Edição 1925 . 5 de outubro de 2005

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Pois é, amigo, a vida é assim mesmo. Hoje nós estamos aqui e amanhã... também.

Mentira! Mentira! Mentira!

I Um homem que mente e diz que mente, mente ou não mente? Se diz a verdade quando diz que mente, não mente. E, se diz mentira quando diz que mente, também não mente.

II Vantagem extraordinária é a do mentiroso. Enquanto os outros sabem apenas o que sabem, ele sabe sempre alguma coisa mais.

III A mentira é a mais-valia arrancada da credulidade. Já que a mentira só existe quando há um crédulo. Pois ao cético ninguém mente. Ele não crê nem na verdade.

IV O que vive repetindo a palavra indubitável é, indubitavelmente, um mentiroso.

V Mentimos mesmo quando estamos sozinhos.

VI Jamais diga uma mentira que não possa provar.

VII Uma mentira é a do que mente. Outra é do escutador (imitando Guimarães Rosa).

VIII É inútil apontar alguém como mentiroso. Todo mundo é.

IX Desenvolveu tanto a arte da mentira que todos acreditam nele. Ele é que não acredita em mais ninguém.

X A inverdade, apanhada na hora, chamamos de mentira deslavada. Um ano depois será considerada apenas uma outra faceta da verdade. Se persistir na memória, diremos que é um rapto de imaginação da pessoa que a pronunciou. Um século depois já ninguém mais saberá quem disse, e ela será parte fundamental da sabedoria popular, se transformará em fantasia, em ode, em épico, quem sabe em conceito geral de eternidade filosófica?

 
 
 
 
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