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Fé no punho
Primeiro surgiu a pulseira amarela, depois
vieram a verde, a azul, a branca e a preta...

Giuliana Bergamo
Pedro Rubens
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| Pulseiras coloridas: uma profusão de causas,
mas a moda é a maior motivação |
Lançada em maio do ano passado pela
Nike, para arrecadar dinheiro para a fundação do ciclista
americano Lance Armstrong, que venceu a batalha contra o câncer,
a pulseira amarela com a frase "Live strong" (Viva com força)
está no braço de 40 milhões de pessoas ao redor
do mundo. Além de virar mania, ela deflagrou uma febre de
braceletes de borracha em defesa de causas humanitárias.
Há a pulseira verde, em apoio às vítimas do
tsunami na Ásia, a preta e a branca, que, entrelaçadas,
repudiam o racismo no futebol, e aquelas azuis, vermelhas e brancas
em solidariedade às tropas americanas no Iraque, uma
bandeira cuja legitimidade depende muito do ponto de vista. A primeira
pulseira com uma causa cem por cento nacional será lançada
em abril, pela Associação Brasileira do Câncer.
De cor azul, ela poderá ser comprada a 5 reais numa grande
rede de supermercados. Aqui, as "pulseirinhas do bem" são
objeto de desejo sobretudo de adolescentes da classe média.
A procura é tão grande que começam a surgir
as primeiras falsificações. Em São Paulo, versões
fajutas do bracelete Live Strong, fabricadas na China, são
vendidas a 10 reais por camelôs. O curioso é que a
pulseira original, à venda no site da fundação
Armstrong, sai pelo equivalente a 3 reais.
O uso de acessórios para marcar a adesão
a um determinado movimento nasceu no século XVIII, quando
os partidários da Revolução Francesa se exibiam
nas ruas com o gorro frígio vermelho. No século XIX,
as sufragistas americanas, para reivindicar o direito ao voto, recorreram
aos bottons. Esse tipo de acessório virou mania nos anos
70, com o movimento hippie. Broches com o símbolo do "paz
e amor" estampavam camisetas, chapéus e mochilas. "Desde
então, os bottons se transformaram num dos meios mais populares
de difusão de uma causa", diz Mit Shitara, professora de
moda da Universidade Santa Marcelina, em São Paulo. As pulseiras
de borracha colorida são uma nova versão dos bottons.
Mas nem sempre quem as usa sabe por que o faz. É a moda pela
moda.
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