Edição 1899 . 6 de abril de 2005

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Turismo
Na casa dos bilhões

O espantoso custo de construção de dois
novos hotéis onde o luxo não tem limites

 
Divulgação
3 bilhões de dólares
O Emirates Palace, em Abu Dhabi, oferece vinte restaurantes e mordomos particulares que preparam banhos perfumados

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Com uma multidão crescente de turistas endinheirados viajando pelo mundo, os hotéis cinco-estrelas têm travado uma disputa renhida para ver quem oferece mais luxo e sofisticação. Dois novos hotéis acabam de bater recorde nessa corrida. O Emirates Palace, recém-inaugurado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, é o mais caro já construído. Custou nada menos que 3 bilhões de dólares, valor equivalente ao dobro das exportações da Volkswagen brasileira no ano passado. Em Las Vegas, a capital da jogatina nos Estados Unidos, o hotel Wynn, que abrirá as portas no fim do mês, não fica muito atrás: consumiu 2,7 bilhões de dólares.

Esses são valores fabulosos mesmo no mundo dos hotéis luxuosos – em média, esse tipo de empreendimento, nas grandes capitais do mundo, custa 150 milhões de dólares. Pode-se perguntar como os investidores pretendem recuperar tanto dinheiro. No caso do hotel de Las Vegas, a explicação é simples: ele abrigará um dos maiores cassinos da cidade. Já no Emirates Palace o retorno financeiro não chega a ser uma preocupação. Financiado pelo governo de Abu Dhabi, ele será usado como um dos principais cartões-postais do emirado. Além do mais, naquele pedaço do mundo, dinheiro não é problema: a cada vez que o preço do barril de petróleo sobe 1 dólar, Abu Dhabi ganha cacife para construir trinta hotéis iguais ao Emirates Palace.

Ambos os hotéis, evidentemente, oferecem tudo de bom que o dinheiro pode comprar. Embora tenha apenas 400 quartos, o Emirates, uma construção horizontal, estende-se por 240.000 metros quadrados cobertos de mármore e lustres de cristal austríaco Swarovski feitos sob encomenda. Só os restaurantes são vinte. As distâncias são tão grandes que os funcionários usam carrinhos de golfe para se locomover. Cada apartamento conta com um mordomo próprio, pronto a preparar banhos perfumados para o hóspede ou a espargir-lhe água fresca com um spray enquanto ele toma banho de sol na praia privativa do hotel. As diárias variam de 650 a 13.000 dólares.

 
Joe Cavaretta/AP
2,7 bilhões de dólares
O Wynn, em Las Vegas, com cinqüenta andares, abriga uma coleção de arte que inclui pinturas de Van Gogh, Picasso e Matisse

O Wynn de Las Vegas é a mais nova aventura de um dos mais conhecidos empresários do setor de hotéis-cassinos da cidade, Steve Wynn, ex-dono do Bellagio, que foi comprado pelo grupo proprietário do MGM Grand – esse o maior hotel do mundo, com 5.034 quartos. Para o empreendimento que batizou com seu sobrenome, Wynn reservou algumas atrações inéditas até mesmo na cidade onde a extravagância é a pedra de toque. O novo hotel, com cinqüenta andares e 2.700 apartamentos, abriga uma exposição permanente de arte recheada de obras de Van Gogh, Picasso, Gauguin, Matisse e outros monstros sagrados da pintura, muitas delas pertencentes à coleção particular que o empresário montou ao longo da vida. Para jantar, há dezoito opções de restaurante. Os shows serão apresentados num teatro construído com uma tecnologia especial em que as poltronas podem ser ocultadas sob o assoalho, transformando o ambiente num imenso salão de bailes. Diante das atrações oferecidas pelo Emirates Palace e pelo Wynn, é de imaginar o que os hotéis farão a seguir para seduzir hóspedes de carteira recheada.

 
 
 
 
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