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Medicina
Genéricos de ponta
Começam a chegar ao mercado
remédios biotecnológicos mais baratos

Anna Paula Buchalla
Divulgação
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| Linha de produção dos medicamentos: os novos
custam até 25% menos |
Uma decisão anunciada recentemente
pela FDA, a agência americana de controle de medicamentos,
deixou as empresas de biotecnologia em polvorosa. A agência
aprovou o primeiro genérico de um remédio biotecnológico
o Omnitrope, um hormônio de crescimento indicado principalmente
para crianças. Com essa decisão, o tratamento, que
com o medicamento original custa 20.000 dólares por ano,
ficará 25% mais barato. Para conseguir que o Omnitrope entrasse
na pauta da FDA, o laboratório alemão Sandoz teve
de recorrer à Justiça. Desde 2002, a FDA dificultava
a liberação de genéricos biotecnológicos
sob o argumento de que não havia um protocolo para regulamentar
a produção de substâncias desse tipo. A aprovação
do Omnitrope abre precedente para que outros medicamentos biotecnológicos
possam chegar ao mercado americano, o maior do mundo. Para os fabricantes
dos remédios originais, a entrada dos genéricos significa
um baque bilionário.
A estrutura molecular dos remédios
biotecnológicos é tão complexa que é
muito difícil copiá-los fielmente. Eles são
obtidos através da manipulação genética
de microrganismos ou tecidos e proteínas de outros seres
vivos inclusive humanos. Tais medicamentos se destinam ao
tratamento de doenças que não dispunham até
pouco tempo atrás de recursos eficientes para o seu controle.
São distúrbios de altas complexidade e incidência,
como Alzheimer, esclerose múltipla, vários tipos de
câncer, artrite reumatóide, diabetes, lúpus
e hepatite C. O primeiro remédio desenvolvido por meio da
biotecnologia (que inclui engenharia genética) foi a insulina,
para o tratamento do diabetes. Sua comercialização
nos Estados Unidos foi aprovada em 1982. Hoje, já existe
uma centena de medicamentos biotecnológicos.
De
cada cinco remédios novos que chegam ao mercado, um é
produzido por meio de biotecnologia. Um laboratório gasta
cerca de 900 milhões de dólares e dez anos de pesquisas
até que um blockbuster os famosos remédios
arrasa-quarteirão, que rendem bilhões de dólares
ao fabricante chegue ao mercado. Esse custo explica a movimentação
de alguns fabricantes para dificultar a aprovação
dos genéricos de qualquer tipo que podem ser produzidos
passados vinte anos do registro da patente original. Eles pleiteiam
que se cobre dos fabricantes das versões mais baratas o mesmo
rigor exigido para a aprovação do medicamento original
principalmente testes clínicos com grandes populações,
para garantir a qualidade, segurança e eficácia dos
produtos. "A falta de uma regulamentação é
preocupante. O grande risco é para o consumidor", diz Jacques
Mascaro, diretor de assuntos internacionais do laboratório
Roche. Mas, se a FDA aprova, a falta de segurança é
um argumento pouco convincente.
No Brasil, genéricos biotecnológicos
estão disponíveis desde o início da década
de 90. Foi somente em 1999, com a entrada em vigor da Lei dos Genéricos,
que exige a realização de testes que provem a eficácia
e segurança do medicamento, que a sua venda no país
passou a ser controlada. Entre os mais utilizados, estão
interferons, para o tratamento de câncer e hepatite C, e um
hormônio para casos de anemia grave.
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