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Música Antes
só... O cantor Nando Reis comprova:
não há nada melhor do que ser um ex-Titã  Sérgio
Martins
Paulo
Vitale
 | Divulgação
 | | Nando:
ele ficou mais popular do que a antiga banda agora, abalada também
pela carreira de ator de Miklos (à dir.) |
Em 2002, quando o cantor e compositor Nando
Reis deixou os Titãs, seus companheiros sentiram-se aliviados. "Nos livramos
de um péssimo cantor", comemorou um dos líderes do grupo, depois
do final conturbado de uma convivência de vinte anos. Ele podia até
ter razão mas teve de dobrar a língua. Hoje em dia, Nando
goza de maior popularidade do que os Titãs. Lançado no ano passado,
Nando Reis & os Infernais MTV ao Vivo, seu CD mais recente,
vendeu 100.000 cópias e teve vários sucessos nas rádios.
Os Titãs, por seu turno, lutam pela sobrevivência com um disco ao
vivo fraquinho, que chegou às lojas na semana passada, e seus remanescentes
mostram-se mais interessados em projetos extramusicais (há duas semanas,
o cantor Paulo Miklos enfureceu os colegas ao adiar a entrevista de lançamento
do CD por causa das gravações da novela Bang Bang, na qual
interpreta um pistoleiro). Nando não se destaca apenas com seus discos:
ele se tornou um fazedor de hits para terceiros. De Marisa Monte a Cássia
Eller, do Skank ao Jota Quest, é expressivo o número de artistas
que emplacaram composições dele nas paradas. Já faz três
anos que Nando figura entre os dez maiores arrecadadores de direitos autorais
no Brasil. Nesta semana, saem em disco mais duas colaborações do
artista: ele é co-autor de Pétalas, faixa do novo CD dos
Paralamas do Sucesso, e de Não Dá, do Jota Quest. A última
de Nando: ele acaba de escrever uma canção em parceria com o romântico-brega
Wando. "Saí dos Titãs porque queria ser mais eu. Acho que estou
conseguindo", diz. Nando sempre foi
o patinho feio dos Titãs. Tímido e desafinado, ficava perdido em
meio aos gestos robóticos de Arnaldo Antunes e à gritaria dos vocalistas
Paulo Miklos e Branco Mello. Suas músicas eram pouco aproveitadas. Os primeiros
passos em direção à carreira-solo se deram em 1991, quando
a cantora Marisa Monte gravou quatro músicas suas. Seu primeiro disco-solo,
12 de Janeiro, de 1995, teve pouca repercussão, mas o ajudou a perder
a vergonha de soar esganiçado. "Ao ouvir um disco de Neil Young, percebi
que ele não tinha medo de desafinar. Fiquei mais confiante", diz. A guinada
na carreira começou em 1999, quando a roqueira Cássia Eller, então
em alta, gravou várias músicas suas. "Nunca amei ninguém
como amei Cássia", diz ele (até onde se sabe, a paixão foi
só platônica). Mas Nando alcançou o triunfo comercial apenas
quando, já fora dos Titãs, lançou seu disco ao vivo.
Se há algo que marca as letras de Nando (inclusive seus hits na antiga
banda, como Marvin), é a banalidade. Ele não insiste (ainda
bem) no estilo radical de classe média dos Titãs. Seja num rock
ou numa balada romântica, seus versos são anódinos e de fácil
deglutição. Um bom exemplo é Do Seu Lado, faixa que
tocou à exaustão em versões do Jota Quest e do próprio
Nando. Diz a letra: "Eu hoje mesmo quase não lembro que já estive
sozinho / Que um dia eu seria seu marido, seu príncipe encantado / Ter
filhos, nosso apartamento, fim de semana no sítio / Ir ao cinema todo domingo
só com você do meu lado". É puro lugar-comum mas funciona.
A parceria com Marisa Monte, decisiva
para Nando conquistar a aura de compositor "de qualidade", foi além do
campo musical. Ambos namoraram durante as gravações de um dos discos
da cantora, Cor de Rosa e Carvão, mas a relação foi
por água abaixo depois do lançamento. Em seguida, ele se reconciliou
com sua ex, a psicóloga Vânia Reis, com quem tem quatro filhos. O
casamento, no entanto, não durou muito. Nando, de 42 anos, atualmente namora
uma executiva da MTV. Reatar com os Titãs não está em seus
planos. "Saí porque já não tinha a ver. Andava meio desleixado",
diz. É puro lugar-comum mas funciona. |