Edição 1925 . 5 de outubro de 2005

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Moda
Fofos e fashion

Grandes grifes atacam no ponto mais
fraco do coração materno, criando
roupas infantis de gritar de paixão

 
Fotos Lailson Santos
Os bebês mais chiques do mundo: do macacão Dior às sapatilhas douradas, passando pela camiseta de roqueiro, pelo conjunto chinês, pela criança-oncinha...

Existem dois tipos de mãe: as que fazem tudo por seus filhos e as que fazem tudo e, em tendo a oportunidade, ainda cometem atos de loucura, como comprar sapatinhos Baby Dior (328 reais) ou um irresistível casaquinho de forro xadrez da grife inglesa Burberry (890 reais). Criança perde roupa muito depressa, todo mundo sabe. No primeiro ano de vida, o peso de um bebê triplica e, dependendo da fase, a obsolescência é questão de semanas. Mas desde quando isso é desculpa para não transformar seu filhote numa adorável, embora falsa, oncinha (792 reais o macacão da rede de lojas de origem francesa Tartine et Chocolat, na foto ao lado)? Tudo muito convencional? Pois marcas nacionais como a Baby Basics fazem da menina uma chinesinha de enlouquecer vovós (336 reais, na foto abaixo) ou do fofucho um descolado protótipo de roqueiro – a camiseta da Miniature sai por meros 90 reais. E ao vestidinho de crochê, quem resiste? Ou às sapatilhas douradas? Ou ao camisão com a moderna estampa tie dye?

É provável que a mesma programação genética que leva seres humanos, em especial do sexo feminino, a gritar de paixão diante da comovente beleza dos bebês também desative as áreas do cérebro responsáveis por decisões financeiras racionais quando se trata de roupinhas de criança. O resto ficou por conta do mercado mesmo. Divisando um segmento ainda inexplorado, grifes importantes estão caprichando no figurino para os pequeninos – a preços de gente grande. As coleções se renovam a cada seis meses e seguem as principais tendências da moda. O último a aderir foi o americano Marc Jacobs, criador dos figurinos da Louis Vuitton e de sua própria marca, que acaba de assinar uma nova linha para crianças de 2 a 7 anos. São apenas quatro peças – três casaquinhos e uma calça – de malha térmica (aquela que parece furadinha); quem quiser levar a coleção inteira vai desembolsar 1.210 dólares (cerca de 2.600 reais). "Tem consumidor para tudo", diz Jacobs, resumindo uma das mais conhecidas realidades da vida.

A Little Marc não tem previsão para chegar ao Brasil. A Burberry, no entanto, neste ano passou a vender aqui boa parte de sua coleção infantil (além do casaco mencionado, o jeans com barrado xadrez sai por 525 reais). A marca está presente na Daslu, o conglomerado de luxo de São Paulo, que tem uma seção inteira destinada a bebês – justamente a de crescimento mais acelerado: as vendas deste ano triplicaram em relação a 2004. São etiquetas como Gucci, Cacharel, Dolce&Gabbana e Baby Dior, esta com planos de abrir uma loja de rua em São Paulo inteiramente dedicada aos microconsumidores. Numa escala de preços menos alucinada, mas ainda salgada, considerando-se que é uma rede popular nos Estados Unidos, a Baby Gap atende ao anseio maternal por versões infantis das roupas de gente grande, dentro do estilo descontraído da marca. Neste mês, o espaço dedicado à linha infantil da Gap na Daslu vai dobrar, acrescido da coleção para recém-nascidos. É cada vez mais fácil manter o bebê na moda. E caro também, mas tente dizer isso a uma mãe em estado de transe.

 
 
 
 
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