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Paraguai Chance raraOposição ameaça pôr fim a 50 anos de domínio colorado Os paraguaios vão às urnas neste domingo, 10, com uma perspectiva inteiramente nova: pela primeira vez em muitíssimo tempo um candidato de oposição ao Partido Colorado (há mais de meio século no poder) tem chance de vitória. O homem do momento é Domingo Laíno, candidato da Aliança Democrática e, nos anos 80, o exilado mais famoso do país. Na última pesquisa, divulgada na semana passada, ele estava 3 pontos à frente de seu adversário, Raúl Cubas. Se a candidatura oposicionista anda voando alto é, em grande parte, porque reina a desordem nas hostes do partido do governo, rachado por rixas entre os caciques. O escolhido nas primárias coloradas, Lino Oviedo, perdeu a candidatura depois de condenado a dez anos de cadeia por tentativa de golpe de Estado em 1996. Cubas é inimigo do presidente Juan Carlos Wasmosy e o candidato a vice, Luis María Argaña, inimigo de ambos. O Partido Colorado é uma máquina formidável, com 800.000 filiados num país com 2,5 milhões de eleitores. Mas está fazendo água sem o general Oviedo, o preferido dos eleitores. Na semana passada, uma ala colorada, pequena mas tradicional, debandou para a oposição. "A adesão mostra que os colorados filiados não terão medo de votar na Aliança Democrática", disse a VEJA Carlos Filizzola, vice de Laíno. Conciliatório, Laíno propõe um governo de união nacional. A campanha colorada, ao contrário, adotou um refrão perigoso: "Cubas al gobierno, Oviedo al poder". Nem o mais crédulo dos oviedistas acredita que se cumpra tal promessa. O mais provável é que seja despachado para o exílio no Brasil. Depois de ameaçar com sanções se o presidente Wasmosy melasse o jogo para impedir a candidatura de Oviedo, a chancelaria brasileira voltou à calma. Laíno é um velho conhecido, que encontrou refúgio no Brasil durante a ditadura do general Alfredo Stroessner. Cubas estudou engenharia no Rio de Janeiro e fez parte da equipe que construiu a usina de Itaipu. Entre o tucanato há certa preferência por Laíno, mas seja quem for o vencedor, o Itamaraty espera a mesma receita: ajustes nas contas para amainar a inflação (10% ao ano), privatizações e fidelidade total ao Mercosul. É o que interessa.
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