Edição 1827 . 5 de novembro de 2003

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Pega na mentira

"Máquina da verdade"
põe artistas na berlinda


Ricardo Valladares



Fotos Claudio Rossi
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Barros interroga o cantor Wando. À direita, o programa de computador: inventado para ajudar a polícia

Um programa de computador inventado para uso da polícia israelense no interrogatório de terroristas está ajudando a Rede Bandeirantes a ganhar ibope. O software, que analisa variações na voz de uma pessoa e detecta mentiras, é a estrela do quadro Máquina da Verdade, exibido às quintas-feiras no Boa Noite Brasil. Sempre que vai ao ar, o Máquina da Verdade eleva a audiência do show apresentado por Gilberto Barros da média de 4 pontos para picos de até 10. Os alvos do interrogatório têm sido artistas e celebridades de segundo time, dispostos a ser entrevistados em troca de tempo no vídeo e um cachê de até 5.000 reais. Esse é o dinheiro oferecido a cada participante no início do quadro. Ele precisa, então, responder a perguntas sobre sua intimidade, inspiradas em fofocas publicadas pela imprensa. Cada vez que um aviso de "afirmação falsa" aparece na máquina da verdade, o interrogado perde dinheiro. O mais sincero até agora foi o grandalhão Alexandre Frota. Os mais dados a mentirinhas foram o apresentador Otávio Mesquita e Sônia Lima, ex-jurada de Silvio Santos. Fora isso, o espectador pôde conferir boatos sobre a vida sexual da passista Nana Gouveia ou a vida afetiva do cantor Latino. Nana disse que já teve uma experiência homossexual. Verdade, confirmou a máquina. Latino pensou em matar-se quando foi abandonado pela cantora Kelly Key? Verdade também.

A primeira "máquina da verdade" foi o polígrafo, criado pelos discípulos do criminalista italiano Cesare Lombroso (1835-1909). Desde então, vem-se tentando criar aparelhos mais precisos. A invenção israelense emprega fórmulas matemáticas para medir as ondas sonoras da fala e compará-las com parâmetros de normalidade. Seus criadores reconhecem, contudo, que é possível enganá-la. A máquina pode não fazer leituras corretas de respostas monossilábicas ou de frases muito carregadas de ironia. A frieza da voz de psicopatas também confunde a leitura. Mas esse caso, supõe-se, ainda não se viu no Boa Noite Brasil.

 

 
 
 
 
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