Edição 1899 . 6 de abril de 2005

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Educação
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Algumas das melhores universidades dos
Estados Unidos abrem campus no exterior


Divulgação
Prédio da Universidade de Stanford em Cingapura: país investe para atrair faculdades de ponta


As melhores universidades americanas estão se transformando em multinacionais. Já é possível fazer um curso do prestigiado Massachusetts Institute of Tecnology (MIT) em Cingapura, na Ásia, ou estudar medicina na Cornell Medical no Catar, no Oriente Médio. Das vinte melhores universidades dos Estados Unidos, oito já montaram campus no exterior, quatro delas nos últimos dois anos. Os países que recebem essas instituições de ensino são beneficiados de três maneiras: a primeira é com a oferta de novos cursos de qualidade confirmada. A segunda é que a concorrência com essas universidades estrangeiras pressiona as instituições acadêmicas nacionais a melhorar seu rendimento. E o terceiro benefício é o aumento da produção científica. Não por acaso, um dos países que mais concentram filiais de universidades de ponta americanas – três, no total – é Cingapura, onde o investimento em pesquisa tecnológica é prioridade do governo. Lá, gastam-se 2,2% do PIB em pesquisa e tecnologia, contra 1% no Brasil.

Com mais de meio milhão de estudantes estrangeiros, os Estados Unidos são um grande pólo educacional. Desde o 11 de Setembro, no entanto, ficou mais difícil conseguir visto para estudar em uma universidade americana. No ano passado, houve uma queda de 14.000 no número de novos alunos provenientes de outros países. Esse foi um dos incentivos para a abertura de cursos no exterior. Mas não o único. Faltam vagas nas universidades de muitos países em desenvolvimento. Só a China precisa triplicar a oferta de vagas no ensino superior nas próximas duas décadas. Por isso, o Catar concedeu subsídios e terrenos a quatro universidades americanas para se instalarem por lá, onde podem atender alunos de todo o Oriente Médio.

O Brasil até agora não recebeu nenhum campus de universidade americana de ponta por no mínimo três motivos. O primeiro é que o processo de aprovação de um novo curso pelo Ministério da Educação pode levar até um ano e meio, algo inaceitável para os padrões internacionais. Segundo, para instalar cursos por aqui as faculdades teriam de abrir mão de seus métodos consagrados e cumprir as diretrizes curriculares estabelecidas pelo MEC. E, terceiro, a oferta de vagas em universidades particulares é maior do que a demanda: um levantamento do Censo do Ensino Superior mostrou que em 2002 sobrou quase meio milhão de vagas em faculdades particulares no Brasil. No futuro, o sonho de uma universidade americana de primeira linha poderá ficar mais distante. A proposta de reforma universitária do governo limita em no máximo 30% a participação de sócios estrangeiros em instituições de ensino superior.

 
 
 
 
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