Edição 1899 . 6 de abril de 2005

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Fé no punho

Primeiro surgiu a pulseira amarela, depois
vieram a verde, a azul, a branca e a preta...


Giuliana Bergamo



Pedro Rubens
Pulseiras coloridas: uma profusão de causas, mas a moda é a maior motivação

Lançada em maio do ano passado pela Nike, para arrecadar dinheiro para a fundação do ciclista americano Lance Armstrong, que venceu a batalha contra o câncer, a pulseira amarela com a frase "Live strong" (Viva com força) está no braço de 40 milhões de pessoas ao redor do mundo. Além de virar mania, ela deflagrou uma febre de braceletes de borracha em defesa de causas humanitárias. Há a pulseira verde, em apoio às vítimas do tsunami na Ásia, a preta e a branca, que, entrelaçadas, repudiam o racismo no futebol, e aquelas azuis, vermelhas e brancas – em solidariedade às tropas americanas no Iraque, uma bandeira cuja legitimidade depende muito do ponto de vista. A primeira pulseira com uma causa cem por cento nacional será lançada em abril, pela Associação Brasileira do Câncer. De cor azul, ela poderá ser comprada a 5 reais numa grande rede de supermercados. Aqui, as "pulseirinhas do bem" são objeto de desejo sobretudo de adolescentes da classe média. A procura é tão grande que começam a surgir as primeiras falsificações. Em São Paulo, versões fajutas do bracelete Live Strong, fabricadas na China, são vendidas a 10 reais por camelôs. O curioso é que a pulseira original, à venda no site da fundação Armstrong, sai pelo equivalente a 3 reais.

O uso de acessórios para marcar a adesão a um determinado movimento nasceu no século XVIII, quando os partidários da Revolução Francesa se exibiam nas ruas com o gorro frígio vermelho. No século XIX, as sufragistas americanas, para reivindicar o direito ao voto, recorreram aos bottons. Esse tipo de acessório virou mania nos anos 70, com o movimento hippie. Broches com o símbolo do "paz e amor" estampavam camisetas, chapéus e mochilas. "Desde então, os bottons se transformaram num dos meios mais populares de difusão de uma causa", diz Mit Shitara, professora de moda da Universidade Santa Marcelina, em São Paulo. As pulseiras de borracha colorida são uma nova versão dos bottons. Mas nem sempre quem as usa sabe por que o faz. É a moda pela moda.

 
 
 
 
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