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Cinema Sabor
de aventura Os Sem-Floresta,
um desenho que não é esterilizado nem desnatado  Isabela
Boscov
Divulgação
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guaxinim e seus amigos bagunçam o condomínio: loucos por calorias vazias |
Fanático pelo salgadinho Batatitas,
um guaxinim arranja confusão com um urso grande e malvado, que lhe dá
uma semana para repor todos os seus estoques roubados. R.J., o guaxinim, arruma
então um jeito de cair nas graças de um grupo de amigos um
jabuti, alguns porcos-espinhos, uma gambá e assim por diante cuja
especialidade é juntar comida para a época da hibernação.
Sua idéia é se valer do fato de que os amigos estão aturdidos:
ao saírem do sono de inverno, encontraram sua floresta reduzida a um trecho
minguado, fechada por uma cerca viva e rodeada de todos os lados por um imenso
condomínio suburbano. R.J. vicia suas vítimas em junk food e então
mostra a elas o paraíso que está além da cerca: centenas
de quintais, cozinhas e despensas abarrotados de refrigerantes, biscoitos, frituras
e tudo o mais que possa conter calorias vazias. R.J. vai ensiná-los a roubar
esses tesouros e então entregá-los ao urso, salvando assim a sua
pele. Ou esse é o plano o que, no delicioso Os Sem-Floresta
(Over the Hedge, Estados Unidos, 2006), que estréia nesta sexta-feira
no país, não quer dizer muita coisa. Do lado de lá da cerca
existem não só delícias, mas também um tipo peculiar
de predador: seres humanos gigantescos e truculentos, que rodam em caminhonetes
colossais, gritam em telefones celulares e dão vassouradas em toda forma
de vida não aprovada pelo estatuto do condomínio. Como nos geniais
desenhos que o veterano Chuck Jones fazia para a Warner ou nos primeiros curtas-metragens
da Pixar, a graça da nova animação da DreamWorks está
no pesadelo. O humor caótico
e irreverente de Os Sem-Floresta, porém, não é gratuito.
Se há uma coisa que os diretores Tim Johnson (de Formigaz) e Karey
Kirkpatrick (roteirista de O Pequeno Vampiro) parecem compreender é
o medo dos pequenos diante dos grandes e a insegurança que suas regras
misteriosas provocam. Este é genuinamente um desenho para crianças,
que fala de forma direta às suas inquietações o que
só torna mais imediata também sua capacidade de falar aos espectadores
adultos. Essa é, enfim, a melhor lição que se pode tirar
de Os Sem-Floresta. Quanto mais os estúdios de animação
procuram talhar seus produtos de acordo com fórmulas preconcebidas para
a faixa etária-alvo, mais desnatados, esterilizados e homogêneos
eles resultam. Nada como a originalidade e o espírito de aventura de Os
Sem-Floresta para treinar o paladar a reconhecer, e apreciar, outros sabores.
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