Partido

Grande vazio

O pensamento vivo dos vereadores tucanos

A direção nacional do PSDB encomendou uma pesquisa para saber o que pensam os 8.000 vereadores do partido. Descobriu que, avaliados em conjunto, eles não pensam em nada. A pesquisa mostra que os vereadores tucanos não seguem uma linha ideológica única. Uma parte se considera de esquerda, outra de direita e uma terceira de centro. Embora sejam integrantes do partido do presidente da República, 43% deles não acham que exista no Brasil uma democracia, a maioria (67%) não está satisfeita com as políticas sociais do governo federal e uma parte aponta Fernando Henrique Cardoso como o principal responsável pelo desemprego. Para piorar, os vereadores acham que falta vontade política para solucionar os problemas de saúde e educação e reclamam da corrupção e do fisiologismo. A falta de unidade intelectual no partido é tamanha que, esquecendo tudo o que FHC escreveu e diz até hoje, 73% dos vereadores acham que os direitos humanos são apenas pretexto para a impunidade.

Numa primeira olhada, essa entropia ideológica parece inaceitável, mas não é. Os vereadores são políticos de um tipo especial, que se envolve pouco em debates ideológicos. Diferente dos senadores e deputados federais, eles não discutem conceitos complexos como a universalidade da saúde ou se as escolas públicas devem ser gratuitas ou não. Também não cabe a eles resolver temas delicados como o tratamento que a polícia deve dar à população, como fazem os deputados estaduais. Os vereadores estão habituados a se preocupar com calçamento de rua, serviços de esgoto, linhas de ônibus e zoneamento. Em função desse perfil diferenciado, não faz muito sentido esperar que pensem todos da mesma forma. Ainda assim, a pesquisa será apresentada ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele ouvirá dos interlocutores idéias que poderão eventualmente ajudar a unificar o discurso da turma.




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