Edição 1827 . 5 de novembro de 2003

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Ginástica
Agora é malhar até cair

Programas de estilo militar ou usados
por atletas profissionais ganham
adeptos nas academias americanas


Joe Major
Kettlebells, o programa de levantamento de peso usado por halterofilistas da antiga União Soviética: músculos doloridos

A indústria da ginástica vive às voltas com um tremendo problema: como manter a clientela malhando. A maior dificuldade para quem freqüenta uma academia não é executar os exercícios físicos – mas manter a motivação depois da euforia inicial e suportar a rotina dos exercícios repetitivos. Nada menos que 35% dos alunos acabam desistindo antes de completar um ano de academia. A solução da indústria para o dilema é a invenção incessante de novos estilos e coreografias para os programas de ginástica. A aposta da hora em pelo menos 700 academias e entre os personal trainers dos Estados Unidos é a malhação radical. Trata-se de programas de ginástica pesadíssimos, que vão muito além das musiquinhas coreografadas para incentivar o aluno. Com o objetivo de levar o malhador ao limite, copiam o treinamento de estilo militar ou aquele usado por atletas profissionais.


David Russel
O personal trainer John Walston (de pé): aulas adaptadas dos treinos físicos da tropa de elite da Marinha, com direito a berros e castigos

Um exemplo é o programa oferecido em Nova York pelo personal trainer John Walston – ex-integrante da Seals, força especial da Marinha americana treinada à exaustão para missões atrás das linhas inimigas. Walston criou uma versão reduzida, com uma carga de exercícios equivalente a apenas 20% do treinamento no quartel – mas pesado o suficiente para esgotar o mais sarado dos malhadores. As aulas, de duas horas diárias, são feitas em parques, antes do amanhecer, durante duas semanas. Orientados aos berros, como se fossem soldados, os alunos rastejam pelo chão e são punidos com exercícios extras se não cumprirem as ordens do personal sargentão. Treinamentos de estilo militar foram adotados há tempos pelas academias. Mas nada se compara ao que Walston oferece. "Todo mundo sai tinindo, principalmente os que chegam fora de forma", disse Walston a VEJA. Segundo ele, o mérito de seu treinamento é que o aluno aprende a condicionar a mente a suportar os exercícios – além de fazê-lo viver, por duas semanas, na pele de um Rambo.

Existem outras opções para quem quer malhar até cair. Em Denver, no Estado do Colorado, uma rede de academias locais lançou o programa Malhação do Inferno. Consiste numa série de exercícios idênticos aos executados nos treinos pelos jogadores do Denver Broncos, um time de futebol americano. Outra novidade adaptada de treinamentos de atletas profissionais é o kettlebells – um programa de levantamento de peso que era muito usado pelos halterofilistas da antiga União Soviética. Os pesos, bolas de ferro com um cabo, têm o formato de uma chaleira. O segredo está no contrapeso que as bolas de ferro exercem durante os movimentos de deslocamento. Eles trabalham e fortalecem simultaneamente vários músculos e aceleram os batimentos cardíacos. O método dispensa os aparelhos convencionais de musculação. Ou seja, dá para fazer em casa – e desmaiar na cama de tanta dor muscular.

 
 
 
 
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