora de aluguel. Ou seja, 10 reais ou menos por pessoa. Por essa razão, os campos vivem lotados. "Quem quiser jogar de 6 e meia da tarde à meia-noite tem de reservar o campo com bastante antecedência", avisa Salete Tojo, gerente de um dos centros da Playball, que tem catorze campos, lanchonete, sauna, área para churrasco e estacionamento, cobrados à parte.

O negócio das quadras é tão bom que atraiu gente famosa. O ex-craque Zico, coordenador técnico da seleção brasileira, é sócio de seis centros de futebol no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, no Amazonas, Rio Grande do Norte e Paraná. O centro montado na capital mineira consumiu investimento de 1,5 milhão de reais e ocupa área de 16.000 metros quadrados. Além de seis campos com grama sintética, tem vestiários, sauna, ambulatório e restaurante para 600 pessoas. Alguns atletas apenas emprestam seu prestígio a escolinhas de futebol em campos de piso sintético. Em março, foram inaugurados também na capital mineira dois centros com o nome do goleiro Taffarel, que lhe devem render pelo menos 5.000 reais em royalties por mês. O filão parece ser tão bom que alguns fabricantes de material esportivo resolveram participar. A Penalty já lançou uma bola e um novo modelo de tênis apropriados para a grama sintética.

José Edward




Copyright © 1998, Abril S.A.

Abril On-Line