Edição 1963 . 5 de julho de 2006

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Guia
A prova dos cafés


Monica Weinberg

Os cafés especiais, antes conhecidos como "tipo exportação" e apenas encontrados em lojas especializadas ou servidos em restaurantes, estão se popularizando nos supermercados. Segundo especialistas ouvidos por VEJA, há uma variedade de trinta boas marcas à venda.

A principal diferença entre esse tipo de café e o tradicional é que ele é produzido exclusivamente à base da espécie arábica, considerada de melhor qualidade na comparação com as demais (veja quadro). Já existe um clube de adeptos dos grãos especiais, que cultuam tantos rituais quanto os apreciadores de vinho. Eles transformam o ato de tomar café num grande acontecimento, gostam de experimentar novas marcas e pagam 40 reais por 1 quilo desses grãos. Trata-se de um grupo que cresce no mundo inteiro. No Brasil, o mercado de cafés especiais aumenta ao ritmo de 20% ao ano.


Mario Rodrigues

A pedido de VEJA, a barista Isabela Raposeiras produziu uma lista com seis das melhores marcas à venda, segundo avaliação técnica conduzida pelas duas mais importantes associações internacionais. Os cafés escolhidos são facilmente encontrados nas gôndolas – em grão, pó ou sachês. Eles foram submetidos à análise de outros quatro especialistas, que pontuaram suas características mais marcantes e deram sugestões práticas para o preparo. Eis o resultado.

Marca: CAFEERA
Origem: Alfenas, em Minas Gerais
Comentário dos especialistas: café encorpado, com uma interessante mescla de aroma amendoado com sabor que lembra chocolate
Cafeteiras mais indicadas para o preparo: expresso e moka
Curiosidade sobre o café: é o único brasileiro servido na rede americana de cafés Starbucks



Marca: TERRA BRASIL
Origem: cidades do cerrado mineiro
Comentário dos especialistas: seu aroma chama atenção pela originalidade – agradou aos provadores por combinar chocolate com frutas secas. Deixa gosto levemente amargo na boca
Cafeteiras mais indicadas para o preparo: expresso e moka
Curiosidade sobre o café: oferece uma mistura de grãos específica para o preparo de café expresso



Marca: PESSEGUEIRO
Origem: Mococa, em São Paulo
Comentário dos especialistas: café de sabor adocicado, cujo diferencial apontado pelos provadores é deixar gosto persistente de chocolate na boca
Cafeteiras mais indicadas para o preparo: moka e convencional (elétrica ou manual)
Curiosidade sobre o café: o processo de seleção dos grãos inclui uma etapa manual que se soma às três peneiras usualmente realizadas por máquinas – o objetivo é retirar da linha de produção os grãos com defeito



Marca: SUPLICY
Origem: Ouro Fino, em Minas Gerais
Comentário dos especialistas: seu sabor é achocolatado. Segundo os provadores, deixa na boca uma sensação de aspereza
Cafeteiras mais indicadas para o preparo: moka e convencional (elétrica ou manual)
Curiosidade sobre o café: todos os baristas da empresa passaram por treinamento com a americana Sherry Jones, considerada no meio especializado uma das melhores do mundo



Marca: ASTRO MESCLA
Origem: Lambari, em Minas Gerais, e Rancho Grande, em São Paulo
Comentário dos especialistas: apresenta aroma picante, que lembra o de especiarias. É o mais torrado dos cafés analisados a pedido de VEJA, o que resulta num sabor menos delicado
Cafeteiras mais indicadas para o preparo: moka e convencional (elétrica ou manual)
Curiosidade sobre o café: foi um dos primeiros a lançar uma marca de café especial no mercado brasileiro



Marca: ORFEU
Origem: Botelhos, em Minas Gerais
Comentário dos especialistas: de todos os cafés avaliados, é o que apresenta a composição mais sofisticada, com grãos que resultam em sabor adocicado e aroma cítrico
Cafeteiras mais indicadas para o preparo: expresso e francesa
Curiosidade sobre o café: seu processo de secagem é feito exclusivamente sob o sol (sem o usual auxílio de máquinas), o que contribui para preservar o sabor original dos grãos

 

Por que ele é especial?

As principais diferenças entre os
cafés especiais e os tradicionais


Anthony Johnson/Getty Images


COMPOSIÇÃO

Café especial: produzido exclusivamente à base da espécie arábica, de sabor mais delicado e doce
Café tradicional: mistura as espécies arábica e robusta, esta última de pior qualidade

SELEÇÃO DOS GRÃOS
Café especial: utiliza apenas os melhores grãos – cerca de 30% do total colhido
Café tradicional: mistura grãos de diferentes tamanhos e qualidades

CONTROLE DE QUALIDADE
Café especial: admite apenas doze grãos defeituosos a cada 300 gramas de café
Café tradicional: permite a seleção de até 800 grãos defeituosos a cada 300 gramas de café

 
 
 
 
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