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Saúde
Vermelhos, ardentes
e lacrimejantes
A explosão das infecções
oculares
está ligada à falta de limpeza e ao
uso inadequado das lentes de contato

Paula Neiva
Laureen Middley/Getty Images
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Desde que o uso das lentes de contato começou a se popularizar,
na década de 70, houve uma explosão nos casos de infecções
oculares. Calcula-se que, nesse período, a quantidade de
contaminações por microrganismos como fungos, bactérias
e protozoários tenha quintuplicado no mundo. Há cerca
de dois meses, um surto de infecção causado pelo fungo
Fusarium, nos Estados Unidos, deixou os oftalmologistas ainda
mais alarmados. Os casos foram diagnosticados em pacientes que estavam
utilizando o ReNu com MoistureLoc, um líquido de limpeza
de lentes produzido pela Bausch & Lomb. A empresa foi
obrigada a suspender a venda do produto, inclusive no mercado brasileiro.
Suspeita-se que uma das substâncias contidas no produto, em
vez de matar o fungo Fusarium, proporciona um meio propício
para seu desenvolvimento. Uma pesquisa realizada recentemente por
médicos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
mostrou que o problema tende a agravar-se. Em amostras retiradas
de caixinhas de lentes usadas, os pesquisadores encontraram micróbios
como o Enterococcus faecalis, cujo habitat mais comum é
o intestino humano. Um nojo.
As infecções causadas por esses
micróbios são no mínimo incômodas, por
resultar em coceiras, vermelhidão, lacrimação
e ardência. Em casos extremos, elas levam à formação
de úlceras na córnea e à cegueira. Na raiz
do problema estão o uso inadequado e a falta de higiene.
"Muitos usuários guardam a caixinha de lentes no banheiro,
e alguns esquecem que é imprescindível lavar as mãos
antes de manuseá-las", diz o oftalmologista Mauro Campos,
um dos coordenadores do estudo da Unifesp. Há também
quem insista em ficar mais de doze horas com as lentes ou até
dormir com elas o que é desaconselhado pelos especialistas.
"Pessoas que dormem com as lentes têm até quinze
vezes mais probabilidade de desenvolver infecções
de córnea do que quem as tira toda noite", afirma o médico
Carlos Eduardo Arieta, professor de oftalmologia da Universidade
Estadual de Campinas. Os grandes inconvenientes de dormir com a
lente de contato são a redução da oxigenação
e da lubrificação da córnea. Forma-se, assim,
um cenário propício para a proliferação
de germes, como Staphylococcus aureus, um dos mais comuns.
Um dos fatores que contribuem para a falta
de cuidado é a facilidade com que é possível
comprar um par de lentes de contato, sobretudo as descartáveis,
que dispensam receita médica e podem ser encontradas em qualquer
ótica. No mercado desde a década de 90, as lentes
descartáveis abocanharam uma parcela considerável
de brasileiros que necessitam de correção visual.
O problema é que raramente os vendedores têm conhecimento
ou paciência suficientes para transmitir ao usuário
a importância do ritual de limpeza e de armazenamento das
lentes de contato. "Pessoas que as adquirem sem orientação
adequada estão mais vulneráveis às infecções",
diz a oftalmologista Saly Moreira, membro da diretoria da Sociedade
Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria (Soblec).
No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas
usam lentes de contato. Há dois tipos: as gelatinosas e as
rígidas. As gelatinosas, mais maleáveis e consideradas
mais confortáveis pela maioria, predominam. De cada dez usuários,
nove as utilizam. A assepsia, tanto de uma quanto da outra, deve
ser rigorosa. Inclui a utilização de soluções
multiuso apropriadas e a limpeza periódica da caixinha (veja
quadro abaixo). São cuidados simples que podem evitar
problemas sérios no futuro. Isso se o líquido limpante
não estiver contaminado. Que mundo...
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ESTATINAS TAMBÉM PROTEGEM
A VISÃO
J. Miranda
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| ESTATINAS:
suas propriedades antioxidantes talvez sejam
a causa da proteção às células do cristalino |
Um estudo divulgado recentemente pela revista científica
da Associação Médica Americana
adicionou um novo item à já extensa lista
de benefícios decorrentes do uso das estatinas.
Criadas para regular o colesterol alto, elas já
se mostraram eficazes para combater os mais diversos
males de diabetes tipo 2 a angina, de Alzheimer
a esclerose múltipla. Agora, um trabalho coordenado
por pesquisadores da Universidade de Wisconsin, nos
Estados Unidos, mostra que as estatinas podem ajudar
na prevenção da catarata. Uma das principais
causas de cegueira no Brasil, a doença se caracteriza
pela perda de transparência do cristalino, lente
ocular responsável por dar foco e nitidez às
imagens. O distúrbio afeta sobretudo os mais
velhos. Calcula-se que 15% dos brasileiros com 50 anos
ou mais tenham catarata. Acima de 80 anos, esse porcentual
chega a 60%.
Os pesquisadores americanos acompanharam
cerca de 1 300 pessoas ao longo de sete anos. Ao comparar
os dados relativos aos pacientes que não usaram
estatinas com os daqueles que usaram, descobriu-se que
a ocorrência de catarata foi 60% mais freqüente
entre os que não tomavam o remédio. "Isso
não significa, porém, que as pessoas devam
tomar estatinas para prevenir a doença", diz
o oftalmologista Homero Gusmão, presidente da
Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Intra-Oculares.
"Ainda faltam dados para que isso se torne uma recomendação
médica." Se isso um dia vier a ocorrer, as estatinas
serão os primeiros medicamentos preventivos contra
esse problema ocular. Os especialistas ainda não
conseguem explicar a proteção à
visão proporcionada pelo remédio. "Esse
efeito parece estar relacionado às propriedades
antioxidantes do remédio, que preservariam as
células do cristalino dos danos inerentes ao
envelhecimento", afirma o cardiologista Otávio
Coelho, professor da Universidade Estadual de Campinas.
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