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Cinema Cobras
criadas Como um movimento popular
fez de Serpentes a Bordo o filme mais quente da nova temporada
 Isabela
Boscov
Kevin
Winter/Getty Images
 | | Jackson
no MTV Awards: "Já ganhei" | |
Para quem sabe
domá-la, a internet é hoje uma das mais poderosas ferramentas de
marketing de que Hollywood dispõe como podem atestar os diretores
de A Bruxa de Blair, que usaram a rede para criar um frenesi em torno de
seu filme antes mesmo que ele chegasse aos cinemas, ou o neozelandês Peter
Jackson, que em vez de brigar com os fãs de O Senhor dos Anéis
prestou conta a eles, via blogs e websites, durante toda a filmagem de sua saga,
e angariou assim seu apoio. Não há notícia, porém,
de um fenômeno semelhante ao que se observa agora com Serpentes a Bordo,
ou Snakes on a Plane, que tem estréia marcada para agosto nos Estados
Unidos e setembro no Brasil. Na trama, Samuel L. Jackson faz um agente do FBI
que escolta uma testemunha crucial num processo contra a Máfia em um vôo
para Los Angeles. A fim de evitar que esse canário cante no tribunal, os
gângsteres concebem um plano mirabolante: despejam algumas centenas de víboras
dentro da aeronave. De forma muito diplomática, o diretor David Ellis (do
igualmente literal Celular) propôs à produtora New Line que
Snakes on a Plane fosse um "título de trabalho" . um codinome
usado para fins práticos, até que se chegasse a uma idéia
melhor. Sua esperança, entretanto, sempre foi a de emplacar seu título
como o definitivo. Ellis conseguiu o que queria graças a um movimento
popular sem precedentes. Assim que
a primeira notícia sobre a produção do filme despontou, meses
atrás, seu título inusitado atraiu aquele pessoal que faz de navegar
e trocar idéias na internet sua razão de ser. Da noite para o dia,
a rede se viu inundada de pôsteres para Snakes on a Plane, canções
para sua trilha, sugestões de cenas e até dicas para futuras paródias
(uma das melhores: Hamlet 2 Snakes on a Dane). Tudo criado espontaneamente
pelos fãs. Mas, como nem todo mundo tem o senso de humor de Jackson (que
assinou o contrato com base no título), a New Line decidiu, a certa altura,
rebatizar o filme com o mais convencional Pacific Air Flight 121. O que
se viu foi uma revolta das massas (e do astro, que disse cobras e também
lagartos sobre o estúdio). Finalmente persuadida do poder da marca que
tinha em mãos, a New Line voltou atrás. De quebra, marcou cinco
dias adicionais de filmagens, para turbinar a violência outro pedido
dos fãs e incluir uma fala sugerida a Jackson por um blogueiro:
"Quero essas p****s de cobras fora dessa p***a de avião". (Como definiu
a revista Time, ele é o Laurence Olivier do palavrão.) A
única dúvida do estúdio agora é se será possível
manter esse ímpeto até a esperadíssima estréia do
filme. Jackson não tem dúvida de que sim. Ovacionado num discurso
no MTV Movie Awards, há algumas semanas, ele definiu assim suas chances
na premiação do ano que vem: "Já ganhei". Tudo indica que
ele tem razão. |