Edição 1925 . 5 de outubro de 2005

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Saúde
O inimigo está no ar

Tosse, espirra, assoa – é o executivo
brasileiro perdendo a luta contra os
ácaros e os germes


Anna Paula Buchalla

NESTA REPORTAGEM
Quadro: A saúde dos executivos brasileiros

Na lista de problemas de saúde que mais afetam os executivos brasileiros, as alergias ganharam um peso considerável nos últimos anos – principalmente a rinite alérgica. É o que mostra um levantamento feito pela Omint, uma administradora de planos médicos de alto padrão, com 2.120 profissionais de grandes empresas. Vinte e oito por cento dos entrevistados relataram sofrer com crises de espirro, coceira no nariz, coriza e obstrução nasal – os sintomas mais freqüentes da rinite. Em segundo lugar no ranking aparecem as alergias de pele, relatadas por 21% dos executivos. Esse cenário é conseqüência direta da falta de qualidade ambiental na maioria dos escritórios. A falha mais comum está nos sistemas de ar-condicionado, que apresentam um alto de grau de contaminação por germes – e proporcionam, assim, o surgimento de uma série de distúrbios. O fenômeno atingiu tal dimensão que a Organização Mundial de Saúde o catalogou sob o nome de "síndrome dos edifícios doentes".

"A manutenção inadequada do ar-condicionado tem levado a um aumento preocupante nos quadros de alergias", diz o médico Fábio Morato Castro, do serviço de alergia e imunologia do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Nos ambulatórios de algumas empresas, 60% das consultas são de funcionários vítimas de rinite." Microorganismos dispersos no ar (ácaros, especialmente) têm sua transmissão facilitada pela aglomeração de pessoas e pela quantidade de horas que se passa em um local fechado. Se inexiste uma boa renovação de ar, o quadro tende a piorar, evidentemente. Calcula-se que, nos grandes centros urbanos, uma pessoa passa 92% de seu dia confinada. Exposta, portanto, a toda sorte de porcarias inaláveis.

Uma outra pesquisa, conduzida pela CPH Health Solutions, consultoria especializada em saúde corporativa, com 21.000 executivos brasileiros, aponta que nos últimos cinco anos aumentou também o número de queixas referentes a crises de ansiedade e depressão, obesidade e colesterol alto (veja quadro). A boa notícia é que, desde que as grandes empresas passaram a oferecer programas que visam a melhorar a qualidade de vida de seus funcionários, se está conseguindo vencer três inimigos: o cigarro, o sedentarismo e a má alimentação. O avanço é tímido, mas sinaliza uma tendência positiva. O destaque fica para a redução de 14% nos índices de tabagismo entre os executivos brasileiros. O mérito, aqui, é tanto das campanhas de esclarecimento contra o cigarro como da política de restrição ao fumo no trabalho.

 
 
 
 
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