Edição 1827 . 5 de novembro de 2003

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Sociedade
Queridinhos do papai

Estudos revelam que filhos do sexo
masculino são mais protegidos nos EUA

A discriminação de filhas, um problema social sério em países da Ásia, do Oriente Médio e da África, pode ser uma tendência bem mais universal. Os pesquisadores Robert Dahl e Enrico Moretti, da Universidade da Califórnia, encontraram evidências de que as famílias têm preferência pelos filhos homens também nos Estados Unidos. Os meninos costumam ser mais favorecidos que as meninas nos lares americanos, embora isso não chegue a ser uma questão de direitos humanos, como acontece em outras partes do planeta. Dahl e Moretti estudaram o fenômeno na tentativa de explicar a origem do fosso aparente que ainda parece separar homens e mulheres adultos na vida corporativa americana, em especial no que diz respeito aos salários. Nos Estados Unidos, as mulheres no mesmo nível de colegas homens podem receber cerca de 25% menos.

A explicação de Dahl e Moretti é que isso é também resultado das desvantagens acumuladas pelas mulheres desde o nascimento. Para medir o grau de preferência por filhos homens, os pesquisadores examinaram a taxa de divórcio em famílias americanas que têm meninos e a compararam com a de famílias que têm filhas. Nos últimos sessenta anos, a ocorrência de divórcio em famílias que tinham apenas uma filha foi 6% superior àquela verificada em famílias com filhos homens. Quando o número aumenta para duas filhas, a probabilidade de separação dos pais sobe para 8%, chegando a 13% no caso de casais que têm quatro filhas.

O nascimento de meninos também pode ser traduzido em dólares. Um levantamento feito pela Universidade de Washington, em Seattle, mostra que os pais – especialmente o pai – gastam 600 dólares a mais por ano em habitação quando um dos filhos é homem. Eles também passam a trabalhar mais, o que é interpretado pelos pesquisadores como uma atitude de proteção extra ao filho homem. A jornada semanal aumenta em cerca de duas horas depois do nascimento do primeiro filho e em apenas uma hora depois da primeira filha. Além do impacto econômico, o pai gasta mais tempo brincando com o filho que com a filha e ainda é mais comum vê-lo em atividades como a troca de fraldas e a alimentação dos meninos, o que ocorre mais raramente quando se trata de filhas. A preferência por meninos pode ter um impacto muito maior no futuro. À medida que as técnicas de fertilização artificial evoluírem e se tornarem financeiramente mais acessíveis, será cada vez mais fácil para os casais escolher o sexo dos filhos. Nos Estados Unidos, alguns laboratórios de inseminação artificial oferecem essa opção, que não é considerada ilegal. Em países como a Coréia do Sul, o número de bebês homens cresceu 20% em relação ao de meninas como resultado do uso disseminado de técnicas de escolha de sexo.

 

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