Edição 1827 . 5 de novembro de 2003

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Televisão
Toque de frescor

Estréia no Brasil um programa em
que os machões aprendem como
ser gays. Mas só um pouquinho



Divulgação
Os "Fab 5" em ação: a turma capricha na mise-en-scène

O termo "metrossexual" designa uma tribo em alta: a dos heterossexuais que se esmeram mais do que o habitual nos cuidados com a aparência e no cultivo do refinamento em áreas como a decoração de interiores. Um dos programas mais comentados da televisão americana no momento, o reality show Queer Eye for the Straight Guy (traduzindo: Um Olhar Gay para um Cara Hétero) oferece uma fórmula engraçada para a construção de um metrossexual. A cada episódio, um machão tido como caso perdido curva-se ao know-how de um time de especialistas em finesse: cinco homossexuais especializados em moda, beleza, gastronomia, decoração e cultura. Auto-denominados "Fab 5" ("cinco fabulosos"), eles vão à casa do sujeito, a pedido do próprio ou da parceira que já não agüenta mais sua falta de modos, e promovem ajustes em sua aparência e seus hábitos. No ar desde julho, Queer Eye trouxe ao canal a cabo Bravo suas maiores audiências em 23 anos de existência. O sucesso foi tanto que a rede NBC, dona do Bravo, passou a utilizar a atração como curinga em seu horário nobre – numa das exibições, alcançou a marca de 7 milhões de espectadores. O reality show estréia no Brasil no domingo 9, pela Sony.


O americano Schepel, antes: bagunça e visual desleixado Com Kressley, que desanca suas roupas: "Que nojo!"

Queer Eye é um misto de humorístico e programa de prestação de serviços. No começo de cada episódio, os Fab 5 recebem uma missão, como ajudar um rapagão a armar uma festa para a mulher ou a fazer um pedido de noivado. Primeiro, eles baixam na casa do escolhido e apontam tudo o que está errado em seu estilo. Em seguida, o sujeito passa por um banho de loja e enfrenta uma maratona de cabeleireiro, bronzeamento artificial, depilação e clareamento dentário. Enquanto isso, sua residência é redecorada num padrão descolado, mas de acordo com suas posses. Nos dois últimos blocos, o heterossexual tem de se virar sozinho, mostrando que aprendeu a lição, enquanto seus tutores assistem a tudo pela TV. No total, são quatro dias de convivência. Um dos aspectos mais divertidos do programa é que os consultores capricham na mise-en-scène. O mais espalhafatoso é Carson Kressley, de moda. Ele tem ataques histéricos diante do guarda-roupa dos "bofes". "Ai, que nojo!", disse Kressley, enquanto lançava ao chão com uma pinça as roupas do nova-iorquino Brian Schepel, personagem do episódio de estréia.


Na sessão de bronzeamento: o travadão começa a se soltar Schepel, depois do serviço do "Fab 5": "mudança profunda"

A repercussão de Queer Eye ocorre num momento em que o universo gay ganha visibilidade na TV americana. Há questão de cinco anos, as emissoras pouco se arriscavam nessa área, temendo a rejeição do público médio. Hoje, vários seriados, do drama adolescente Dawson's Creek ao debochado Will & Grace, abordam o assunto de maneira aberta, ainda que não chocante (experiências mais ousadas como a de Queer as Folk, em que lésbicas e gays aparecem se beijando, ainda estão restritas ao público segmentado da TV a cabo). Queer Eye segue nessa linha. Seus consultores fazem o papel dos bons moços que ensinam rapagões travados a ganhar certos atributos que podem ajudá-los a vencer na vida. "A história de amizade entre o heterossexual e seus benfeitores gays é o cerne do programa. Queremos que a vida desses homens passe por uma mudança profunda e duradoura", diz David Metzler, um dos produtores de Queer Eye. Sabe-se de pelo menos um machão que foi às lágrimas quando teve de se despedir dos Fab 5.

 

 
 
 
 
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