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Cinema
Drama
de bolso Bubble
é o maior dos filmes menores de Steven Soderbergh
 Isabela
Boscov
De vez em quando o
diretor Steven Soderbergh faz um filme pequeno pequeno não, minúsculo
para desintoxicar-se do veneno que circula nos grandes estúdios.
É o caso de Schizopolis, de Full Frontal e de Bubble,
que atraiu muita atenção no início deste ano por ter sido
lançado simultaneamente em cinema, DVD e cabo nos Estados Unidos. Mas os
méritos de Bubble, que estréia nesta sexta-feira no
país, vão além de sua distribuição inovadora:
estão acima de tudo na curiosidade e limpeza com que o diretor aborda seus
três personagens. Martha (Debbie Doebereiner), quarentona, gorda e maternal,
gosta de ir para o trabalho numa fábrica de bonecas porque lá está
Kyle (Dustin James Ashley), um rapaz que mal abre a boca, mas aceita suas atenções.
Entra em cena a jovem Rose (Misty Dawn Wilkins), mãe solteira e adepta
de pequenas desonestidades e algo de profundamente trágico vai se
passar na pequena Belpre, em Ohio, onde Soderbergh filmou durante dezoito dias
numa das três únicas fábricas americanas de bonecas que ainda
não migraram para a China. Os três atores são amadores e todos
colaboraram no roteiro. Debbie Doebereiner, em especial, é um achado: gerente
de uma lanchonete da rede Kentucky Fried Chicken na vida civil, ela galvaniza
a câmera com emoções muito mais complicadas do que sua Martha
seria capaz de descrever. É, em suma, a atriz perfeita para um drama de
bolso como este. Soderbergh pretende agora rodar outros cinco pequenos filmes
nos mesmos moldes. Se eles tiverem o interesse de Bubble, quem lucra é
o espectador. |