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Saúde O
inimigo está no ar Tosse, espirra,
assoa é o executivo brasileiro perdendo a luta contra os
ácaros e os germes  Anna
Paula Buchalla
Na lista de problemas de saúde
que mais afetam os executivos brasileiros, as alergias ganharam um peso considerável
nos últimos anos principalmente a rinite alérgica. É
o que mostra um levantamento feito pela Omint, uma administradora de planos médicos
de alto padrão, com 2.120 profissionais de grandes empresas. Vinte e oito
por cento dos entrevistados relataram sofrer com crises de espirro, coceira no
nariz, coriza e obstrução nasal os sintomas mais freqüentes
da rinite. Em segundo lugar no ranking aparecem as alergias de pele, relatadas
por 21% dos executivos. Esse cenário é conseqüência direta
da falta de qualidade ambiental na maioria dos escritórios. A falha mais
comum está nos sistemas de ar-condicionado, que apresentam um alto de grau
de contaminação por germes e proporcionam, assim, o surgimento
de uma série de distúrbios. O fenômeno atingiu tal dimensão
que a Organização Mundial de Saúde o catalogou sob o nome
de "síndrome dos edifícios doentes". "A
manutenção inadequada do ar-condicionado tem levado a um aumento
preocupante nos quadros de alergias", diz o médico Fábio Morato
Castro, do serviço de alergia e imunologia do Hospital das Clínicas
de São Paulo. "Nos ambulatórios de algumas empresas, 60% das consultas
são de funcionários vítimas de rinite." Microorganismos dispersos
no ar (ácaros, especialmente) têm sua transmissão facilitada
pela aglomeração de pessoas e pela quantidade de horas que se passa
em um local fechado. Se inexiste uma boa renovação de ar, o quadro
tende a piorar, evidentemente. Calcula-se que, nos grandes centros urbanos, uma
pessoa passa 92% de seu dia confinada. Exposta, portanto, a toda sorte de porcarias
inaláveis. Uma outra pesquisa,
conduzida pela CPH Health Solutions, consultoria especializada em saúde
corporativa, com 21.000 executivos brasileiros, aponta que nos últimos
cinco anos aumentou também o número de queixas referentes a crises
de ansiedade e depressão, obesidade e colesterol alto (veja
quadro). A boa notícia é que, desde que as grandes empresas
passaram a oferecer programas que visam a melhorar a qualidade de vida de seus
funcionários, se está conseguindo vencer três inimigos: o
cigarro, o sedentarismo e a má alimentação. O avanço
é tímido, mas sinaliza uma tendência positiva. O destaque
fica para a redução de 14% nos índices de tabagismo entre
os executivos brasileiros. O mérito, aqui, é tanto das campanhas
de esclarecimento contra o cigarro como da política de restrição
ao fumo no trabalho. |