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Energia
Explosão
nuclear
Alguns
países ainda resistem,
mas há uma nova onda mundial
de construção de reatores

Diogo Schelp
Foto AFP
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| Temelin
2, na República Checa, aberta em 2002: o Leste Europeu tem 67
usinas |
Há
apenas cinco anos parecia que a energia nuclear estava fadada ao
desaparecimento. Desde os horrores do acidente de Chernobyl, na
Ucrânia, em 1986, a opinião pública européia
torcia o nariz às usinas. A crise financeira tinha levado
vários países asiáticos a congelar a construção
de novos reatores. O cenário mudou bastante. Dezesseis usinas
nucleares foram inauguradas nos últimos três anos,
elevando o total em operação para 443. Há pelo
menos três motivos para essa retomada. Primeiro, trata-se
de uma questão estratégica. Calcula-se que em 2020,
exatamente quando a demanda mundial por eletricidade será
25% maior, a produção de petróleo entrará
em declínio, esgotando-se em menos de um século. Por
isso, é preciso investir em fontes alternativas, e a nuclear
é, até o momento, a mais eficiente. O segundo motivo
é a poluição. A geração de eletricidade
por termelétricas é responsável pela emissão
de 70% do total de dióxido de carbono, uma das causas do
aquecimento global. Em comparação, as centrais nucleares
produzem energia limpa.
Contra
a energia nuclear contam os riscos de acidentes radioativos e a
montanha de 250.000 toneladas anuais
de lixo atômico que sobra do processo de geração
da energia, para o qual ainda não se encontrou uma solução
definitiva. É aí que entra o terceiro motivo: a tecnologia
que envolve a indústria nuclear avançou muito nos
últimos anos, e os futuros reatores de quarta geração
prometem ser mais baratos, mais eficientes e mais seguros. "O tempo
de construção de uma usina deverá cair de seis
para três anos, e o custo de implantação deverá
ser reduzido em mais de 30%", diz Antônio Carlos de Oliveira
Barroso, pesquisador da Comissão Nacional de Energia Nuclear,
que participa de um esforço internacional para finalizar
em dez anos o projeto de um reator com essas características.
Vinte
e duas das 33 centrais nucleares em construção ou
projetadas estão na Ásia, a maioria na Índia
e na China. Em 2002, depois de um vazamento, o Japão fechou
temporariamente seus dezessete reatores. Mas não pôde
abrir mão da fonte de quase metade da energia consumida em
Tóquio, e já há mais três usinas a caminho.
Na Europa, a resistência à expansão ainda é
grande, sobretudo entre os ambientalistas. Inglaterra e Alemanha
têm planos para fechar usinas. A dúvida é se
isso será possível. No mês passado, um blecaute
na Itália evidenciou o risco de uma crise energética.
A França, com 80% da eletricidade proveniente de usinas nucleares,
não descarta a construção de novos reatores.
Os países do Leste Europeu já estão erguendo
uma série de usinas. No balanço geral, a geração
de energia nuclear na Europa deverá aumentar 20% nos próximos
vinte anos. Também nos Estados Unidos, com 104 usinas, a
maior indústria nuclear do mundo, existem planos para a construção
de pelo menos mais seis reatores.
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