Edição 1899 . 6 de abril de 2005

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Brasil
O homem das sete
fazendas fantasmas

É título de fábula infantil, mas
é um rolo de verdade

 
Joedson Alves/AE
Jucá: apenas uma notinha

Sabia-se que o novo ministro da Previdência Social, Romero Jucá, deve 36.000 reais ao INSS. Sabia-se também que, em 1999, o novo ministro chegou a ser acusado de apropriar-se indevidamente de um canal de televisão – uma retransmissora da TV Bandeirantes em Boa Vista, capital de Roraima, para onde o pernambucano Romero Jucá se mudou para entrar na vida pública. Na semana passada, graças a reportagens publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo, descobriu-se mais um rolo na vida do novo ministro. Em 1996, Romero Jucá e seu sócio, Getúlio Cruz, ofereceram sete fazendas como garantia de um empréstimo pedido ao Banco da Amazônia. O empréstimo original, feito em nome de um abatedouro chamado Frangonorte, era de 4,6 milhões de reais e, hoje, já chega a 18 milhões porque o banco nunca conseguiu executar as garantias. Também pudera: nenhuma das sete fazendas existe. Num primeiro momento, Jucá, por meio de uma nota, responsabilizou seu sócio pela tramóia. Em seguida, depois que o jornal publicou documentos desmentindo a versão, o novo ministro deu uma entrevista vaga e calou-se. As escrituras das sete fazendas, supostamente avaliadas em 2,7 milhões de reais, eram fraudulentas e referiam-se a terras griladas. Ninguém no governo levantou a voz para defender o novo ministro. O próprio, até agora, limitou-se a distribuir uma notinha à imprensa e fazer de conta que se explicou. Com uma suspeita dessa natureza, a única coisa que uma autoridade pública não pode fazer é ficar em silêncio.

 
 
 
 
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