Edição 1963 . 5 de julho de 2006

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Copa
Amarelo para
os juízes

Eles estão errando menos do
que em 2002, mas ainda fazem
trapalhadas e decidem resultados


Carlos Maranhão e André Fontenelle
DE DORTMUND

 

Emilio Morenatti/AP
O espanhol Medina Cantalejo marca o pênalti que tirou a Austrália da Copa: decisão controvertida

A Copa do Mundo de quatro anos atrás foi um festival de horrores em matéria de arbitragem. Numa competição em que jogos importantes estiveram nas mãos de apitadores de países que mal aprenderam que a bola é redonda, os erros dos juízes contribuíram para que duas grandes seleções, a Espanha e a Itália, fossem eliminadas pela Coréia do Sul, um dos dois anfitriões do Mundial.

Agora, quatro anos depois, a Fifa decidiu adotar critérios mais técnicos do que políticos na seleção dos árbitros. Dos 21 escolhidos, catorze são da Europa e da América do Sul, os continentes mais tradicionais no futebol. Quase todos atuam com dois auxiliares de seu país – em 2002, as partidas eram dirigidas por trios de nacionalidades e línguas diferentes. Os juízes e seus 42 bandeirinhas passaram por rigorosos testes de avaliação física, indispensáveis para quem corre em média 13 quilômetros durante noventa minutos. Um caribenho foi excluído porque não passou nos testes, e o italiano Massimo de Santis foi afastado por suspeitas de envolvimento com manipulação de resultados no campeonato local.

 

Patrik Stollarz/AFP
Um dos vinte cartões que o russo Ivanov aplicou no jogo entre Portugal e Holanda: recorde em Mundiais

Apesar de todos esses cuidados, já aconteceram trapalhadas e decisões polêmicas que determinaram resultados. O gaúcho Carlos Eugênio Simon, por exemplo, errou ao não assinalar um pênalti para Gana contra a Itália, o que não o impediu de ser escalado mais duas vezes. O russo Valentin Ivanov quebrou um recorde ao dar dezesseis cartões amarelos e quatro vermelhos na batalha campal entre Portugal e Holanda, mas foi impotente para conter a violência que tomou conta do gramado. Na saída, Ivanov levou, ele próprio, um cartão vermelho do presidente da Fifa, encerrando sua participação no torneio. "Ele não esteve à altura do jogo", disse Joseph Blatter. Numa lambança monumental, o inglês Graham Poll, que apitou Austrália versus Croácia, expulsou o croata Josip Simunic no terceiro cartão amarelo (e não no segundo, como seria certo). Por causa desse erro grotesco, pela regra da Fifa o jogo poderia ter sido anulado – o que beneficiaria os croatas, eliminados com o empate em 2 a 2. Mas a Croácia não protestou e o resultado foi mantido.

Na decisão mais polêmica até aqui, o espanhol Luis Medina Cantalejo brindou a Itália com um controvertido pênalti contra a Austrália, nos descontos do tempo normal, quando o lateral Fabio Grosso "mergulhou com um sorriso malandro no rosto", na descrição do jornalista inglês Rob Hughes. "É preciso diferenciar os erros causados por falta de atenção, como no caso dos três cartões amarelos, do critério na hora de marcar um pênalti, o que pode ser subjetivo", afirma o ex-árbitro Arnaldo Cezar Coelho, comentarista da Rede Globo. "Medina interpretou o lance como faltoso e sua decisão, na prática, foi referendada pela Fifa, pois ela o escalou novamente."

Thomas Kienzle/AP
O inglês Poll se enrola com os cartões: três para o mesmo atleta


Uma forma de diminuir as possibilidades de erro seria a mudança nas regras e o uso de recursos tecnológicos. Algumas alterações positivas foram adotadas pela Fifa. Desde a Copa de 1994, o tempo da prorrogação é anunciado com uma placa, evitando que os juízes estendam a duração do jogo sem que se saiba por quanto tempo. Na Alemanha, árbitro e auxiliares se comunicam por meio de microfones sem fio, e não apenas por gestos. Mas o International Board, organismo dominado há um século por britânicos e encarregado de decidir sobre alterações nas regras, recusa-se a aceitar novidades práticas como a colocação de um chip na bola para determinar se ela ultrapassou as linhas divisórias. Também há resistências para permitir que o árbitro, na dúvida, consulte as imagens da TV. Nesse ponto, o escritor e cronista esportivo Nelson Rodrigues (1912-1980) pensava como os conservadores homens do International Board. "O videoteipe é burro", dizia ele.

 
 
 
 
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