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Sociedade
Queridinhos
do papai
Estudos
revelam que filhos do sexo
masculino são mais protegidos nos EUA
A discriminação
de filhas, um problema social sério em países da Ásia,
do Oriente Médio e da África, pode ser uma tendência
bem mais universal. Os pesquisadores Robert Dahl e Enrico Moretti,
da Universidade da Califórnia, encontraram evidências
de que as famílias têm preferência pelos filhos
homens também nos Estados Unidos. Os meninos costumam ser
mais favorecidos que as meninas nos lares americanos, embora isso
não chegue a ser uma questão de direitos humanos,
como acontece em outras partes do planeta. Dahl e Moretti estudaram
o fenômeno na tentativa de explicar a origem do fosso aparente
que ainda parece separar homens e mulheres adultos na vida corporativa
americana, em especial no que diz respeito aos salários.
Nos Estados Unidos, as mulheres no mesmo nível de colegas
homens podem receber cerca de 25% menos.
A
explicação de Dahl e Moretti é que isso é
também resultado das desvantagens acumuladas pelas mulheres
desde o nascimento. Para medir o grau de preferência por filhos
homens, os pesquisadores examinaram a taxa de divórcio em
famílias americanas que têm meninos e a compararam
com a de famílias que têm filhas. Nos últimos
sessenta anos, a ocorrência de divórcio em famílias
que tinham apenas uma filha foi 6% superior àquela verificada
em famílias com filhos homens. Quando o número aumenta
para duas filhas, a probabilidade de separação dos
pais sobe para 8%, chegando a 13% no caso de casais que têm
quatro filhas.
O
nascimento de meninos também pode ser traduzido em dólares.
Um levantamento feito pela Universidade de Washington, em Seattle,
mostra que os pais especialmente o pai gastam 600
dólares a mais por ano em habitação quando
um dos filhos é homem. Eles também passam a trabalhar
mais, o que é interpretado pelos pesquisadores como uma atitude
de proteção extra ao filho homem. A jornada semanal
aumenta em cerca de duas horas depois do nascimento do primeiro
filho e em apenas uma hora depois da primeira filha. Além
do impacto econômico, o pai gasta mais tempo brincando com
o filho que com a filha e ainda é mais comum vê-lo
em atividades como a troca de fraldas e a alimentação
dos meninos, o que ocorre mais raramente quando se trata de filhas.
A preferência por meninos pode ter um impacto muito maior
no futuro. À medida que as técnicas de fertilização
artificial evoluírem e se tornarem financeiramente mais acessíveis,
será cada vez mais fácil para os casais escolher o
sexo dos filhos. Nos Estados Unidos, alguns laboratórios
de inseminação artificial oferecem essa opção,
que não é considerada ilegal. Em países como
a Coréia do Sul, o número de bebês homens cresceu
20% em relação ao de meninas como resultado do uso
disseminado de técnicas de escolha de sexo.
Foto Photodisc
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