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Copa Amarelo
para os juízes
Eles estão
errando menos do que em 2002, mas ainda fazem trapalhadas e decidem resultados
 Carlos
Maranhão e André Fontenelle DE DORTMUND Emilio
Morenatti/AP
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espanhol Medina Cantalejo marca o pênalti que tirou a Austrália da Copa: decisão
controvertida |
A Copa do
Mundo de quatro anos atrás foi um festival de horrores em matéria
de arbitragem. Numa competição em que jogos importantes estiveram
nas mãos de apitadores de países que mal aprenderam que a bola é
redonda, os erros dos juízes contribuíram para que duas grandes
seleções, a Espanha e a Itália, fossem eliminadas pela Coréia
do Sul, um dos dois anfitriões do Mundial.
Agora, quatro anos depois, a Fifa decidiu adotar critérios mais técnicos
do que políticos na seleção dos árbitros. Dos 21 escolhidos,
catorze são da Europa e da América do Sul, os continentes mais tradicionais
no futebol. Quase todos atuam com dois auxiliares de seu país em
2002, as partidas eram dirigidas por trios de nacionalidades e línguas
diferentes. Os juízes e seus 42 bandeirinhas passaram por rigorosos testes
de avaliação física, indispensáveis para quem corre
em média 13 quilômetros durante noventa minutos. Um caribenho foi
excluído porque não passou nos testes, e o italiano Massimo de Santis
foi afastado por suspeitas de envolvimento com manipulação de resultados
no campeonato local. Patrik
Stollarz/AFP
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dos vinte cartões que o russo Ivanov aplicou no jogo entre Portugal e Holanda:
recorde em Mundiais |
Apesar
de todos esses cuidados, já aconteceram trapalhadas e decisões polêmicas
que determinaram resultados. O gaúcho Carlos Eugênio Simon, por exemplo,
errou ao não assinalar um pênalti para Gana contra a Itália,
o que não o impediu de ser escalado mais duas vezes. O russo Valentin Ivanov
quebrou um recorde ao dar dezesseis cartões amarelos e quatro vermelhos
na batalha campal entre Portugal e Holanda, mas foi impotente para conter a violência
que tomou conta do gramado. Na saída, Ivanov levou, ele próprio,
um cartão vermelho do presidente da Fifa, encerrando sua participação
no torneio. "Ele não esteve à altura do jogo", disse Joseph Blatter.
Numa lambança monumental, o inglês Graham Poll, que apitou Austrália
versus Croácia, expulsou o croata Josip Simunic no terceiro cartão
amarelo (e não no segundo, como seria certo). Por causa desse erro grotesco,
pela regra da Fifa o jogo poderia ter sido anulado o que beneficiaria os
croatas, eliminados com o empate em 2 a 2. Mas a Croácia não protestou
e o resultado foi mantido. Na decisão
mais polêmica até aqui, o espanhol Luis Medina Cantalejo brindou
a Itália com um controvertido pênalti contra a Austrália,
nos descontos do tempo normal, quando o lateral Fabio Grosso "mergulhou com um
sorriso malandro no rosto", na descrição do jornalista inglês
Rob Hughes. "É preciso diferenciar os erros causados por falta de atenção,
como no caso dos três cartões amarelos, do critério na hora
de marcar um pênalti, o que pode ser subjetivo", afirma o ex-árbitro
Arnaldo Cezar Coelho, comentarista da Rede Globo. "Medina interpretou o lance
como faltoso e sua decisão, na prática, foi referendada pela Fifa,
pois ela o escalou novamente."
Thomas
Kienzle/AP
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inglês Poll se enrola com os cartões: três para o mesmo atleta |
Uma forma de diminuir as possibilidades de erro seria a mudança nas
regras e o uso de recursos tecnológicos. Algumas alterações
positivas foram adotadas pela Fifa. Desde a Copa de 1994, o tempo da prorrogação
é anunciado com uma placa, evitando que os juízes estendam a duração
do jogo sem que se saiba por quanto tempo. Na Alemanha, árbitro e auxiliares
se comunicam por meio de microfones sem fio, e não apenas por gestos. Mas
o International Board, organismo dominado há um século por britânicos
e encarregado de decidir sobre alterações nas regras, recusa-se
a aceitar novidades práticas como a colocação de um chip
na bola para determinar se ela ultrapassou as linhas divisórias. Também
há resistências para permitir que o árbitro, na dúvida,
consulte as imagens da TV. Nesse ponto, o escritor e cronista esportivo Nelson
Rodrigues (1912-1980) pensava como os conservadores homens do International Board.
"O videoteipe é burro", dizia ele. |