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Imigração Exportar
mão-de-obra é bom negócio Dinheiro
enviado por emigrantes torna-se vital para a economia de países pobres
 Ruth
Costas
Divulgação
 | | Sol,
personagem de Deborah Secco na novela América: sonho de trabalhar
nos EUA |
Uma em cada dez pessoas no mundo
depende de dinheiro enviado por familiares que vivem no exterior. No total, são
125 milhões de trabalhadores emigrados, espalhados por todos os continentes,
que enviam para casa recursos para pagar a escola dos filhos, o seguro-saúde
da mãe, comprar carro, casa própria ou financiar pequenos negócios.
Em 2004, só os imigrantes de países pobres fizeram remessas de 125
bilhões de dólares para seus parentes, quase o equivalente ao PIB
da Argentina. Trata-se de um fenômeno econômico recente. Nos últimos
25 anos, o volume total de dinheiro remetido pelos trabalhadores a seu país
de origem aumentou mais de 500%. Para o Brasil, de acordo com o Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID), foram enviados no ano passado 5,6 bilhões de
dólares, o mesmo valor que o país conseguiu com a comercialização
de soja em grãos, um dos principais produtos da pauta de exportações
brasileira. A sobrevivência de alguns países depende desses recursos.
No Haiti, o dinheiro dos emigrantes representa um quarto do PIB e é a única
fonte de sustento de famílias inteiras. Os técnicos do Banco Mundial
e do BID consideram esses recursos um fator eficiente na redução
da pobreza, já que vão diretamente para quem precisa deles. Por
isso, essas instituições estão dando às remessas feitas
por imigrantes a mesma importância de outros setores da economia dos países
em desenvolvimento. Por trás dessa movimentação
financeira, há uma migração que funciona sob uma lógica
econômica simples: nos países ricos os salários são
mais altos e falta gente para trabalhar como pedreiro, faxineiro, garçom
e outras funções que não exigem qualificação,
enquanto nos pobres existe uma quantidade imensa de trabalhadores que ganham pouco
(ou nada) e estão dispostos a se mudar para receber em dólares,
euros ou ienes. Diferentemente do que acontecia nas migrações do
início do século passado, hoje, graças à modernização
do transporte e da comunicação, é fácil manter os
vínculos com o país de origem. Os imigrantes visitam com maior freqüência
a terra natal, conversam mais com seus parentes e amigos por telefone e pela internet
e, como conseqüência, têm mais motivos para investir por lá
o dinheiro que ganham no exterior. "O imigrante é um aventureiro, o que
o torna um empreendedor em potencial e alguém mais disposto a voltar a
seu país para abrir um negócio próprio", diz a socióloga
Ana Cristina Braga Martes, professora da Fundação Getulio Vargas,
em São Paulo, que acaba de finalizar uma pesquisa sobre os brasileiros
nos Estados Unidos. Na maioria das vezes, os imigrantes
fazem suas remessas informalmente por intermédio de pequenas agências
ou doleiros. O governo do país que recebe essas remessas nem chega a saber
do fluxo de dinheiro, já que a transferência é toda feita
por baixo do pano. "Os imigrantes não usam os bancos porque ficam longe
do local de trabalho, ninguém fala seu idioma nas agências ou simplesmente
porque são ilegais no país", disse a VEJA o economista indiano Dilip
Ratha, do Banco Mundial. Os brasileiros evitavam enviar suas economias pelos bancos
nacionais por causa das tarifas, mais altas que as cobradas pelos doleiros. Isso
começa a mudar. A Caixa Econômica Federal estabeleceu, há
duas semanas, uma parceria com o banco português BCP. Os brasileiros nos
Estados Unidos e no Canadá podem agora usar as agências do BCP para
fazer as remessas. A taxa é de 2,5% do valor enviado, contra a média
de 7% cobrada pelos demais bancos. "Se os brasileiros estão trabalhando
ilegalmente nos Estados Unidos é problema dos americanos", diz o presidente
da Caixa, Jorge Mattoso. "Para nós, o que importa é trazê-los
para o sistema bancário e fazer com que seu dinheiro possa ser legalizado."
O Banco do Brasil e o Banespa aumentaram o número de agências no
Japão e criaram novas formas para facilitar o envio de dinheiro pelos dekasseguis,
os trabalhadores brasileiros no Japão. Para completar, baratearam as tarifas.
É um reconhecimento bem-vindo, ainda que atrasado, da importância
da dinheirama que os brasileiros enviam do exterior. |