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Pois é, amigo, a vida é
assim mesmo. Hoje nós estamos aqui e amanhã...
também. |
Mentira! Mentira! Mentira!
I Um homem
que mente e diz que mente, mente ou não mente? Se diz a verdade
quando diz que mente, não mente. E, se diz mentira quando
diz que mente, também não mente.
II Vantagem extraordinária é
a do mentiroso. Enquanto os outros sabem apenas o que sabem, ele
sabe sempre alguma coisa mais.
III A mentira é a mais-valia
arrancada da credulidade. Já que a mentira só existe
quando há um crédulo. Pois ao cético ninguém
mente. Ele não crê nem na verdade.
IV O que vive repetindo a palavra indubitável
é, indubitavelmente, um mentiroso.
V Mentimos mesmo quando estamos sozinhos.
VI Jamais diga uma mentira que não
possa provar.
VII Uma mentira é a do que mente.
Outra é do escutador (imitando Guimarães Rosa).
VIII É inútil apontar
alguém como mentiroso. Todo mundo é.
IX Desenvolveu tanto a arte da mentira
que todos acreditam nele. Ele é que não acredita em
mais ninguém.
X A inverdade, apanhada na hora, chamamos
de mentira deslavada. Um ano depois será considerada apenas
uma outra faceta da verdade. Se persistir na memória, diremos
que é um rapto de imaginação da pessoa que
a pronunciou. Um século depois já ninguém mais
saberá quem disse, e ela será parte fundamental da
sabedoria popular, se transformará em fantasia, em ode, em
épico, quem sabe em conceito geral de eternidade filosófica?
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