|
|
Televisão
Pega
na mentira
"Máquina
da verdade"
põe artistas na berlinda

Ricardo
Valladares
Fotos Claudio Rossi
 |
ssi
 |
| Barros
interroga o cantor Wando. À direita, o programa de computador:
inventado para ajudar a polícia |
Um
programa de computador inventado para uso da polícia israelense
no interrogatório de terroristas está ajudando a Rede
Bandeirantes a ganhar ibope. O software, que analisa variações
na voz de uma pessoa e detecta mentiras, é a estrela do quadro
Máquina da Verdade, exibido às quintas-feiras no Boa
Noite Brasil. Sempre que vai ao ar, o Máquina da Verdade
eleva a audiência do show apresentado por Gilberto Barros
da média de 4 pontos para picos de até 10. Os alvos
do interrogatório têm sido artistas e celebridades
de segundo time, dispostos a ser entrevistados em troca de tempo
no vídeo e um cachê de até 5.000
reais. Esse é o dinheiro oferecido a cada participante no
início do quadro. Ele precisa, então, responder a
perguntas sobre sua intimidade, inspiradas em fofocas publicadas
pela imprensa. Cada vez que um aviso de "afirmação
falsa" aparece na máquina da verdade, o interrogado perde
dinheiro. O mais sincero até agora foi o grandalhão
Alexandre Frota. Os mais dados a mentirinhas foram o apresentador
Otávio Mesquita e Sônia Lima, ex-jurada de Silvio Santos.
Fora isso, o espectador pôde conferir boatos sobre a vida
sexual da passista Nana Gouveia ou a vida afetiva do cantor Latino.
Nana disse que já teve uma experiência homossexual.
Verdade, confirmou a máquina. Latino pensou em matar-se quando
foi abandonado pela cantora Kelly Key? Verdade também.
A
primeira "máquina da verdade" foi o polígrafo, criado
pelos discípulos do criminalista italiano Cesare Lombroso
(1835-1909). Desde então, vem-se tentando criar aparelhos
mais precisos. A invenção israelense emprega fórmulas
matemáticas para medir as ondas sonoras da fala e compará-las
com parâmetros de normalidade. Seus criadores reconhecem,
contudo, que é possível enganá-la. A máquina
pode não fazer leituras corretas de respostas monossilábicas
ou de frases muito carregadas de ironia. A frieza da voz de psicopatas
também confunde a leitura. Mas esse caso, supõe-se,
ainda não se viu no Boa Noite Brasil.
|