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Estilo
Para
pendurar e brilhar
As jóias do momento:
muitos
berloques, juntos ou separados

Bel
Moherdaui
Fotos Pedro Rubens
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| Pode
abusar: números, palavras e símbolos para usar em fitas, correntes
e até cordões de couro |
O
estilo bling-bling, deflagrado por rappers e divulgado por jogadores
de futebol e moças cheias de atitude, está chegando,
inevitavelmente diluído, aos pescoços e pulsos dos
consumidores comuns. A idéia básica é: se você
não tem fôlego financeiro para bancar as cascatas de
diamantes usadas pelas celebridades do gênero, pode se cobrir
de penduricalhos alternativos e conseguir o mesmo efeito, moderno
e atrevido, dos lançadores da tendência. Ao contrário
do exagero do estilo perua, em que dominavam o dourado, brincões
e anéis cheios de pedra, o abuso agora fica com as correntes
(várias e misturadas), pulseiras e berloques. Sim, os berloques,
que já foram sinônimos de jóias delicadas, quase
infantis, reaparecem maiores e em grande quantidade. Entre
os lançamentos estão as plaquinhas com palavras provocantes,
como "Sexy" e "Desire", letras ou números imensos e símbolos.
Quem quer ficar na moda mas não gosta de tanto exagero também
tem a opção de combinar um pingente chamativo com
uma correntinha mais discreta, um cordão de couro ou até
uma fita de cetim alternativas bem brasileiras. Além
de personalizar, barateia a produção, que, em casos
extremos, pode passar de 70.000 reais, como no caso da cobiçada
pulseira Louis Vuitton com seis pingentes.
Essa novidade, a preços menos salgados, dependendo do tamanho
e da quantidade de berloques (a plaquinha Sexy com cordão
custa 442 reais, os pingentes de números sem diamantes saem
por 150, o símbolo da paz com cordão de couro, 260
reais), ajuda a atrair um público menos acostumado a comprar
jóias. Também dá mais um impulso à indústria,
que vive um momento de retomada. "O segmento da classe A está
indo muito bem no Brasil, como vemos pela expansão de redes
internacionais no país. No geral, o mercado teve uma queda
de quase 10% no primeiro semestre, que estamos conseguindo recuperar
no segundo. Para isso, a indústria está se esforçando
para mostrar que a jóia nem sempre é cara. Pode custar
o valor de um vestido de festa, por exemplo, e a durabilidade e
o impacto são muito maiores", propagandeia Hécliton
Santini Henriques, presidente do Instituto Brasileiro de Gemas e
Metais Preciosos. A rede internacional que está expandindo
seus domínios por aqui é a Tiffany & Co., que
acaba de abrir sua segunda loja em São Paulo as únicas
da América do Sul. "Nesses dois anos e meio em que a marca
se instalou no país, ela ficou bem conhecida, superando muito
as expectativas", comemora Laura Pedroso, gerente geral da grife
no país. Outro termômetro da agitação
no mercado é o número de eventos promocionais. Na
semana passada, a Collection Jóias, de Fortaleza, trouxe
para sua loja paulista o bustiê-jóia da Chopard criado
para o filme Femme Fatale, avaliado em mais de 10 milhões
de dólares. A joalheira Carla Amorim lançou sua coleção
com uma festa para mais de 500 pessoas em São Paulo, outra
para 1.000 pessoas em Brasília, e vai repetir a comemoração
no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e Recife. "Crescemos pelo menos
50% em relação ao ano passado e decidimos comemorar",
diz a irmã e sócia Kelly Amorim. A ciranda de festividades
cria um inesperado ambiente de otimismo. "Em um momento de crise,
acho que as pessoas procuram um produto mais durável", especula
Roberto Stern, diretor de criação da H. Stern. "Desde
que comecei, o país estava em crise. E, apesar de todas elas,
cada vez menos as pessoas abrem mão do que as faz mais bonitas.
Nesses períodos, a jóia funciona como uma compensação,
um equilíbrio", filosofa Carla Amorim. Ou, simplesmente,
como um berloque a mais na coleção.
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