Edição 1925 . 5 de outubro de 2005

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Música
Antes só...

O cantor Nando Reis comprova: não
há nada melhor do que ser um ex-Titã


Sérgio Martins

 
Paulo Vitale
Divulgação
Nando: ele ficou mais popular do que a antiga banda – agora, abalada também pela carreira de ator de Miklos (à dir.)

Em 2002, quando o cantor e compositor Nando Reis deixou os Titãs, seus companheiros sentiram-se aliviados. "Nos livramos de um péssimo cantor", comemorou um dos líderes do grupo, depois do final conturbado de uma convivência de vinte anos. Ele podia até ter razão – mas teve de dobrar a língua. Hoje em dia, Nando goza de maior popularidade do que os Titãs. Lançado no ano passado, Nando Reis & os Infernais – MTV ao Vivo, seu CD mais recente, vendeu 100.000 cópias e teve vários sucessos nas rádios. Os Titãs, por seu turno, lutam pela sobrevivência com um disco ao vivo fraquinho, que chegou às lojas na semana passada, e seus remanescentes mostram-se mais interessados em projetos extramusicais (há duas semanas, o cantor Paulo Miklos enfureceu os colegas ao adiar a entrevista de lançamento do CD por causa das gravações da novela Bang Bang, na qual interpreta um pistoleiro). Nando não se destaca apenas com seus discos: ele se tornou um fazedor de hits para terceiros. De Marisa Monte a Cássia Eller, do Skank ao Jota Quest, é expressivo o número de artistas que emplacaram composições dele nas paradas. Já faz três anos que Nando figura entre os dez maiores arrecadadores de direitos autorais no Brasil. Nesta semana, saem em disco mais duas colaborações do artista: ele é co-autor de Pétalas, faixa do novo CD dos Paralamas do Sucesso, e de Não Dá, do Jota Quest. A última de Nando: ele acaba de escrever uma canção em parceria com o romântico-brega Wando. "Saí dos Titãs porque queria ser mais eu. Acho que estou conseguindo", diz.

Nando sempre foi o patinho feio dos Titãs. Tímido e desafinado, ficava perdido em meio aos gestos robóticos de Arnaldo Antunes e à gritaria dos vocalistas Paulo Miklos e Branco Mello. Suas músicas eram pouco aproveitadas. Os primeiros passos em direção à carreira-solo se deram em 1991, quando a cantora Marisa Monte gravou quatro músicas suas. Seu primeiro disco-solo, 12 de Janeiro, de 1995, teve pouca repercussão, mas o ajudou a perder a vergonha de soar esganiçado. "Ao ouvir um disco de Neil Young, percebi que ele não tinha medo de desafinar. Fiquei mais confiante", diz. A guinada na carreira começou em 1999, quando a roqueira Cássia Eller, então em alta, gravou várias músicas suas. "Nunca amei ninguém como amei Cássia", diz ele (até onde se sabe, a paixão foi só platônica). Mas Nando alcançou o triunfo comercial apenas quando, já fora dos Titãs, lançou seu disco ao vivo.

Se há algo que marca as letras de Nando (inclusive seus hits na antiga banda, como Marvin), é a banalidade. Ele não insiste (ainda bem) no estilo radical de classe média dos Titãs. Seja num rock ou numa balada romântica, seus versos são anódinos e de fácil deglutição. Um bom exemplo é Do Seu Lado, faixa que tocou à exaustão em versões do Jota Quest e do próprio Nando. Diz a letra: "Eu hoje mesmo quase não lembro que já estive sozinho / Que um dia eu seria seu marido, seu príncipe encantado / Ter filhos, nosso apartamento, fim de semana no sítio / Ir ao cinema todo domingo só com você do meu lado". É puro lugar-comum – mas funciona.

A parceria com Marisa Monte, decisiva para Nando conquistar a aura de compositor "de qualidade", foi além do campo musical. Ambos namoraram durante as gravações de um dos discos da cantora, Cor de Rosa e Carvão, mas a relação foi por água abaixo depois do lançamento. Em seguida, ele se reconciliou com sua ex, a psicóloga Vânia Reis, com quem tem quatro filhos. O casamento, no entanto, não durou muito. Nando, de 42 anos, atualmente namora uma executiva da MTV. Reatar com os Titãs não está em seus planos. "Saí porque já não tinha a ver. Andava meio desleixado", diz. É puro lugar-comum – mas funciona.

 
 
 
 
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