Edição 1827 . 5 de novembro de 2003

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Energia
Explosão nuclear

Alguns países ainda resistem,
mas há uma nova onda mundial
de construção de reatores


Diogo Schelp


Foto AFP
Temelin 2, na República Checa, aberta em 2002: o Leste Europeu tem 67 usinas


DOS ARQUIVOS DE VEJA
Enfim, a Angra 2 (19/1/2000)
Ficou caro demais (11/8/1999)
A explosão de Chernobyl (7/5/1986)
Angra (5/11/1986)
Em Dia: a tragédia de Chernobyl

Há apenas cinco anos parecia que a energia nuclear estava fadada ao desaparecimento. Desde os horrores do acidente de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, a opinião pública européia torcia o nariz às usinas. A crise financeira tinha levado vários países asiáticos a congelar a construção de novos reatores. O cenário mudou bastante. Dezesseis usinas nucleares foram inauguradas nos últimos três anos, elevando o total em operação para 443. Há pelo menos três motivos para essa retomada. Primeiro, trata-se de uma questão estratégica. Calcula-se que em 2020, exatamente quando a demanda mundial por eletricidade será 25% maior, a produção de petróleo entrará em declínio, esgotando-se em menos de um século. Por isso, é preciso investir em fontes alternativas, e a nuclear é, até o momento, a mais eficiente. O segundo motivo é a poluição. A geração de eletricidade por termelétricas é responsável pela emissão de 70% do total de dióxido de carbono, uma das causas do aquecimento global. Em comparação, as centrais nucleares produzem energia limpa.

Contra a energia nuclear contam os riscos de acidentes radioativos e a montanha de 250.000 toneladas anuais de lixo atômico que sobra do processo de geração da energia, para o qual ainda não se encontrou uma solução definitiva. É aí que entra o terceiro motivo: a tecnologia que envolve a indústria nuclear avançou muito nos últimos anos, e os futuros reatores de quarta geração prometem ser mais baratos, mais eficientes e mais seguros. "O tempo de construção de uma usina deverá cair de seis para três anos, e o custo de implantação deverá ser reduzido em mais de 30%", diz Antônio Carlos de Oliveira Barroso, pesquisador da Comissão Nacional de Energia Nuclear, que participa de um esforço internacional para finalizar em dez anos o projeto de um reator com essas características.

Vinte e duas das 33 centrais nucleares em construção ou projetadas estão na Ásia, a maioria na Índia e na China. Em 2002, depois de um vazamento, o Japão fechou temporariamente seus dezessete reatores. Mas não pôde abrir mão da fonte de quase metade da energia consumida em Tóquio, e já há mais três usinas a caminho. Na Europa, a resistência à expansão ainda é grande, sobretudo entre os ambientalistas. Inglaterra e Alemanha têm planos para fechar usinas. A dúvida é se isso será possível. No mês passado, um blecaute na Itália evidenciou o risco de uma crise energética. A França, com 80% da eletricidade proveniente de usinas nucleares, não descarta a construção de novos reatores. Os países do Leste Europeu já estão erguendo uma série de usinas. No balanço geral, a geração de energia nuclear na Europa deverá aumentar 20% nos próximos vinte anos. Também nos Estados Unidos, com 104 usinas, a maior indústria nuclear do mundo, existem planos para a construção de pelo menos mais seis reatores.

 

 
 
 
 
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