Edição 1963 . 5 de julho de 2006

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Ambiente
Mataram Bruno

Termina a aventura do urso que
enganava os caçadores e se
tornara herói na Alemanha


Leoleli Camargo

 

Anton Hoetzelsperger/AFP
Bruno, fotografado pouco antes de ser abatido a tiros

Com tiros certeiros desferidos por um caçador, terminou na semana passada a incrível aventura de Bruno, o urso-pardo que durante quase um mês driblou os guardas-florestais alemães empenhados em capturá-lo. Bruno não era um animal qualquer. Ele pertencia à segunda geração de um grupo de dez ursos-pardos transportados em 1999 da Eslovênia para os Alpes italianos, num projeto destinado a reintegrar a espécie na região. Na Europa, na América do Norte e em alguns países asiáticos, a reintegração de espécies que desapareceram de um determinado território costuma ser feita com o objetivo de preservar em liberdade animais ameaçados de extinção ou para restabelecer o equilíbrio na biodiversidade da região. Os problemas surgem quando os animais devolvidos à natureza são predadores de grande porte. Além de atacarem suas presas naturais, muitas vezes avançam sobre as criações dos fazendeiros. Esse foi o caso de Bruno.

Em lugar de permanecer nos Alpes italianos com os outros ursos, Bruno deslocou-se pelas florestas austríacas até chegar à fronteira com a Alemanha. Tornou-se o primeiro urso em liberdade visto por lá desde o século XIX. No caminho, transformou em refeição três dezenas de carneiros, além de coelhos, galinhas e colméias – obviamente, os criadores ficaram enfurecidos. Por diversas vezes foi visto nos arredores de vilarejos e pequenas cidades, despertando o temor de que sua próxima vítima fosse uma criança. A princípio, os alemães tentaram capturá-lo vivo, usando dardos tranqüilizantes, para depois devolvê-lo à região de origem, mas Bruno despistava até mesmo os cães farejadores em seu encalço. Por fim, as autoridades alemãs emitiram uma ordem para pegá-lo vivo ou morto. A morte de Bruno causou comoção na opinião pública alemã, que já o havia transformado em celebridade, uma espécie de herói fugitivo. "A viagem de Bruno foi uma tentativa de buscar território novo, um comportamento típico de ursos jovens", disse a VEJA a engenheira florestal Joanna Schonenberger, do World Wildlife Fund (WWF), que atua no projeto de reintegração e monitoramento do urso-pardo europeu na Eslovênia e nos Alpes da Itália e da Áustria. "Os ursos jovens são muito curiosos", ela completa. A curiosidade custou a vida a Bruno.

 

A volta do predador

Nos anos 20, convencido de que os lobos do Parque Yellowstone eram uma ameaça às fazendas vizinhas, o governo americano determinou que fossem mortos a bala. Hoje, em tempos de consciência ecológica, o lobo está de volta. Em 1995, 31 animais capturados no Canadá foram soltos em Yellowstone. Atualmente já são 118. Lobos também foram soltos nas montanhas francesas e em outros pontos da Europa. Nos Alpes suíços, os beneficiados foram os linces. No fim dos anos 70, vinte deles foram importados da Romênia. Hoje, a população suíça de linces é de 100 animais. A complicação na maioria dos casos é que não há modo de convencer os predadores a respeitar as divisas das reservas. Eles acabam por atacar animais domésticos, provocando protestos e até tiros dos fazendeiros.

 
 
 
 
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