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Tales
Alvarenga Erramos, senador "Pelo
que se vê, senador Bornhausen, a raça das formiguinhas socialistas
não debandará. Continuará por aí, esfregando ansiosamente
suas patinhas, à espera do Grande Dia"
Ao analisar o tamanho da roubalheira do PT, o senador Jorge Bornhausen achou que
haveria uma vantagem na degringolada do partido de Lula. "Vamos ficar livres dessa
raça por uns trinta anos", disse Bornhausen. O senador subestimou a família
petista. Eu também. Na semana passada, o presidente Lula ressurgiu das
cinzas, comprando apoios junto aos partidos do mensalão para eleger o deputado
Aldo Rebelo (PCdoB) presidente da Câmara. Lula ofereceu em troca desses
votos a liberação de verbas (dinheiro público) e a doação
de cargos (patrimônio público). A interferência do Executivo
no Congresso é inconstitucional e indecente. Mas funcionou.
Depois de quatro meses de revelações a respeito de propinas na Câmara,
Lula não se constrangeu em aplicar o mesmo expediente para colocar no comando
da Casa um subordinado, em condições de dificultar a tramitação
de um eventual pedido de impeachment contra ele. Aldo Rebelo foi seu ministro
da Coordenação Política. Os acusados de envolvimento com
o mensalão uivaram de alegria e levantaram as mãos para o céu
quando a vitória de Aldo foi anunciada. Entre eles estava José Dirceu,
que tratava Aldo como subalterno quando ambos eram ministros. Mesmo assim, o obsequioso
Aldo Rebelo prestou depoimento no Conselho de Ética da Câmara contra
a cassação do mandato do ex-desafeto.
Onde fica a parte ética do PT em tudo isso? O formigueiro petista foi infestado
por uma multidão de cupins ladrões, mas as honestas formiguinhas
socialistas não ficaram muito impressionadas. O PT tem uma ética
seletiva, na qual a roubalheira é um detalhe irrelevante na grande caminhada
em direção ao socialismo. Chegar ao fim dessa caminhada nisso
é que está a coluna vertebral da ética petista.
Mais de mil petistas estão se bandeando para um formigueiro vizinho, até
agora sem nenhum cupim para atrapalhar a fantasia de pureza da colônia.
O novo endereço é o do PSOL, Partido Socialismo e Liberdade, da
senadora Heloísa Helena. Na semana passada mudaram-se para o PSOL medalhões
do PT como Chico Alencar e Plínio de Arruda Sampaio. Terá sido um
ataque de sensibilidade ética que os levou ao novo partido?
Nada disso. O PSOL é a reedição, sem tirar nem pôr,
do antigo PT. Para os militantes do PSOL, a ética dominante é também
aquela que sustenta a caminhada para o socialismo. Os trânsfugas do PT para
o PSOL se queixam de que a cúpula do partido de Lula cometeu a insensatez
de se dobrar aos princípios da economia capitalista. Os comandantes do
PT aceitaram "a receita neoliberal de estabilidade do mercado a qualquer custo",
acusa Plínio de Arruda Sampaio, um dos que se mudaram para o PSOL.
Plínio ainda não perdeu a esperança de ter os petistas de
novo a seu lado, no futuro, desde que mudem de orientação. "A revolução
brasileira não será feita por um partido socialista só, mas
vários", garante o velho militante. Pelo que se vê, senador Jorge
Bornhausen, a raça das formiguinhas socialistas não debandará.
Na sua utopia anacrônica, as formigas falarão com as paredes. Mas
continuarão por aí, esfregando ansiosamente suas patinhas, à
espera do Grande Dia. |