Ancelmo Gois

Deu certo

Os céticos de sempre achavam que o efeito positivo do novo Código Nacional de Trânsito seria passageiro — uma semana ou duas, no máximo. O tempo passou — a nova lei completou três meses no último dia 23 de abril —, e o número de mortes no trânsito caiu 31%.

O país que se dane

Sabe qual é hoje a única pedra no caminho da aprovação da reforma da Previdência na Câmara? É aquela cláusula que cria um redutor em certas aposentadorias do setor público. Alguns deputados e funcionários influentes da Câmara, todos com ganho mensal na faixa de 10.000 reais por mês, perderiam com a nova lei no máximo, no máximo 1.000 reais. Eles formaram um núcleo guerrilheiro disposto a implodir a reforma.

Uma mão para Deus, outra para o diabo

O advogado Rafael de Almeida Magalhães trabalhou no ano passado como lobista para a petroquímica União. No contrato, além de salário mensal de 10.000 reais por seis meses, ele receberia 1 milhão se conseguisse fazer o governo rever a política para o Nafta. No mesmo período, Rafael exercia um cargo público (pelo Decreto nº 1419/95, Fernando Henrique o nomeou para cuidar das ações federais no Rio). Esse conflito de interesses levou o procurador da República Níveo de Freitas Filho a fazer representação contra o ex-ministro na semana passada. O procurador o acusa de praticar atos de improbidade administrativa.

A mulher vai à luta

Em março, a população economicamente ativa (PEA) nas seis regiões metropolitanas do país aumentou de forma considerada espantosa pelos especialistas. Ganhou mais 460.000 pessoas. É mais do que o dobro de março do ano passado (170.000). Ninguém sabe direito o porquê. Vale uma especulação. Desde o início da crise de desemprego, nota-se o seguinte fenômeno: pessoas que estavam há mais de um ano fora do mercado de trabalho (a mulher que achou que poderia parar de trabalhar porque a vida do marido havia melhorado) estão regressando.

Céu

O ego do presidente Fernando Henrique, já dilatado, ficou um pouco maior. James Wolfensohn, o poderoso presidente do Banco Mundial, convidou os presidentes Bill Clinton e FHC para ser os painelistas de um encontro do fórum que vai discutir o futuro do continente, a ser realizado nos EUA, no próximo dia 6 de junho.

Parque

O Grupo Disney não tem nenhum plano sério de fazer um parque no Brasil — é tudo espuma. Já a Universal Studios...

Alagoas, de novo

O juiz José Cirilo mandou o Banco do Brasil pagar a funcionários do banco em Alagoas cerca de 250 milhões de dólares. Se for paga, a conta será, como sempre, pendurada na viúva — são quase 2 dólares para cada brasileiro. Alguns políticos locais, inclusive o atual ministro Renan Calheiros, andaram fazendo lobby a favor da causa desses empregados — talvez sem saber o valor total da festa.

Nova safra

Fernando Henrique acha que, assim que acabarem as eleições, uma reforma partidária será inevitável. Tem muito estranho no ninho em todos os partidos — no PT, inclusive.

Sobrou para ele

O presidente, depois de muito pensar, chegou à conclusão de que não pode contar com José Serra ou Tasso Jereissati na coordenação política do governo. Está convencido de que a peteca é com ele mesmo. Difícil é arranjar tempo.

O império contra-ataca

Para impedir a Acesita-Tubarão de cair nas mãos dos franceses (a Usinor, como é público, fez oferta firme de 620 milhões de dólares), a CSN resolveu disputar o butim. Paga mais.

Machismo

De cada 100 empregados domésticos, 93 são mulheres e sete, homens. Também nesse campo os homens ganham mais. O dado consta de um trabalho feito pela pesquisadora Hildete Pereira de Melo, do Ipea. A madame paga, geralmente, mais ao jardineiro do que à cozinheira.

Colarinho-branco

O Banco Central abriu investigação para descobrir por que dois grandes bancos privados deixaram de encaminhar à Polícia Federal cópias de cheques de figurões investigados por crimes financeiros. Com autorização da Justiça, os bancos encaminharam os extratos desses clientes e a cópia dos cheques, que foram repassados à polícia. O cruzamento dos dados mostrou que faltavam vários cheques — exatamente aqueles que comprovavam os crimes. Coincidência?

O fim do emprego

Foto: Liane Neves

O vento da mutação tecnológica que moderniza o mundo — mas que em muitos casos gera desemprego — desembarca no Brasil em dois setores bem intensivos de mão-de-obra:

O sindicato dos frentistas de postos de gasolina abriu bateria contra a Esso por causa do seu programa de ampliação da rede de postos self-service. A Esso diz que o plano de automação (já são 75 os postos da bandeira que não usam frentistas) é voltado apenas para alguns mercados. No Brasil há postos que empregam um batalhão de setenta pessoas. Nos EUA ou na Europa não chegam a sete.

Foto: Roberto Loffel

Na semana passada, algumas linhas de ônibus do Centro de São Paulo começaram a usar catracas eletrônicas. O prefeito Celso Pitta ainda está tentando remar contra a maré e evitar que a novidade provoque demissões. Só na capital há 22.000 cobradores de ônibus.

Natimorta. Dizer ele não diz. Mas Collor sabe que sua campanha presidencial agora é de mentirinha. Aproveita os espaços na imprensa — a entrevista com Boris Casoy, por exemplo — até ser alvejado pela Justiça. Em seguida, faz-se de vítima mais uma vez. Recolhe-se em Alagoas e apóia os amigos no pleito local. Já na eleição de 2002, pretende voltar recauchutado para a sucessão presidencial.

O prestígio da medicina cubana no Brasil é grande. Já são sete os municípios brasileiros que importaram médicos da ilha: Criciúma (SC), Niterói e Paraíba do Sul (RJ), Angatuba e Pedreira (SP), e Ibirité e Santa Maria (MG).

Assim que deixou o Ministério do Planejamento, o deputado Antônio Kandir mergulhou na elaboração de um livro sobre os obstáculos da retomada do desenvolvimento.

Jogo proibido. A Fifa aprendeu direitinho a lição da Copa dos EUA. Montou um cordão sanitário para evitar a propaganda disfarçada nos jogos da França. Vai proibir a entrada no estádio de mais de um torcedor com camisa estampada com marca de mesmo produto (lembram-se da torcida Brahma nos campos americanos? A alegre turma estava sempre com um olho no jogo e dois nas câmeras de TV). A Nike também vai ser marcada nas arquibancadas. Na outra Copa, volta e meia aparecia um gaiato correndo que nem louco pelas arquibancadas com bandeiras da marca.

Colaboraram: Julio Cesar de Barros e Leonel Rocha




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