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Televisão
Toque
de frescor
Estréia
no Brasil um programa em
que os machões aprendem como
ser gays. Mas só um pouquinho
Divulgação
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| Os
"Fab 5" em ação: a turma capricha na mise-en-scène |
O termo
"metrossexual" designa uma tribo em alta: a dos heterossexuais que
se esmeram mais do que o habitual nos cuidados com a aparência
e no cultivo do refinamento em áreas como a decoração
de interiores. Um dos programas mais comentados da televisão
americana no momento, o reality show Queer Eye for the Straight
Guy (traduzindo: Um Olhar Gay para um Cara Hétero) oferece
uma fórmula engraçada para a construção
de um metrossexual. A cada episódio, um machão tido
como caso perdido curva-se ao know-how de um time de especialistas
em finesse: cinco homossexuais especializados em moda, beleza, gastronomia,
decoração e cultura. Auto-denominados "Fab 5" ("cinco
fabulosos"), eles vão à casa do sujeito, a pedido
do próprio ou da parceira que já não agüenta
mais sua falta de modos, e promovem ajustes em sua aparência
e seus hábitos. No ar desde julho, Queer Eye trouxe
ao canal a cabo Bravo suas maiores audiências em 23 anos de
existência. O sucesso foi tanto que a rede NBC, dona do Bravo,
passou a utilizar a atração como curinga em seu horário
nobre numa das exibições, alcançou a
marca de 7 milhões de espectadores. O reality show estréia
no Brasil no domingo 9, pela Sony.
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| O
americano Schepel, antes: bagunça e visual desleixado |
Com
Kressley, que desanca suas roupas: "Que nojo!" |
Queer
Eye é um misto de humorístico e programa de prestação
de serviços. No começo de cada episódio, os
Fab 5 recebem uma missão, como ajudar um rapagão a
armar uma festa para a mulher ou a fazer um pedido de noivado. Primeiro,
eles baixam na casa do escolhido e apontam tudo o que está
errado em seu estilo. Em seguida, o sujeito passa por um banho de
loja e enfrenta uma maratona de cabeleireiro, bronzeamento artificial,
depilação e clareamento dentário. Enquanto
isso, sua residência é redecorada num padrão
descolado, mas de acordo com suas posses. Nos dois últimos
blocos, o heterossexual tem de se virar sozinho, mostrando que aprendeu
a lição, enquanto seus tutores assistem a tudo pela
TV. No total, são quatro dias de convivência. Um dos
aspectos mais divertidos do programa é que os consultores
capricham na mise-en-scène. O mais espalhafatoso é
Carson Kressley, de moda. Ele tem ataques histéricos diante
do guarda-roupa dos "bofes". "Ai, que nojo!", disse Kressley, enquanto
lançava ao chão com uma pinça as roupas do
nova-iorquino Brian Schepel, personagem do episódio de estréia.
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| Na
sessão de bronzeamento: o travadão começa a se soltar |
Schepel,
depois do serviço do "Fab 5": "mudança profunda" |
A
repercussão de Queer Eye ocorre num momento em que
o universo gay ganha visibilidade na TV americana. Há questão
de cinco anos, as emissoras pouco se arriscavam nessa área,
temendo a rejeição do público médio.
Hoje, vários seriados, do drama adolescente Dawson's Creek
ao debochado Will & Grace, abordam o assunto de maneira
aberta, ainda que não chocante (experiências mais ousadas
como a de Queer as Folk, em que lésbicas e gays aparecem
se beijando, ainda estão restritas ao público segmentado
da TV a cabo). Queer Eye segue nessa linha. Seus consultores
fazem o papel dos bons moços que ensinam rapagões
travados a ganhar certos atributos que podem ajudá-los a
vencer na vida. "A história de amizade entre o heterossexual
e seus benfeitores gays é o cerne do programa. Queremos que
a vida desses homens passe por uma mudança profunda e duradoura",
diz David Metzler, um dos produtores de Queer Eye. Sabe-se
de pelo menos um machão que foi às lágrimas
quando teve de se despedir dos Fab 5.
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