Edição 1827 . 5 de novembro de 2003

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Polícia
Pegaram mais um juiz

Ao final da megaoperação da Polícia Federal,
três
magistrados são denunciados por formação
de quadrilha


Sebastião Moreira/AE
O juiz Rocha Mattos: 500 000 dólares apreendidos na casa da ex-mulher


Depois de um ano e nove meses de investigações, 181 linhas telefônicas grampeadas e mais de 1 000 horas de gravações, a Polícia Federal informa ter desbaratado uma quadrilha, que atuava com base em São Paulo, especializada na manipulação de processos na Justiça, venda de sentenças a marginais, tráfico de influência, liberação de cargas ilegais e falsificação de documentos. O caso poderia se perder nas páginas de polícia não fosse o fato de os investigadores afirmarem aos jornalistas que entre os suspeitos está um juiz federal, cuja prisão preventiva já foi requerida. O juiz contra o qual pesa o pedido de prisão é João Carlos da Rocha Mattos. Além de ter sido denunciado por formação de quadrilha, Rocha Mattos poderá responder também por prevaricação, tráfico de influência e corrupção. Outras nove pessoas foram identificadas – e presas. Entre elas está a ex-mulher do juiz, Norma Cunha, na casa de quem a polícia encontrou 500.000 dólares e 100.000 euros. Dois outros juízes federais também foram acusados de formação de quadrilha, mas a prisão deles não foi solicitada. São os irmãos Ali e Casem Mazloum. Após analisar o conteúdo de conversas telefônicas mantidas pelos dois, os procuradores decidiram indiciar Ali por ameaça e abuso de poder e Casem por tráfico de influência, falsidade ideológica e interceptação ilegal de comunicação.


Eduardo Knapp/Folha Imagem
Sebastião Moreira/AE
Operação da PF: 181 linhas telefônicas grampeadas e 1 000 horas de gravações

João Carlos da Rocha Mattos já foi delegado federal, procurador da República e há vinte anos é o titular da 4ª Vara Criminal em São Paulo. A operação de prisão dos envolvidos realizada pela Polícia Federal, disparada na última quinta-feira, reuniu mais de 100 homens e durou apenas oito horas. Além do dinheiro, os policiais apreenderam motos, armas, uma caminhonete Pajero, computadores, agendas pessoais e extratos bancários. Os policiais descobriram ainda que Rocha Mattos mora de aluguel num apartamento, no bairro de Higienópolis, registrado em nome de uma empresa offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Com a documentação reunida, os agentes federais e os procuradores esperam identificar novos indícios contra os suspeitos. Os três juízes e os demais acusados disporão de quinze dias para apresentar defesa. Em entrevista à imprensa na semana passada, Rocha Mattos se disse vítima de uma armação. "Agora vou tirar uma licença. Preciso pensar na minha defesa, que não sei como vou fazer. Levaram muitos documentos da minha casa."

 
 
 
 
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