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Eleições
O soldado solitário
Bargas
nega ter sido o "elo" entre o bunker
e a campanha de Lula. Dos cinco envolvidos
no caso, foi o único a fazê-lo

Policarpo
Junior
Ed Ferreira/AE
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| Bargas,
hábil negociador, quis convencer outros soldados a desmentir
toda a história |
Osvaldo Martinês Bargas tem 52 anos e fez carreira no mundo
sindical. Fundador da Central Única dos Trabalhadores (CUT),
a entidade criada há duas décadas, Bargas é
considerado um sindicalista hábil e competente. Em 1989,
quando três engenheiros da Petrobras foram seqüestrados
por guerrilheiros do Exército de Libertação
Nacional (ELN) nas selvas colombianas, Bargas, que então
trabalhava na área internacional da CUT, foi acionado para
participar das negociações e, um mês
e meio depois, os três engenheiros estavam livres. Na semana
passada, Osvaldo Bargas, que ocupa o posto de secretário
de Relações Trabalhistas do Ministério do Trabalho,
voltou a usar sua habilidade de bom negociador, depois que uma reportagem
de VEJA descreveu como operavam cinco dos integrantes de um bunker
secreto da campanha do candidato a presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Na estrutura do bunker, que se encarregou de erguer
um muro de proteção em torno de Lula e uma barricada
de ataque contra os adversários, Bargas era o elo. Como o
bunker não tinha laço oficial com a campanha eleitoral,
Bargas fazia a comunicação entre um e outro, debulhando
as informações mais relevantes.
Assim
que a notícia veio a público, Bargas debruçou-se
ao telefone. Ligou para o sindicalista Carlos Alberto Grana, integrante
da cúpula da CUT. No bunker petista, Grana era o responsável
pela logística, providenciando dinheiro, carro, telefone
e passagens para os soldados. No telefonema, Bargas queria que Grana
viesse a público negar tudo que tivesse existido um
bunker secreto e que ele próprio teria atuado nele. Fez a
mesma proposta ao advogado João Roberto Egydio Piza Fontes,
velho amigo de Lula e advogado pessoal do presidente, que trabalhou
como coordenador do grupo. Apesar de seu reconhecido talento, Bargas
não conseguiu convencer seus interlocutores a desmentir a
reportagem e, até sexta-feira passada, nem Grana nem
Piza haviam se manifestado sobre o assunto. Solitário em
sua empreitada, Bargas lançou uma nota na quarta-feira. Dizia
que não integrou a campanha de Lula, mas a do senador Aloizio
Mercadante, e especulou que a matéria pretendia semear discórdia
no movimento sindical para romper a aliança inédita
entre CUT e Força Sindical...!
Mario Rodrigues
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Heloisa Bortz
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Dida Sampaio/AE
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"Não
tem pé nem cabeça."
Genoíno, presidente do PT |
"Nunca
houve, com certeza."
Bastos, ministro da Justiça |
"Não
tem fundamentação."
Aloizio Mercadante, senador |
Dos
cinco envolvidos no caso, Bargas foi o único a produzir um
desmentido. O ministro Ricardo Berzoini, da Previdência Social,
que orientava politicamente a atuação do bunker, não
disse palavra a respeito do assunto. Outro integrante do grupo,
Wagner Cinchetto, que operou com empenho para dinamitar a candidatura
de Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que então concorria
a vice na chapa de Ciro Gomes, também não fez comentário.
O curioso é que, ao lado dos desmentidos de Bargas, houve
uma série de outros mas só de petistas que
não tiveram envolvimento com o bunker nem sequer foram mencionados
no caso. O presidente do PT, José Genoíno, por exemplo,
passou a semana dizendo que a história publicada era "fantasiosa"
e não tinha "nem pé nem cabeça", embora ressalvasse
não ter integrado a campanha de Lula, pois estava empenhado
na própria eleição ao governo paulista. Outros
que se sentiram na obrigação de desmentir foram o
senador Aloizio Mercadante e o ministro da Justiça, Márcio
Thomaz Bastos, que garantiu que "nunca houve, com certeza", uma
tropa de choque.
Osvaldo
Bargas é um homem de confiança da república
petista. Ele é casado com Mônica Zerbinato, que vem
a ser secretária do presidente Lula no Palácio do
Planalto, um cargo que também exige boa dose de confiança.
Na campanha presidencial, Bargas esteve em várias reuniões
do bunker em São Paulo, onde a tropa se reunia quase diariamente.
Bargas dava palpites e fazia avaliações sobre o andamento
da campanha. Sua participação foi tão ativa
que, certa vez, quando o grupo conseguiu reunir e finalmente divulgar
uma série de denúncias que abalaram as estacas da
candidatura de Paulinho, Bargas fez uma vibrante comemoração.
Chegou a sugerir recompensar Wagner Cinchetto, o artesão
das denúncias contra Paulinho, com um bônus de 8.000
reais pelos bons serviços prestados, pagos dias depois. O
grupo ainda fez uma aposta: ganharia um carro zero-quilômetro
quem acertasse o dia da renúncia de Paulinho. Como se sabe,
ninguém ganhou a aposta, pois nunca houve renúncia.
Consultado sobre mais esse episódio, Cinchetto preferiu resguardar-se.
"Não quero falar mais nada sobre esse assunto", disse.
Na
semana passada, ao silêncio dos envolvidos opôs-se a
gritaria das vítimas. Paulinho, presidente da Força
Sindical, ao saber que fora alvo dos disparos da tropa petista,
esperneou feito suíno no abate. Dizendo-se indignado com
as revelações, afastou-se do Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social do governo, coordenado pelo ministro Tarso
Genro, e disse que só volta a trabalhar no Fórum Nacional
do Trabalho, que discute os termos da reforma trabalhista, quando
Osvaldo Bargas deixar de coordená-lo. Além disso,
suspendeu temporariamente a aliança que sua Força
Sindical selara com a CUT para unificar a campanha salarial de algumas
categorias. Chama atenção a estrepitosa confusão
que Paulinho estabelece entre uma coisa, sua vida político-partidária,
e outra, seu papel como dirigente de uma central sindical. Paulinho
foi atingido pela tropa petista como candidato a vice de Ciro Gomes,
mas, em retaliação, retira a Força Sindical
de debates e campanhas salariais, como se fosse dono da central
sindical.
Seu
barulho insistente, porém, resulta, ele próprio, de
mais uma confusão: o sindicalista quer ser candidato a prefeito
de São Paulo e, tal como um bom surfista, aproveita a onda
das denúncias para se alçar às manchetes. O
próprio PT, quando na oposição, celebrizou-se
por atuar com verve imensa quando se tratava de atacar os adversários.
Na semana passada, os petistas sentiram o impacto do bumerangue.
No Congresso Nacional, os líderes do PSDB e do PFL esfregam
as mãos de entusiasmo diante do caso e já propuseram
até a criação de uma CPI para investigar o
assunto tal e qual o PT fazia diante de qualquer denúncia
envolvendo adversários políticos.
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