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Edição 2111

6 de maio de 2009
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Conversa com Mão Santa

"Longe de Adalgisa, eu choro"

O senador Mão Santa (PMDB-PI) bateu o recorde de discursos no Senado. Há duas semanas, completou 1 000 pronunciamentos


Sandra Brasil

Ichio Guerra/Folha Imagem
Mão Santa: popular até em Buenos Aires

Como o senhor consegue fazer tantos discursos? Vou abrir o jogo: o Senado não funciona nas segundas e sextas-feiras. Nesses dias, eu falo para aparecer na Voz do Brasil, na TV e na Rádio Senado.

Quer bater mais um recorde? Não tenho uma meta, mas vou manter o ritmo.

De onde o senhor tira ideias para seus pronunciamentos? Recebo uma loucura de e-mails de médicos, professores e aposentados. Sou a voz deles. Se houvesse uma eleição do senador mais querido do Brasil, eu poderia vencer.

A população do Piauí é pequena... Um dia desses, senhorita, fui reconhecido por turistas gaúchos em uma casa de tango de Buenos Aires, e eles até pediram para eu posar para fotos.

Seu prestígio foi abalado quando se descobriu que seus parentes e amigos viajavam com passagens aéreas do Senado? Só dei para doentes e a minha Adalgisa, com quem estou casado há 41 anos. Fui parcimonioso. Agora, vou pagar as da Adalgisa do meu bolso. Sou apaixonado, ela merece e, longe dela, eu choro.

O senhor foi cassado em 2001 por usar a máquina na campanha de reeleição para o governo do Piauí. Está arrependido? O que fizeram comigo foi a maior imoralidade. Adalgisa e eu saímos do palácio a pé. Depois, vim para o Senado nos braços do povo, sem gastar um tostão na campanha.

 

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