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Ambiente
Mataram Bruno Termina
a aventura do urso que enganava os caçadores e se tornara herói
na Alemanha  Leoleli
Camargo
Anton
Hoetzelsperger/AFP
 | | Bruno,
fotografado pouco antes de ser abatido a tiros |
Com
tiros certeiros desferidos por um caçador, terminou na semana passada a
incrível aventura de Bruno, o urso-pardo que durante quase um mês
driblou os guardas-florestais alemães empenhados em capturá-lo.
Bruno não era um animal qualquer. Ele pertencia à segunda geração
de um grupo de dez ursos-pardos transportados em 1999 da Eslovênia para
os Alpes italianos, num projeto destinado a reintegrar a espécie na região.
Na Europa, na América do Norte e em alguns países asiáticos,
a reintegração de espécies que desapareceram de um determinado
território costuma ser feita com o objetivo de preservar em liberdade animais
ameaçados de extinção ou para restabelecer o equilíbrio
na biodiversidade da região. Os problemas surgem quando os animais devolvidos
à natureza são predadores de grande porte. Além de atacarem
suas presas naturais, muitas vezes avançam sobre as criações
dos fazendeiros. Esse foi o caso de Bruno.
Em lugar de permanecer nos Alpes italianos com os outros ursos, Bruno deslocou-se
pelas florestas austríacas até chegar à fronteira com a Alemanha.
Tornou-se o primeiro urso em liberdade visto por lá desde o século
XIX. No caminho, transformou em refeição três dezenas de carneiros,
além de coelhos, galinhas e colméias obviamente, os criadores
ficaram enfurecidos. Por diversas vezes foi visto nos arredores de vilarejos e
pequenas cidades, despertando o temor de que sua próxima vítima
fosse uma criança. A princípio, os alemães tentaram capturá-lo
vivo, usando dardos tranqüilizantes, para depois devolvê-lo à
região de origem, mas Bruno despistava até mesmo os cães
farejadores em seu encalço. Por fim, as autoridades alemãs emitiram
uma ordem para pegá-lo vivo ou morto. A morte de Bruno causou comoção
na opinião pública alemã, que já o havia transformado
em celebridade, uma espécie de herói fugitivo. "A viagem de Bruno
foi uma tentativa de buscar território novo, um comportamento típico
de ursos jovens", disse a VEJA a engenheira florestal Joanna Schonenberger, do
World Wildlife Fund (WWF), que atua no projeto de reintegração e
monitoramento do urso-pardo europeu na Eslovênia e nos Alpes da Itália
e da Áustria. "Os ursos jovens são muito curiosos", ela completa.
A curiosidade custou a vida a Bruno.
A volta do predador
Nos anos 20, convencido de que os lobos do Parque Yellowstone eram uma ameaça
às fazendas vizinhas, o governo americano determinou que fossem mortos
a bala. Hoje, em tempos de consciência ecológica, o lobo está
de volta. Em 1995, 31 animais capturados no Canadá foram soltos em Yellowstone.
Atualmente já são 118. Lobos também foram soltos nas montanhas
francesas e em outros pontos da Europa. Nos Alpes suíços, os beneficiados
foram os linces. No fim dos anos 70, vinte deles foram importados da Romênia.
Hoje, a população suíça de linces é de 100
animais. A complicação na maioria dos casos é que não
há modo de convencer os predadores a respeitar as divisas das reservas.
Eles acabam por atacar animais domésticos, provocando protestos e até
tiros dos fazendeiros. | | |