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Brasil Todas
estão irregulares Relatório
do TCU reprova 100% das obras da Petrobras analisadas neste ano
 Fábio
Portela  | Xando
Pereira/Ag. A Tarde
 | | O
lobista Fernando Moura e plataforma da Petrobras na Bahia: um poço de suspeitas |
Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) referente ao primeiro
semestre deste ano mostra um retrato desolador. O TCU analisou 415 obras. Encontrou
indícios de irregularidades graves em 40% delas. No documento, salta à
vista o nome de três órgãos públicos. O Departamento
Nacional de Infra-Estrutura e Transportes (Dnit) é a repartição
na qual foi encontrado o maior número de irregularidades: 75 dos 131 contratos
analisados. Os problemas são ainda maiores no Departamento Nacional de
Obras contra a Seca (Denocs) e na Petrobras. O TCU afirma ter encontrado irregularidades
graves em todas, frise-se, todas as obras analisadas do Denocs e da Petrobras.
A diferença entre elas é de valor. Os contratos do Denocs somam
100 milhões de reais. Os da Petrobras chegam a 5 bilhões de reais.
O relatório dos auditores reforça as suspeitas levantadas sobre
a Petrobras nas investigações do mensalão. A estatal estava
na esfera de influência direta do ex-secretário do PT Silvio Pereira
e do lobista Fernando Moura. Eles diziam atuar como prepostos do deputado José
Dirceu, aquele que afirma que o governo do PT não rouba nem deixa roubar.
A lista de acusações
à Petrobras feitas pelo TCU é extensa. Os auditores denunciaram
concorrências dirigidas, pagamentos por serviços não realizados,
superfaturamento, contratos feitos sem licitação, aditamentos concedidos
acima dos limites legais e até obstrução à fiscalização
dos auditores. Entre as empresas beneficiadas pelas irregularidades está
a empreiteira baiana GDK, que lançou mão dos serviços de
Fernando Moura e deu um automóvel Land Rover a Silvio Pereira. O tribunal
detectou superfaturamento em pelo menos dois dos contratos firmados pela Petrobras
com a construtora. O primeiro, de 31 milhões de reais, foi assinado em
abril de 2003 e tinha como objetivo a realização de obras nas unidades
da estatal na Bahia. O segundo é mais gordo. Chega a 119 milhões
de reais e foi firmado em novembro do ano passado. O objetivo era a manutenção
de instalações industriais e a construção de dutos.
É a segunda vez consecutiva que o TCU condena a totalidade das obras fiscalizadas
da Petrobras. "Consideramos o caso da estatal seriíssimo. Ela reincidiu
nas irregularidades", disse o ministro Valmir Campelo, relator do processo. Ouvida
por VEJA, a Petrobras alegou que não teve oportunidade de se defender e
que está à disposição do tribunal para prestar esclarecimentos.
O
TCU apresentou na semana passada outro relatório que também corrobora
as investigações do Congresso sobre a corrupção no
governo. O tribunal analisou o contrato firmado pela Caixa Econômica Federal
com a multinacional do jogo GTech. Concluiu que a operação deu um
prejuízo de 433 milhões de reais à Caixa entre 1997 e 2004.
No final do governo Fernando Henrique Cardoso, os administradores do banco recorreram
à Justiça para encerrar o contrato com a GTech. No início
do governo Lula, a briga foi esquecida e a operação foi renovada
com vantagens para a multinacional. A CPI dos Bingos apura a influência
no caso de Waldomiro Diniz, outro assessor de José Dirceu de novo
o que não rouba nem deixa roubar. O relatório do TCU já está
sendo analisado pela CPI, mas ainda será submetido aos ministros do tribunal.
Se eles aprovarem o parecer dos técnicos, os diretores da Caixa e da GTech
poderão ser responsabilizados pelo prejuízo. Nesse caso, deverão
ser processados judicialmente para devolver o dinheiro perdido pelo Erário.
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