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| Elizabeth Tognato |
Quem acha que vida pública é aquela que só acontece nas primeiras páginas precisava ver de perto a volta do senador Antonio Carlos Magalhães a Brasília na terça-feira passada. Uma semana depois de perder o filho, vindo da missa de sétimo dia na Catedral, com a tarde carregada pelas homenagens póstumas do Congresso, passou ao meio-dia pela presidência do Senado. Acabava de anunciar no Palácio do Planalto que, em vez de liquidado pela perda do filho, como dissera no velório, se sentia agora duplicado pela herança política do deputado Luís Eduardo: "Um pouco maior porque sou dois, sou eu mesmo e sou parte dele". Minutos depois, chegou ao Senado de olhos vermelhos. Sua voz, quase inaudível, parecia ter acabado junto com o discurso. Mas estava pronto para falar o dialeto das providências.
Pegou no gabinete o senador Elcio Alvares, líder do governo, para tratar dos assuntos espetados na pauta. Pediu-lhe que desencantasse a regulamentação dos planos de saúde e queria que se votassem logo as onze medidas provisórias disparadas pelo governo sobre a administração pública. Repetiu o último argumento do presidente Fernando Henrique em favor das reformas: com a morte de Luís Eduardo e do ministro Sergio Motta, a aprovação popular às reformas havia subido para 77%. Comentou a sucessão baiana. Nesta eleição, preparava-se para eleger o filho governador do Estado com "uma vantagem de 1,5 milhão de votos". Sem ele, a diferença pode cair. "Mas vamos ganhar assim mesmo." Precisa escolher o candidato depressa: "Se esse assunto demorar dez dias, o candidato serei eu, e não quero". Tem 70 anos, quatro pontes de safena e mamária no coração e já governou a Bahia três vezes.
Meia hora depois, o governador César Borges era convocado a entrar em campanha. Um almoço rápido, na residência oficial do presidente do Senado, entre parentes e amigos, juntou 21 pessoas à mesa. Ele escolhe o lugar de cada um, com gestos de quem sabe mandar até por mímica. Quando foi prefeito de Salvador, aos 40 anos, saía depois do jantar para passear pela cidade. Visitava obras. Na sua última passagem pelo governo estadual, quatro anos atrás, o empreiteiro que fez a reforma do Teatro Castro Alves teve de levar ao Palácio de Ondina as poltronas que instalaria no auditório. Só depois de se sentar nelas, Antonio Carlos aprovou-as.
No almoço de terça-feira, prestou atenção em tudo. Se os convidados provaram a bananada artesanal que ele descobriu em Brasília e nos detalhes arquitetônicos do monumento a Luís Eduardo, que o prefeito Antônio Embassahy fará em Salvador. No fim, quando os comensais procuraram carros para estar às 3 horas no plenário da Câmara, na sessão de homenagem a Luís Eduardo, o senador cuidou da vaga de cada um. Ninguém se atrasou.
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