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Ambiente
Risco nos mares Pesquisas
mostram aumento da matança de tubarões para a retirada e a venda
ilegal de barbatanas  Roberta
Salomone Shelley
Clarke
 | | Tubarões
expostos em entreposto em Hong Kong: crueldade |
Depois
da captura, é preciso força para levar ao barco e manter imobilizado
o tubarão, que pesa em média 200 quilos. Em seguida, com um facão,
arrancam-se as nadadeiras do bicho, que é jogado de volta ao mar antes
que a embarcação seja tomada pelo sangue. O tubarão, dilacerado
e impossibilitado de nadar, morre pouquíssimo tempo depois, devorado por
outras espécies, enquanto o pedaço extirpado é pendurado
ao sol. Mesmo proibida na maioria dos países, essa crudelíssima
prática, também conhecida como finning, tem se tornado cada
vez mais freqüente nos oceanos. Dos 200 milhões de tubarões
mortos a cada ano, acredita-se que a maior parte seja apenas para a retirada das
nadadeiras, que alcançam preços altíssimos nos países
asiáticos. Impulsionado pelo crescimento econômico da China
onde a sopa feita de barbatana é considerada um afrodisíaco potente
, o preço do quilo das nadadeiras pode chegar a 750 dólares
para o consumidor final (o mesmo montante em carne de tubarão pode ser
comprado por 1 dólar). Hoje, o mercado movimenta 400 milhões de
dólares por ano no mundo quantia que, segundo estudo recente do
Instituto de Pesquisa Marinha e Atmosférica, da Universidade do Havaí,
nos Estados Unidos, deve triplicar até o fim desta década. "Se a
demanda continuar a crescer nessa proporção, não acredito
que as populações de tubarões conseguirão sobreviver",
afirma a americana Shelley Clarke, coordenadora da pesquisa. "Em dez anos, poderão
estar extintos, por exemplo, o tubarão-martelo, o branco e o tigre."
O principal pólo desse comércio ilegal é Hong Kong, que detém
mais da metade das importações de nadadeiras do planeta. Ali, e
em todo o território chinês, a sopa de barbatana, considerada símbolo
de prestígio, é servida em banquetes desde a dinastia Sung (960-1279).
Ter à mesa a iguaria é um luxo. Nos restaurantes da Ásia,
uma porção individual sai por 150 dólares. Apesar da tradição,
o prato foi terminantemente proibido no cardápio de inauguração
do primeiro parque da Disney na China depois das reclamações de
importantes organizações ambientais. Ainda que a prática
não seja permitida dentro da zona de exploração econômica
exclusiva desde 1998, o Brasil também dá a sua contribuição
ao mercado negro de nadadeiras. De acordo com uma pesquisa inédita do Projeto
Tubarões no Brasil (Protuba), das espécies capturadas no litoral
do Rio de Janeiro, um quarto tem as barbatanas arrancadas e vendidas. A cada ano
são exportadas daqui mais de 600 toneladas de nadadeiras (ou 1,6 milhão
de tubarões) para o Japão e a China. Shelley
Clarke
 | | Barbatanas
à venda em supermercado na China: comércio movimenta milhões |
O finning e a conseqüente matança indiscriminada de
tubarões não é apenas uma prática cruel, mas
coloca em risco o ecossistema mundial. Nas duas últimas décadas,
as populações de algumas espécies foram reduzidas em 89%.
Nas Ilhas Galápagos, onde se concentram grandes cardumes de doze espécies
do predador marinho, já se percebe redução expressiva na
quantidade de tubarões. No Brasil, 40% das espécies estão
ameaçadas de extinção. Sem um dos maiores predadores do reino
animal, quebra-se a cadeia alimentar nos oceanos. A conseqüência é
um desequilíbrio de grandes proporções, como foi demonstrado
no fim dos anos 80, na Austrália. O desaparecimento de algumas espécies
provocou aumento significativo da população de polvos, alimento
preferido dos tubarões. O resultado foi uma grave crise na indústria
de pesca de lagosta. O crustáceo passou a ser devorado pelos polvos em
quantidades muito maiores e praticamente sumiu. "A ameaça da pesca de tubarões
para a retirada de nadadeiras é silenciosa e progressiva. Se não
tomarmos uma atitude agora, vamos sofrer com as conseqüências", alerta
o biólogo marinho Marcelo Szpilman, diretor do Instituto Ecológico
Aqualung e autor do livro Tubarões no Brasil.
ELES ESTÃO DESAPARECENDO
Os pesquisadores acreditam que em dez anos algumas espécies
poderão estar extintas, como o tubarão-martelo, o branco
e o tigre. Isso levará à quebra da cadeia alimentar nos oceanos.
Entre as conseqüências, desequilíbrios como, por exemplo, o
aumento na população de polvos o alimento predileto
dos tubarões.
Herbert
Proepper/AP
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TIGRE: é considerado um lixeiro do mar,
porque come tudo o que vê pela frente. Sua população se reduziu
65% nos últimos quinze anos BRANCO:
é o maior peixe predador dos mares. Pode medir até 7 metros e pesar
mais de 3 toneladas. Sua população diminuiu 79% nas últimas
décadas MARTELO: suas
nadadeiras são as mais procuradas. Nos últimos quinze anos, a quantidade
dessa espécie de tubarão caiu 89% no Oceano Atlântico
Fonte: Tubarões no Brasil, de Marcelo Szpilman | |
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