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Livros Independência
e morte Um belo relato sobre 1776, o
ano crucial na luta americana para se libertar dos britânicos
 Rinaldo
Gama
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Quando, em 4 de
julho de 1776, foi promulgada a Declaração de Independência
dos Estados Unidos, os americanos ainda estavam longe de se livrar da coroa britânica.
Assim, para muitos, o documento pareceu uma perigosa provocação,
um "esquife de papel". As tropas inglesas só seriam vencidas em 1781 e
o reconhecimento da soberania viria apenas em 1783. No entanto, aquela data é
que passou para a história como a de nascimento da nação
que, no século XX, se tornou a maior potência do planeta. Em 1776
A História dos Homens que Lutaram pela Independência dos Estados
Unidos (tradução de Roberto Franco Valente; Jorge Zahar
Editor; 422 páginas; 59 reais), David McCullough traz à tona um
relato em que o discurso centrado nos ideais iluministas aos quais se costuma
vincular o movimento americano de libertação fica em segundo
plano para dar lugar a um minucioso painel das adversidades presentes no dia-a-dia
de uma campanha que parecia fadada ao fracasso. Numa prosa bem-cuidada e fluente,
McCullough mistura episódios célebres e retratos sem retoques de
seus protagonistas. Para tanto, ele se vale de sua experiência de historiador
e biógrafo premiado. Os problemas
dos Estados Unidos começavam na própria constituição
de seu Exército, comandado por George Washington. Os revoltosos não
passavam de uma tropa de miseráveis. Eram, nas palavras do inimigo inglês,
"caipiras", "molambentos" a "ralé armada". McCullough mostra que
não havia exagero algum nessa classificação. Os combatentes
viviam imundos, eram freqüentemente atacados por doenças como a febre
tifóide, não tinham disciplina e atiravam mal isso, quando
havia pólvora para atirar. Filho de um plantador de tabaco da Virgínia,
o próprio Washington, 44 anos em 1776, jamais dirigira algo além
de um regimento. Ao receber o posto que o consagraria, declarou diante do Congresso
que temia não corresponder à responsabilidade que lhe davam.
Correspondeu. Mesmo destacando a importância do apoio financeiro vindo da
França e da Holanda, e o apoio militar do Exército e da Marinha
franceses para o resultado final, McCullough sublinha que o êxito na guerra
pela independência americana se deveu a Washington e à sua armada
de maltrapilhos. Sem ser um brilhante estrategista nem um orador talentoso, Washington,
acentua o autor, foi capaz de manter as tropas unidas. "Um povo desacostumado
a se controlar precisa ser conduzido e não pressionado", disse o comandante
no fim de 1776, após a vitória em Trenton, fundamental para reerguer
os rebelados depois da derrota que haviam sofrido pouco antes, em Nova York.
Uma das inegáveis qualidades de Washington foi saber se cercar de pessoas
de talento como Nathanael Greene, o mais jovem general daquele primeiro Exército
dos Estados Unidos. O perfil de Greene é um dos pontos altos da obra de
McCullough e suas cartas figuram entre as principais fontes de 1776. Mas
a correspondência de maior peso para o trabalho foi mesmo a de Washington
até porque, entre julho de 1775 e a primeira semana de 1777, ele
escreveu nada menos do que 947 cartas. Como frisa McCullough, é espantoso
que, em meio ao conflito, aqueles senhores encontrassem tempo para redigir missivas.
É como se soubessem e sabiam que estavam escrevendo a história.
A lição que fica de
1776 é que tropas bem treinadas, equipamentos bélicos de
última geração e experiência militar não são
suficientes para derrotar um ideal se por trás ou melhor, à
frente dele estiver um idealista como foi Washington. Ele compreendeu que
era preciso pegar em armas para assegurar a permanência da idéia
de que "todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo criador de certos
direitos inalienáveis, entre os quais estão a vida, a liberdade
e a busca da felicidade" como se lê na Declaração de
Independência americana.
O grande libertador "Washington
nunca se esqueceu de tudo que se encontrava em risco, e em momento algum desistiu.
Em cartas ao Congresso e aos seus oficiais, e também em suas ordens gerais,
ele clamou por 'perseverança e vigor', por 'paciência e perseverança',
por 'inabaláveis coragem e perseverança'. Sem a liderança
e a incansável perseverança de Washington, com quase toda certeza
a revolução teria fracassado. Como previu Nathanael Greene durante
a guerra, ele seria o libertador de seu país. "
Trecho de 1776 | |
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