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Música
Mauricinhos
do barulho
Foi-se
o tempo em que rock era coisa
de proletário. Aí estão os Strokes para
comprovar

Sérgio
Martins, de Los Angeles
Divulgação
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| Os
rapazes dos Strokes: cabelos ensebados, roupinhas de brechó
e "conservadorismo pop" |
"O
que mais pode fazer um rapaz pobre / Senão tocar numa banda
de rock?" Durante muitos anos, esses versos de Street Fighting
Man (1968), dos Rolling Stones, foram uma descrição
fiel do mundo roqueiro: ele era povoado por garotos proletários
que esperavam vencer na vida fazendo barulho. Mas esse cenário
mudou com o tempo e, hoje, as benesses de uma carreira de sucesso
na indústria musical tornaram-se atraentes até para
quem nasceu em berço de ouro. Eis aí o quinteto americano
The Strokes para comprovar. Considerado por muitos o melhor grupo
de rock do momento, ele despontou em 2001 com o disco Is This
It? e agora está lançando o segundo álbum,
Room on Fire. Todos os seus integrantes são de família
abastada. O vocalista Julian Casablancas, por exemplo, é
filho de John Casablancas, dono da agência de modelos Elite.
O mais "humilde" do grupo é o baixista Nikolai Fraiture.
Ele cresceu num apartamento numa área nobre de Manhattan.
Os
Strokes fazem o estilo desleixado. Usam cabelo ensebado, jeans puídos,
tênis All Star e terninhos de brechó. Casablancas diz
que passa vários dias com a mesma roupa (embora deixe bem
claro que troca as meias e a cueca). Antes de formarem a banda,
os meninos freqüentavam faculdades sem nenhum entusiasmo. O
guitarrista Albert Hammond Jr. estudava cinema, mas tem dificuldade
para lembrar o nome de seu diretor preferido. "Eu e Julian passávamos
a tarde no escritório do pai dele, conferindo as modelos",
contou em entrevista a VEJA. Nem mesmo a música era uma paixão.
"Eu só peguei numa guitarra para montar o grupo", diz. Divertir-se
e encher a cara nos clubes de rock de Manhattan parecia, contudo,
uma boa idéia, e foi lá que começaram sua carreira.
VEJA
conferiu um show da turnê de lançamento de Room
on Fire. Casablancas comanda o espetáculo. Ao final da
apresentação, ele promoveu um quebra-quebra no palco.
Jogou o microfone contra os refletores, chutou os amplificadores
e destruiu a bateria. A platéia, lotada de meninas da geração
Y ou seja, entre o final da adolescência e os 20 e
poucos anos , delirou. Ao que consta, Casablancas não
tem namorada no momento. Os comprometidos do grupo são o
guitarrista Nick Valensi, que namora a ex-supermodelo Amanda de
Cadenet, e o baterista Fabrizio Moretti (cuja mãe é
brasileira), que juntou os trapinhos com a atriz Drew Barrymore.
Do
primeiro para o segundo álbum, o som dos Strokes não
sofreu nenhuma mudança significativa. É bom? É.
Eles fazem músicas despojadas, que se agarram à memória.
O barulho convive com boas melodias. O DNA dos Strokes traz genes
do punk rock (Stooges) e da new wave (The Cars). Mas, como notou
o crítico Joe Hagan na revista Newsweek, há
algo de insatisfatório nessas canções impecáveis.
Hagan sugere que os Strokes exprimem uma espécie de "conservadorismo
pop". Mauricinhos disfarçados, eles seriam "a trilha sonora
de uma cultura calcificada pelo marketing e pela moda". É
apenas rock'n'roll, dirá alguém. Talvez seja um pouco
menos.
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