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Cinema
Ufa,
acabou
Em
Revolutions, só o Agente Smith lembra
o que havia de bom no primeiro Matrix

Isabela
Boscov
Warner Bros
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| Reeves
e Weaving: o programa de computador é que parece humano |
No
longo, muito longo Matrix Revolutions (The Matrix
Revolutions, Estados Unidos, 2003), que estréia nesta
quarta-feira simultaneamente em quase todo o mundo, há uma
seqüência de uns dez minutos em que Neo (Keanu Reeves),
o suposto salvador da humanidade, enfrenta mais uma vez a
última seu arqui-rival, o Agente Smith (Hugo Weaving).
Cercados por milhares de clones do agente, Neo e Smith lutam sob
um céu cinza-esverdeado, riscado de relâmpagos, e mobilizam
tanta energia com seus golpes que, por vezes, as ondas de choque
que eles produzem impedem que a chuva pesada chegue ao chão.
O cenário semi-real, a limpeza com que a coreografia é
filmada, a ênfase na interação entre os dois
personagens e o balanço entre humor e tensão tornam
esse um momento que parece extraído do primeiro Matrix
e, por conseqüência, o único momento deste
epílogo da série capaz de proporcionar alguma satisfação
verdadeira.
Matrix
Reloaded, lançado há seis meses, e em muito maior
grau este Matrix Revolutions são exemplos ilustrativos
(e decepcionantes) de como um autor pode interpretar mal as razões
que tornaram sua criação um fenômeno de aceitação
popular. Os irmãos Andy e Larry Wachowski, diretores dos
filmes e articuladores da hoje vasta e poderosa marca Matrix,
não dão entrevistas e não se explicam. Mas,
a julgar pelas continuações que lançaram neste
ano, os Wachowski identificaram a audácia do visual como
a força por trás de seu sucesso. É nela, em
detrimento de todo o resto, que eles investem pesado. A cena da
luta final entre Neo e Smith, porém, faz lembrar o que era
de fato surpreendente e oportuno no filme original, e de que quase
não restam vestígios agora: a ambigüidade e a
confusão entre o que é real e possível e aquilo
que não passa de uma fabricação. Em Revolutions,
não há mais zonas cinzentas ou dúvidas que
fisguem a platéia. Zion, a cidade subterrânea em que
os homens resistem ao domínio das máquinas, está
sob ataque total. Há apenas os bons, os maus e os efeitos
especiais.
Não
é que a bilheteria desminta os Wachowski. Com 736 milhões
de dólares acumulados até aqui, Reloaded é
a maior renda global do ano (embora, nos Estados Unidos, tenha perdido
o posto para Procurando Nemo e Piratas do Caribe).
O que os desmente é a sensação de tarefa a
cumprir com que se atravessa as duas horas de Revolutions,
e o alívio provocado pela breve presença em cena do
pertinaz e irascível Agente Smith, um programa de computador
que odeia os homens, mas é o único personagem com
emoções reconhecivelmente humanas. Feitas as contas,
é por ele, e pelo excelente trabalho do ator australiano
Hugo Weaving, que a série merece ser lembrada.
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