Eleições

Trombada no PT

Com a aliança dos partidos de oposição ruindo,
Lula ameaça desistir da candidatura

Em vez de ir às ruas angariar votos para o candidato Luis Inácio Lula da Silva à Presidência da República, o PT passou a semana em crise. O motivo foi a decisão tomada pela convenção estadual do PT no Rio de Janeiro de lançar um candidato próprio ao governo do Estado e não apoiar Anthony Garotinho, do PDT. O escolhido é o ex-deputado Vladimir Palmeira. Com o lançamento da candidatura de Palmeira, a cúpula federal do PT começou a ver desabar qualquer chance de ter Leonel Brizola como vice na chapa de Lula. A dobradinha vinha sendo discutida como a única alternativa possível para fazer frente ao poderio eleitoral de Fernando Henrique Cardoso. "Sem resolver a questão do Rio, a coligação nacional fica inviabilizada", declarou Brizola após conhecer o resultado da convenção. Articulações para montar alianças em vários Estados também foram suspensas. Com a crise, Lula voltou a falar em desistir da disputa. "Sem a frente, não saio candidato", avisou. "O PT terá de decidir. Ou o Vladimir é candidato a governador ou eu sou candidato a presidente." Em nome de Palmeira, o deputado federal carioca Milton Temer respondeu à altura: "Se a condição é essa, é melhor procurar um candidato a presidente".

Formado por uma militância aguerrida, o PT do Rio sempre levou a sério o programa do partido, e tem tradição de repudiar a chamada política de alianças. Assim como o PFL tem sua marca ideológica — alia-se a qualquer partido que chegue ao Palácio do Planalto —, o Partido dos Trabalhadores não suporta a idéia de dividir o bolo do poder com quem quer que seja. Além disso, o PT carioca nunca gostou de Brizola e desde o princípio era sabido que tinha planos de lançar candidatura própria. Em 1996, nas eleições para prefeito, os caciques petistas também queriam aliança com o PDT, e o diretório do Rio rejeitou a idéia. Provou-se depois que tinha razão. Lançado com 2% nas pesquisas e sem nenhuma ajuda da direção nacional, o vereador Chico Alencar fez campanha sozinho, ultrapassou o candidato do PDT, Miro Teixeira, e por pouco não chegou ao segundo turno. O resultado da convenção carioca surpreendeu a direção petista, mas era previsível. Há vários meses cantando vitória, os aliados de Lula deixaram o time de Palmeira fazendo campanha no interior sozinho e muitos delegados mudaram o voto na última hora. A direção do partido só percebeu que estava mal informada sobre as chances de vitória da aliança com o PDT no dia do encontro regional, quando já era tarde demais.

Como o país tem partidos demais e programas de menos, é normal que existam alianças de conveniência. A que une Lula e Brizola é uma delas, assim como a do PFL e PSDB, que elegeu Fernando Henrique. Também é normal que partidos que se unem em São Paulo se maltratem em Mato Grosso. O que os partidos normalmente fazem é deixar que cada Estado sele as alianças que julgar mais convenientes, sem que isso se torne regra a ser usada de Norte a Sul. O PPB vai apoiar a candidatura do tucano FHC à Presidência, mas vai ter Paulo Maluf enfrentando outro tucano, Mário Covas, em São Paulo. A discussão iniciada pelos petistas que apóiam Lula chegou a tal ponto que já se falava numa possível intervenção na cúpula do PT carioca. A idéia era intervir no diretório do Rio e anular o resultado da convenção. Seria a única forma de retomar as discussões para a formação da frente de esquerda. "Se o PT resolver sua crise em tempo hábil, nada impede que voltemos a conversar", provoca o deputado Miro Teixeira, do PDT. O curioso, nesse episódio, é que o PT do Rio irritou a cúpula federal do partido sem que tivesse feito nada de muito original. Em São Paulo, o PT tem candidato próprio, a deputada Marta Suplicy, e o PDT outro, Francisco Rossi, e ninguém falou em coligação por ali. Fica no ar a suspeita de que Lula pode estar atrás apenas de um pretexto para desembarcar da candidatura. "Temos de aprender com a direita, que privilegiou a aliança nacional em torno de Fernando Henrique e não se meteu em brigas regionais", ensina Vladimir Palmeira.

"Sou candidato"

Collor com os
taxistas e a
pesquisa na
Internet (
abaixo):
campanha nas
ruas até que
a Justiça dê a
decisão final
Foto: Claudio Rossi  

Depois de passar dois anos e meio morando em Miami, o ex-presidente Fernando Collor de Mello voltou ao Brasil na semana passada e promete que, desta vez, é para ficar. Em São Paulo, onde esteve, montou agenda de candidato. Deu entrevista na televisão, participou de carreata, foi a dois programas de rádio, falou com jornalistas e almoçou com taxistas. A todos com quem conversou disse que será candidato a presidente da República. Afastado da Presidência e condenado pelo Senado Federal a ficar inelegível até o ano 2.000, Collor recorreu da decisão de diversas formas diferentes, até que um juiz de Alagoas lhe deu uma liminar que assegura sua candidatura.

Nos meios jurídicos, é difícil encontrar quem acredite na manutenção dessa liminar. Até mesmo o ex-presidente acha que a batalha será muito dura. "O que não posso é ficar parado esperando a decisão final para então agir. Sou candidato e vou concorrer", diz Collor. Dando início à campanha, encomendou uma pesquisa de opinião. Segundo Collor, 10% dos entrevistados votariam nele se a eleição fosse hoje. Ainda de acordo com o ex-presidente, a pesquisa informa que 56% das pessoas ouvidas acham que foi injustiçado ao ser afastado do Palácio do Planalto. Na semana passada, VEJA realizou uma pesquisa por meio de seu site na Internet (www.veja.com.br), perguntando a mesma coisa. Collor foi ou não injustiçado? Foram 7.000 votos em apenas três dias, e 71% entendem que Collor mereceu o castigo do impeachment.




Copyright © 1998, Abril S.A.

Abril On-Line