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Governo Reserva estratégicaFHC
entrega postos-chave da administração
Ao preencher duas vagas de alto escalão do governo na semana passada, o presidente emitiu um sinal positivo ao mercado. Para o lugar de Sergio Motta, no Ministério das Comunicações, foi nomeado o engenheiro Luiz Carlos Mendonça de Barros, que estava na presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES. Para o lugar ocupado por Mendonça irá o assessor especial da Presidência André Lara Resende. O mercado ficou contente porque a indicação dos dois é sinal de que o programa de privatização deverá seguir em frente sem atropelos, bem como outras metas governamentais. Ao escolhê-los, o presidente emitiu um segundo sinal, desta vez aos políticos. FHC deixa claro que aceita qualquer indicação dos partidos para seu ministério, desde que isso não envolva o coração do governo. Nos dois principais ministérios sociais, Fernando Henrique colocou dois tucanos de sua estrita confiança, Paulo Renato, na Educação, e José Serra, na Saúde. Também são da sua confiança Pedro Malan, da Fazenda, Gustavo Franco, presidente do Banco Central, e os presidentes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Os políticos podem dividir o resto. "A fatia que envolve a continuidade do Plano Real, principalmente, não será ocupada por partido algum, mas por pessoas que eu escolho pessoalmente", comentou o presidente com um amigo na semana passada.
Lara Resende e Mendonça de Barros são pessoas de trajetória semelhante. Os dois foram diretores do Banco Central à época do Plano Cruzado, ainda no governo Sarney, e viraram banqueiros quando deixaram Brasília. O banco é o Matrix, fundado em 1993 com um capital de 8 milhões de dólares. Com a ajuda dos dois, o Matrix ultrapassou a marca dos 100 milhões em apenas três anos. Um desempenho acima de excepcional, espetacular mesmo. Além da trajetória paralela, Lara Resende e Mendonça de Barros são dois técnicos respeitados. A diferença entre eles é que Lara Resende é um homem delicado, sensível, dado a vôos literários. Filho do escritor Otto Lara Resende, seu maior defeito, segundo o próprio presidente Fernando Henrique, é mudar de humor com muita facilidade. Tem no currículo duas estrelas que pouquíssimos colegas de profissão podem igualar. Foi um dos pais intelectuais do Plano Cruzado do governo Sarney e, em 1994, experimentou a paternidade pela segunda vez, figurando entre os que traçaram os alicerces teóricos do Plano Real. Já o novo ministro das Comunicações fala palavrões com facilidade, rebate críticas com veemência e ganhou fama de brigão durante a guerra pela privatização da Vale do Rio Doce. Em Brasília, há quem o chame de uma versão magra de Sergio Motta. Além do temperamento parecido, Barros e Motta eram amigos. Até o ano passado, Serjão deixava um quarto de sua residência em Brasília à disposição do amigo Luiz Carlos Mendonça de Barros para hospedá-lo quando viajava à capital. Com a privatização da Telebrás marcada para o dia 15 de julho, Mendonça de Barros tem pela frente seu primeiro desafio. A venda deve render 25 bilhões de dólares aos cofres federais e, nos próximos anos, mais 70 bilhões, referentes a taxas pela exploração do serviço telefônico e arrecadação de impostos.
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