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Congresso
O nosso Forrest Gump
Severino faz tudo errado, mas o
resultado final está sendo bom...

Otávio Cabral
Joedson Alves/AE
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| Severino: ele quer proibir o governo de fazer
MPs sobre tributos |
O deputado Severino Cavalcanti, 74 anos de
idade e 41 de política, resolveu peitar o governo na semana
passada. Contra a vontade do Palácio do Planalto, ele colocou
em votação a MP 232, a medida provisória que
conjugava a bondade de corrigir a tabela do imposto de renda em
10% com a maldade de aumentar em até 30% a carga tributária
para prestadores de serviço e empresas de agricultura, transportes,
saúde e educação. Diante de uma derrota iminente,
dada a disposição majoritária dos parlamentares
de votar contra a medida provisória, o governo mudou de estratégia
parlamentar cinco vezes ao longo da semana, mas, finalmente, acabou
optando pelo mais sensato: arquivou a MP 232 e, em seu lugar, baixou
uma nova medida provisória limitando-se a contemplar a parte
boa, e assim beneficiando 7 milhões de contribuintes com
a correção da tabela do IR. A decisão é
resultado da pressão da sociedade, que se mobilizou contra
mais um aumento de impostos, mas teve um artífice no Congresso:
Severino Cavalcanti, que começa a assemelhar-se a Forrest
Gump, o personagem vivido por Tom Hanks no cinema que faz tudo errado
mas tudo acaba dando certo.
Fazendo tudo errado, Severino até que
começa a soprar bons ventos, como se viu na rejeição
de outro aumento de impostos. Com sua relação atritada
com o Palácio do Planalto, Severino, a sua maneira, resgata
a soberania e a independência da Câmara, ainda que de
forma involuntária. O Congresso Nacional, com suas duas casas,
tem sido, na prática, um poder submisso ao Executivo. No
ano passado, a Câmara aprovou mais de uma centena de leis,
mas apenas três delas foram propostas por deputados. A esmagadora
maioria das leis foi iniciativa do Executivo, numa evidência
matemática de que a verdadeira casa legislativa do país
é o Planalto. Agora, com os arroubos de Severino, a pauta
de votações da Câmara, noutro exemplo de independência,
deixou de ser definida de acordo com os interesses e a conveniência
do governo, como mostra o caso da própria MP 232. Quem define
a pauta de votações é Severino. Sua postura
autoritária de não consultar os líderes, quando
muito apenas o líder de seu partido, o PP, tem gerado críticas
na Câmara, mas não deixa de firmar independência
em relação ao governo.
A gestão de Severino dá sinais
de que reduzirá um velho entulho: o excesso de medidas provisórias
despachadas pelo governo ao Congresso. Ele já demonstrou
não ter pudor de trabalhar contra as MPs. Tem até
planos de colocar em votação um projeto de lei proibindo
o governo de editar medidas provisórias sobre matéria
tributária uma iniciativa que, com certeza, obrigaria
o governo a cortar gastos e não resolver seus problemas de
caixa só com aumento de impostos. Por tudo isso, o governo
está se preparando para conversar com mais freqüência
com Severino para evitar novos sustos. É mais uma saudável
obra do nosso Forrest Gump.
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