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Brasil Os
microfones vão ser ligados Congresso aprova
convocação de três envolvidos no caso Farc-PT
 Policarpo
Junior José
Miguel Gomez/Reuters
 | | Guerrilheiros
das Farc: Lula nega ligação do PT com as Farc e diz que a denúncia é coisa "antiga" |
Na semana passada, a comissão do Congresso encarregada de fiscalizar o
setor de inteligência do governo resolveu entrar no caso Farc-PT. Há
quatro semanas, o comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)
vem garantindo que jamais investigou a suspeita de que as Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc) teriam dado 5 milhões de
dólares à campanha eleitoral do PT em 2002. A versão da Abin,
de que ouviu apenas um "boato" e nem lhe deu importância, já foi
desmentida por um ex-agente da agência, o coronel Eduardo Ferreira, que
trabalhou sete anos na Abin e esteve envolvido com a investigação.
Também foi desmentida por um espião da agência que trabalha
infiltrado no movimento sindical em Brasília. O espião contou que
elaborou dois relatos sobre o caso. O coronel Ferreira, por sua vez, conta que
a investigação da Abin durou mais de um ano, gerou dezenas de relatórios,
gravações de áudio e vídeo. O coronel vai mais longe:
diz que os investigadores encontraram três ordens de pagamento com indícios
de que 1 milhão de dólares teriam de fato entrado no Brasil.
Na quinta-feira passada, a comissão do Congresso decidiu convocar o coronel
e o espião. Os membros da comissão também querem ouvir José
Milton Campana, que hoje ocupa o cargo de diretor adjunto da Abin e, na época,
se envolveu com a investigação dos supostos laços financeiros
entre as Farc e o PT. Os relatórios do caso eram digitados no gabinete
de Campana e, dali, remetidos à então diretora-geral, Marisa Del'Isola.
Na surdina, a Abin faz uma sindicância interna para descobrir quem, de dentro
do órgão, passou as informações que vieram a público.
No rastro da sindicância, Campana, um dos suspeitos do vazamento, foi posto
na geladeira: está informalmente afastado do comando da diretoria adjunta.
Seu depoimento à comissão é aguardado com ansiedade. Dos
três convocados, Campana é o único que ainda não falou
sobre o assunto. A um amigo, ele comentou que apenas cumpriu seu dever funcional.
Disse que recebeu ordem superior para tocar as investigações sobre
a suposta conexão financeira Farc-PT. O
presidente Lula, durante viagem à Venezuela na semana passada, abordou
o tema em público pela primeira vez. Disse que as denúncias são
"antigas", pois surgiram na campanha de 2002, e nunca foram "levadas a sério"
pelos petistas. Lula incorreu numa imprecisão. Por sua gravidade, uma denúncia
de algo que ocorreu em 2002 não pode ser descrita como "antiga". Foi ontem.
O assunto voltou à baila em uma reportagem publicada por VEJA há
três semanas. Ali não se acusou o PT de ter recebido dinheiro das
Farc. Até hoje, não se sabe se isso ocorreu. O que VEJA publicou,
e a Abin insiste em negar, é outra coisa: é o fato de que a suspeita
de um ducto financeiro Farc-PT foi exaustivamente investigada e há vários
documentos sobre o caso arquivados na Abin. A Abin nega, mas não abre os
arquivos. Os três depoimentos à comissão do Congresso devem
ajudar a esclarecer a questão. Pena que vão demorar. Antes, o presidente
da comissão, o senador Cristovam Buarque, quer aprovar um regimento interno.
O estatuto dirá como e em que condições a comissão
pode ouvir o espião, que quer manter sua identidade sob anonimato e, para
isso, pediu para depor fora do Congresso. "Como está, fica tudo nas minhas
costas", reclama Buarque. O senador Demostenes Torres, do PFL de Goiás,
teme que a discussão sobre o regimento sirva só para adiar os depoimentos.
"Para ouvir a versão do governo e tentar dar o caso por encerrado, ninguém
precisou de regimento", diz ele. Cristovam Buarque garante que não se trata
disso. Tomara que não. |