Edição 1925 . 5 de outubro de 2005

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Fotos divulgação
Robôs: animação que é ainda melhor sem dublagem


Robôs
(Robots,
Estados Unidos, 2005. Fox) – Feito por seus pais com peças de segunda mão, o jovem robô Rodney se muda para a cidade grande a fim de realizar sua ambição de se tornar um grande inventor – mas descobre que "nasceu" tarde demais e que todos os seus caminham para uma terrível padronização. Esse desenho encantador, co-dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha, é um exemplo de equilíbrio entre roteiro, personagens e animação. Nos vários extras, o disco traz um trailer de A Era do Gelo II, que terá Saldanha como titular na direção. E não custa insistir: a versão dublada é boa, mas a original, com as vozes de Ewan McGregor e Robin Williams, é um arraso.
Veja cenas.

Através: um ótimo Bergman

Através de um Espelho (Sasom i en Spegel, Suécia, 1961. Versátil) – Um verão idílico numa ilha remota se transforma quando a jovem Karin (Harriet Andersson) sucumbe a mais um surto psicótico. Seu marido (Max von Sydow, sempre espetacular), seu pai e seu irmão mais novo não se descobrem apenas impotentes para ajudá-la. Os três homens são, na verdade, aspectos diversos dos fantasmas religiosos e edipianos que assombram Karin e deflagram sua crise. Parte de uma trilogia inspirada em peças de câmara (aqui, uma suíte de Bach para violoncelo), Através de um Espelho é magnificamente composto por Ingmar Bergman e seu diretor de fotografia, Sven Nykvist, como um estudo sobre o tumulto e a aridez das emoções humanas.

 

LIVROS

O Clube Dante, de Matthew Pearl (tradução de Tony Rodrigues; Francis; 408 páginas; 39,90 reais) – Em 1865, em Boston, um grupo de escritores e eruditos se reuniu num clube para estudar a obra do poeta Dante Alighieri, o criador da Divina Comédia. Centrado na figura do poeta H.D. Longfellow – o primeiro a traduzir a Comédia nos Estados Unidos –, o clube enfrentou o provincianismo do meio literário americano da época, que via o italiano Dante como uma mera excentricidade católica. Em seu livro de estréia, Matthew Pearl utiliza esse cenário histórico para montar um enredo policial: os membros do clube têm de investigar uma série de assassinatos que encenam os suplícios descritos no Inferno de Dante.

O Funeral de Chopin, de Benita Eisler (tradução de Ana Olga de Barros Barreto; Planeta; 264 páginas; 37,50 reais) – Um dos mais importantes compositores do romantismo, o pianista Frédéric Chopin (1810-1849) deixou sua Polônia natal aos 21 anos, para conquistar os círculos artísticos de Paris, onde morreria menos de vinte anos depois, de tuberculose. Esse ensaio biográfico concentra-se nos anos finais de Chopin – e examina sua tempestuosa relação com a escritora francesa George Sand. Conhecida pelos trajes masculinos que usava, a contestadora Sand parecia o oposto do retraído Chopin. O livro mostra que essa união não foi um equívoco: algumas das melhores obras dos dois foram criadas quando estavam juntos. Leia trecho.

O Sonho Mais Doce, de Doris Lessing (tradução de Beth Vieira; Companhia das Letras; 448 páginas; 56,50 reais) – Com dois livros de memórias, a escritora britânica Doris Lessing, de 85 anos, decidiu que não iria escrever um terceiro, para não ferir "pessoas vulneráveis". Ela preferiu examinar os anos 60, 70 e 80 nesse romance desiludido. A história começa em Londres, onde o comunista John acalenta sonhos grandiosos de solidariedade universal – mas esquece de pagar a pensão alimentícia dos próprios filhos. As ilusões do feminismo, do movimento antinuclear e até das organizações humanitárias também são devastadas nessa obra, que se encerra numa miserável república africana no tempo em que a epidemia da aids está começando. Leia trecho.

 

DISCOS

Choros & Alegria, Moacir Santos (Biscoito Fino) – Nos últimos tempos, a obra do maestro e compositor pernambucano de 80 anos tem passado por um processo de recuperação. Em 2001, um time de instrumentistas recriou suas canções mais emblemáticas no álbum duplo Ouro Negro. No ano passado, foi relançado Coisas, disco de 1965 que marcou a estréia de Santos – e uma obra fundamental da música instrumental brasileira. Choros & Alegria recupera temas que Santos compôs entre 1946 e 1991. Muitos deles nem sequer haviam sido gravados. É o caso da valsa Paraíso. Outro ponto alto é a participação do trompetista americano Wynton Marsalis (que já havia incluído músicas de Moacir em seu repertório). Ele sola na faixa Rota Infinita.

 

Sons: barulhinho escocês

 

The Repulsion Box, Sons and Daughters (Trama) – A Escócia é berço de bandas extremamente bem-comportadas, como o Belle & Sebastian e o Franz Ferdinand. O Sons and Daughters é uma barulhenta exceção. As influências do quarteto variam do folk e do blues ao rock alternativo americano do início dos anos 90. Em quatro anos de existência, o Sons and Daughters chamou a atenção de gente graúda como o roqueiro australiano Nick Cave. Um dos trunfos do grupo são os vocais divididos entre Adele Bethel e Scott Paterson, que vão da agressividade à doçura. Primeiro álbum do grupo, The Repulsion Box é um disco para ser ouvido a todo o volume.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.

 
 
 
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