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Diogo
Mainardi
Minha viagem a Brasília
"Aldo Rebelo acaba de ser eleito. Os
mensalistas atiram-no para o alto.
Todos os deputados com quem falei
o consideram um perfeito idiota. Por
isso estão tão felizes. Por isso não
o deixam se espatifar no chão"
Quarta-feira. Congresso Nacional.
É minha primeira e última vez em Brasília.
Arrependo-me de ter vindo assim que ponho os pés na cidade.
Por algum motivo, decidi acompanhar de perto a eleição
para presidente da Câmara. Quando termina a apuração
do primeiro turno, os parlamentares se reúnem nos gabinetes,
nos corredores, na sala do cafezinho. Compram e vendem votos.
Geddel Vieira Lima acusa Renan
Calheiros de se vender a Lula. Pergunto o que exatamente Lula deu
a Calheiros. Geddel responde que seria leviano acusá-lo sem
provas. Em seguida, relaciona os boatos que circulam no plenário,
segundo os quais Calheiros teria recebido concessões de rádio,
cargos nos ministérios e um bocado de dinheiro vivo.
ACM Neto diz que a oposição
errou. Deveria ter pedido o impeachment de Lula logo depois do depoimento
de Duda Mendonça, na CPI dos Correios. Afirmo que ainda dá
tempo para derrubar o presidente. Ele responde que não dá
mais.
Delcídio Amaral promete
convocar à CPI todos os doleiros que operaram para o PT.
Ele também acaba de tomar conhecimento de um relatório
do TCU que indica um superfaturamento de 2 bilhões de reais
em obras da Petrobras. Pergunto se ele vai deixar o PT. Ele responde
que não sabe. Sua maior queixa contra o partido não
é o superfaturamento na Petrobras, ou o dinheiro operado
por doleiros. Sua maior queixa é o governador de Mato Grosso
do Sul, Zeca do PT, que o classificou como "infantil".
Uma assessora parlamentar me
alerta que o doleiro Toninho da Barcelona, acusador do PT, recebeu
uma pena praticamente igual à de Fernandinho Beira-Mar. Ela
me alerta também que Toninho da Barcelona tem sido sistematicamente
violentado na cadeia.
Denise Frossard diz que, vendo
os parlamentares governistas, "sente saudade de seus bandidos".
Ela se refere aos bandidos comuns, de seus tempos como juíza,
no Rio de Janeiro.
José Eduardo Cardoso defende
uma reforma política. Ele reclama, com toda a razão,
que o Congresso Nacional tem nordestinos demais.
José Dirceu acompanha
distraidamente a apuração do segundo turno. Diz que
vai lecionar em Harvard. Diante da incredulidade geral, é
obrigado a explicar: "Fui convidado pelo Mangabeira Unger". Dirceu
diz também que pretende fazer uma longa viagem pelos Estados
Unidos. E acrescenta orgulhoso: "Fui convidado pelos Republicanos".
Depois do ano sabático, Dirceu planeja retomar o comando
do PT. Aviso que o PT terá acabado daqui a um ano. Ele garante
que não. Cita os altos e baixos da carreira política
de Tancredo Neves, para demonstrar que o brasileiro tem memória
curta. Dirceu está ruim da cabeça. Continua a negar
seu fracasso.
Aldo Rebelo acaba de ser eleito.
Os mensalistas atiram-no para o alto. Todos os deputados com quem
falei hoje foram mais de trinta o consideram um perfeito
idiota. Por isso estão tão felizes. Por isso não
o deixam se espatifar no chão.
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