Edição 1827 . 5 de novembro de 2003

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Estilo
Para pendurar e brilhar

As jóias do momento: muitos
berloques, juntos ou separados


Bel Moherdaui

 
Fotos Pedro Rubens
Pode abusar: números, palavras e símbolos para usar em fitas, correntes e até cordões de couro

O estilo bling-bling, deflagrado por rappers e divulgado por jogadores de futebol e moças cheias de atitude, está chegando, inevitavelmente diluído, aos pescoços e pulsos dos consumidores comuns. A idéia básica é: se você não tem fôlego financeiro para bancar as cascatas de diamantes usadas pelas celebridades do gênero, pode se cobrir de penduricalhos alternativos e conseguir o mesmo efeito, moderno e atrevido, dos lançadores da tendência. Ao contrário do exagero do estilo perua, em que dominavam o dourado, brincões e anéis cheios de pedra, o abuso agora fica com as correntes (várias e misturadas), pulseiras e berloques. Sim, os berloques, que já foram sinônimos de jóias delicadas, quase infantis, reaparecem – maiores e em grande quantidade. Entre os lançamentos estão as plaquinhas com palavras provocantes, como "Sexy" e "Desire", letras ou números imensos e símbolos. Quem quer ficar na moda mas não gosta de tanto exagero também tem a opção de combinar um pingente chamativo com uma correntinha mais discreta, um cordão de couro ou até uma fita de cetim – alternativas bem brasileiras. Além de personalizar, barateia a produção, que, em casos extremos, pode passar de 70.000 reais, como no caso da cobiçada pulseira Louis Vuitton com seis pingentes.

Essa novidade, a preços menos salgados, dependendo do tamanho e da quantidade de berloques (a plaquinha Sexy com cordão custa 442 reais, os pingentes de números sem diamantes saem por 150, o símbolo da paz com cordão de couro, 260 reais), ajuda a atrair um público menos acostumado a comprar jóias. Também dá mais um impulso à indústria, que vive um momento de retomada. "O segmento da classe A está indo muito bem no Brasil, como vemos pela expansão de redes internacionais no país. No geral, o mercado teve uma queda de quase 10% no primeiro semestre, que estamos conseguindo recuperar no segundo. Para isso, a indústria está se esforçando para mostrar que a jóia nem sempre é cara. Pode custar o valor de um vestido de festa, por exemplo, e a durabilidade e o impacto são muito maiores", propagandeia Hécliton Santini Henriques, presidente do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos. A rede internacional que está expandindo seus domínios por aqui é a Tiffany & Co., que acaba de abrir sua segunda loja em São Paulo – as únicas da América do Sul. "Nesses dois anos e meio em que a marca se instalou no país, ela ficou bem conhecida, superando muito as expectativas", comemora Laura Pedroso, gerente geral da grife no país. Outro termômetro da agitação no mercado é o número de eventos promocionais. Na semana passada, a Collection Jóias, de Fortaleza, trouxe para sua loja paulista o bustiê-jóia da Chopard criado para o filme Femme Fatale, avaliado em mais de 10 milhões de dólares. A joalheira Carla Amorim lançou sua coleção com uma festa para mais de 500 pessoas em São Paulo, outra para 1.000 pessoas em Brasília, e vai repetir a comemoração no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e Recife. "Crescemos pelo menos 50% em relação ao ano passado e decidimos comemorar", diz a irmã e sócia Kelly Amorim. A ciranda de festividades cria um inesperado ambiente de otimismo. "Em um momento de crise, acho que as pessoas procuram um produto mais durável", especula Roberto Stern, diretor de criação da H. Stern. "Desde que comecei, o país estava em crise. E, apesar de todas elas, cada vez menos as pessoas abrem mão do que as faz mais bonitas. Nesses períodos, a jóia funciona como uma compensação, um equilíbrio", filosofa Carla Amorim. Ou, simplesmente, como um berloque a mais na coleção.

 
 
 
 
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