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Edição 2046

6 de fevereiro de 2008
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Guia
Bem guardados,
eles vão durar mais

Nos pés de um brasileiro, um bom sapato sobrevive em média
a dois anos de uso regular. Se ao calçado fossem dedicados
certos cuidados básicos, sua vida útil esticaria algo como 40%.


Monica Weinberg

Existe uma lógica comum à boa conservação de itens tão distintos quanto um par de sapatos, uma coleção de fotografias ou uma porção de gravatas: eles precisam ser guardados no lugar certo. Especialistas consultados por VEJA sabem apontar quais são esses locais com precisão e bom senso. Eles também ensinam algumas das técnicas mais eficazes para prolongar a vida de seis dos objetos que as pessoas costumam manter em casa. Certos utensílios relativamente novos, como os sugeridos a seguir, podem ajudar. No geral, as recomendações dos especialistas chamam atenção pela extrema simplicidade na execução – e pelo bom resultado final. 

Sapatos

Melhor forma de guardar: em qualquer lugar onde possam permanecer lado a lado – e nunca espremidos uns sobre os outros em compartimentos apertados, sob o risco de saírem de lá deformados      

O que evitar: expor os sapatos ao sol. Isso contribui para desbotar a tinta e ainda ressecar o couro, se esse for o caso. É bom, sim, retirá-los do armário uma vez por mês, para evitar que acumulem umidade, mas, nessas ocasiões, prefira sempre a sombra

Dica dos especialistas: acomodar dentro dos sapatos um acessório feito especialmente para mantê-los esticados, a salvo de marcas e vincos resultantes do uso contínuo. Os melhores modelos de tais modeladores cobrem toda a extensão do calçado, do bico ao calcanhar

Alexandre Schneider
A sapateira da dentista Vania Staut Moretto,
54 anos, aloja bem oitenta pares e é, para os especialistas, o modelo ideal. Diz Vania: "Nunca mais tirei um sapato amassado da gaveta"


Perfumes

Melhor forma de guardar: dentro de um armário, bem longe do sol e do banheiro. A exposição do perfume a luz, umidade e temperaturas elevadas desencadeia um processo de oxidação durante o qual sua fórmula perde as características originais – e o aroma sai alterado

O que evitar: comprar frascos grandes demais. O prazo de validade de um perfume é, em média, de dois anos. Depois disso, a fragrância certamente não será mais a mesma

Dica dos especialistas: não dispensar a embalagem de papel. Ela é fundamental para a conservação do perfume


Fotos

Melhor forma de guardar: em álbuns com a especificação "acid free", sinônimo de pH neutro. São mais caros e difíceis de encontrar, mas em compensação prescindem da alta acidez típica dos álbuns comuns, responsável pela oxidação do papel e pelo envelhecimento da fotografia   

O que evitar: armazená-las em ambientes quentes demais. A temperatura ideal deve oscilar entre 19 e 21 graus. O calor em excesso faz a película gelatinosa sobre a foto se expandir, e isso facilita a entrada de umidade naquela parte onde ficam os pigmentos da imagem, causando manchas e perda de cor 

Dica dos especialistas: fazer cópias das fotos colocadas em porta-retratos. Com a exposição constante à luz, é como se o processo de revelação da imagem continuasse — e a fotografia sempre sai desbotada


Gravatas

Melhor forma de guardar: há duas opções. A primeira é alojá-las devidamente enroladas numa gaveta – de preferência de aço inox ou MDF. Esses são materiais de textura mais regular e, portanto, apresentam menor risco de as gravatas terem os fios puxados. A outra opção é pendurá-las em cabides, tomando um cuidado básico: eles devem vir com apoios de mais de 2 centímetros de espessura, para não marcar o tecido     

O que evitar: lavar as gravatas. Em contato com a água, o tecido fibroso com o qual elas são confeccionadas, conhecido como entretela, costuma deformar-se e encolher. Se for inevitável, lave a seco   

Dica dos especialistas: existem caixas específicas para transportar gravatas dentro da mala – e elas de fato previnem rasgos e fios puxados durante os traslados. Ainda não estão à venda no Brasil, mas é possível comprar uma dessas por meio de sites estrangeiros, como o
www.tiecaddy.com 


Jóias

Jamie Grill/Iconica/Getty Images

Melhor forma de guardar: em caixas forradas com veludo ou camurça, porque tais materiais previnem riscos nas jóias. As melhores ainda vêm separadas por divisórias. O atrito entre as peças, afinal, também pode arranhá-las

O que evitar: usar jóias e não limpá-las depois disso. O contato com substâncias de pH ácido, como as encontradas em perfumes, cosméticos ou mesmo no suor, desencadeia um processo químico cujo resultado é o escurecimento da jóia. Para ouro e prata, indica-se uma solução simples, de água morna e sabão de coco. Em jóias com pérolas, dispense o sabão

Dica dos especialistas: comprar uma flanela específica para polimento de jóias. Ela vem com um pó abrasivo, capaz de eliminar certos riscos e recuperar o brilho


Livros

Melhor forma de guardar: em estantes fechadas, para protegê-los do pó. A poeira favorece o aparecimento de microrganismos e contém resíduos de produtos químicos. Por isso, acelera o envelhecimento das fibras do papel e ainda por cima pode provocar manchas    

O que evitar: posicionar a estante grudada à parede. É melhor afastá-la 3 centímetros. Isso evita a passagem de umidade para o móvel e, naturalmente, para os livros

Dica dos especialistas: jamais usar fitas adesivas comuns para colar páginas rasgadas. A cola possui pH ácido, o que acelera o envelhecimento do papel. Invista naquelas fitas específicas para esse fim, vendidas em lojas de restauração

 

38 000 volumes em casa

Fernando Moraes

O bibliógrafo José Mindlin, 93 anos, passou a colecionar livros aos 13. Tem em casa a primeira edição de Os Lusíadas, de Luís de Camões, e dez livros de Machado de Assis devidamente autografados pelo autor. Ele conta duas de suas técnicas para conservar essas e outras raridades:

1 Controla a umidade do ar de sua biblioteca com um aparelho desumidificador ligado durante a noite. Faz diferença. "Mesmo quando o ar parece não estar muito úmido, recolho 2 litros de água pela manhã"

2 Inspeciona mensalmente todas as prateleiras, para assegurar que estão livres de cupins. "Parece um exagero, mas essa rotina evita fatalidades como a de ter uma coleção inteira de Marcel Proust (França, 1871-1922) engolida por insetos, como me aconteceu dez anos atrás"



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