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Polícia
Pegaram
mais um juiz
Ao
final da megaoperação da
Polícia Federal,
três magistrados
são denunciados por
formação
de quadrilha
Sebastião Moreira/AE
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| O
juiz Rocha Mattos: 500 000 dólares apreendidos na casa da ex-mulher
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Depois de um ano e nove meses de investigações, 181
linhas telefônicas grampeadas e mais de 1 000 horas de gravações,
a Polícia Federal informa ter desbaratado uma quadrilha,
que atuava com base em São Paulo, especializada na manipulação
de processos na Justiça, venda de sentenças a marginais,
tráfico de influência, liberação de cargas
ilegais e falsificação de documentos. O caso poderia
se perder nas páginas de polícia não fosse
o fato de os investigadores afirmarem aos jornalistas que entre
os suspeitos está um juiz federal, cuja prisão preventiva
já foi requerida. O juiz contra o qual pesa o pedido de prisão
é João Carlos da Rocha Mattos. Além de ter
sido denunciado por formação de quadrilha, Rocha Mattos
poderá responder também por prevaricação,
tráfico de influência e corrupção. Outras
nove pessoas foram identificadas e presas. Entre elas está
a ex-mulher do juiz, Norma Cunha, na casa de quem a polícia
encontrou 500.000 dólares e 100.000
euros. Dois outros juízes federais também foram acusados
de formação de quadrilha, mas a prisão deles
não foi solicitada. São os irmãos Ali e Casem
Mazloum. Após analisar o conteúdo de conversas telefônicas
mantidas pelos dois, os procuradores decidiram indiciar Ali por
ameaça e abuso de poder e Casem por tráfico de influência,
falsidade ideológica e interceptação ilegal
de comunicação.
Eduardo Knapp/Folha Imagem
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Sebastião Moreira/AE
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| Operação
da PF: 181 linhas telefônicas grampeadas e 1 000 horas de gravações
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João
Carlos da Rocha Mattos já foi delegado federal, procurador
da República e há vinte anos é o titular da
4ª Vara Criminal em São Paulo. A operação
de prisão dos envolvidos realizada pela Polícia Federal,
disparada na última quinta-feira, reuniu mais de 100 homens
e durou apenas oito horas. Além do dinheiro, os policiais
apreenderam motos, armas, uma caminhonete Pajero, computadores,
agendas pessoais e extratos bancários. Os policiais descobriram
ainda que Rocha Mattos mora de aluguel num apartamento, no bairro
de Higienópolis, registrado em nome de uma empresa offshore
sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Com a documentação
reunida, os agentes federais e os procuradores esperam identificar
novos indícios contra os suspeitos. Os três juízes
e os demais acusados disporão de quinze dias para apresentar
defesa. Em entrevista à imprensa na semana passada, Rocha
Mattos se disse vítima de uma armação. "Agora
vou tirar uma licença. Preciso pensar na minha defesa, que
não sei como vou fazer. Levaram muitos documentos da minha
casa."
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