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Brasil O
homem das sete fazendas fantasmas É
título de fábula infantil, mas
é um rolo de verdade Joedson
Alves/AE
 | | Jucá:
apenas uma notinha |
Sabia-se que
o novo ministro da Previdência Social, Romero Jucá, deve 36.000 reais
ao INSS. Sabia-se também que, em 1999, o novo ministro chegou a ser acusado
de apropriar-se indevidamente de um canal de televisão uma retransmissora
da TV Bandeirantes em Boa Vista, capital de Roraima, para onde o pernambucano
Romero Jucá se mudou para entrar na vida pública. Na semana passada,
graças a reportagens publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo, descobriu-se
mais um rolo na vida do novo ministro. Em 1996, Romero Jucá e seu sócio,
Getúlio Cruz, ofereceram sete fazendas como garantia de um empréstimo
pedido ao Banco da Amazônia. O empréstimo original, feito em nome
de um abatedouro chamado Frangonorte, era de 4,6 milhões de reais e, hoje,
já chega a 18 milhões porque o banco nunca conseguiu executar as
garantias. Também pudera: nenhuma das sete fazendas existe. Num primeiro
momento, Jucá, por meio de uma nota, responsabilizou seu sócio pela
tramóia. Em seguida, depois que o jornal publicou documentos desmentindo
a versão, o novo ministro deu uma entrevista vaga e calou-se. As escrituras
das sete fazendas, supostamente avaliadas em 2,7 milhões de reais, eram
fraudulentas e referiam-se a terras griladas. Ninguém no governo levantou
a voz para defender o novo ministro. O próprio, até agora, limitou-se
a distribuir uma notinha à imprensa e fazer de conta que se explicou. Com
uma suspeita dessa natureza, a única coisa que uma autoridade pública
não pode fazer é ficar em silêncio. |