Edição 1963 . 5 de julho de 2006

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Copa
Os melhores momentos...

Cenas heróicas, divertidas
e grotescas que marcam
uma disputa em que só a
grande zebra não apareceu


Carlos Maranhão e André Fontenelle
DE FRANKFURT

10 PONTUALIDADE GERMÂNICA
Nada atrasa na Copa do Mundo. Os times entram em campo oito minutos antes do pontapé inicial. Tudo é rigorosamente cronometrado. E todos os jogos começam no horário exato, com diferenças de dez segundos para mais ou para menos.

 
Martin Meissner/AP

9 O INTÉRPRETE PERFEITO
Quinze seleções levaram técnicos estrangeiros. Nem todos conseguiam se comunicar na língua de seus jogadores. Para isso, trabalharam com intérpretes. O mais perfeito foi o de Zico, de quem chegava a imitar os gestos com perfeição. Em campo, isso não adiantou muito. Mas foi um show de tradução simultânea, do nível das conferências internacionais de cúpula.

 
Ricardo Corrêa
8 CAMPEÃO DO TROCA-TROCA
Ninguém está conseguindo trocar tantas camisas como Zagallo. Dono de uma coleção de 1500 jaquetas de times e seleções do mundo inteiro, ele a aumenta a cada jogo. Leva uma ou duas da seleção dentro da calça do agasalho e, mal termina a partida, vai atrás dos jogadores do time rival para propor o escambo.

 

Armando Franca/AP
Chiristof Stache/AP

7 HERÓIS POLONESES
Os atacantes Klose (11) e Podolski (20), que já marcaram oito gols pela Alemanha, nasceram na Polônia e emigraram com seus pais quando tinham 8 e 6 anos, respectivamente. Dentro de campo, muitas vezes costumam se comunicar na língua materna.

 

Daniel Garcia/AFP

6 UMA VEZ NA VIDA
O maravilhoso gol da vitória argentina contra o México, marcado por Maxi Rodríguez, é uma raridade no futebol. Dificilmente um jogador consegue pôr a bola fora do alcance do goleiro combinando força e efeito com tanta precisão em um chute de 20 metros de distância.

5 O MAPA DA MINA
Um aparelho acoplado ao painel do carro, que ainda não chegou ao Brasil, salvou jornalistas e torcedores na Alemanha. Trata-se do GPS, sigla em inglês de sistema de posicionamento global. Quase todas as seleções se hospedaram e treinaram em locais de acesso complicado, em geral através de estradas secundárias, e mudaram algumas vezes de concentração. Ligado a satélite, o GPS dá todas as indicações com absoluta precisão para quem precisa chegar até elas. Ninguém se perdeu. Além do mapa que se movimenta na tela, uma voz gravada avisa se é preciso virar à direita ou à esquerda. Em caso de congestionamento de trânsito, são oferecidas alternativas de desvio.

4 SHOW DA TORCIDA
Nunca se viu uma Copa com tantas e tão entusiasmadas torcidas. Elas vieram de todos os 31 países visitantes e misturaram-se em paz com as multidões de alemães. Até sexta-feira, não acontecera nenhum incidente sério nos estádios. Ao contrário de outras ocasiões, mesmo os temidos ingleses, vigiados pela sua própria polícia nas viagens de trem, souberam se comportar. A lamentar, só a eliminação de Suécia e Holanda. Foram embora com seus times os mais belos rostos e corpos femininos presentes nas arquibancadas.

 
Adrian Dennis/AFP
3 ORGULHO DO EQUADOR
Com o rosto pintado nas cores da bandeira de seu país, o goleiro Villafuerte foi o símbolo do orgulho dos equatorianos pela surpreendente campanha no Mundial. Seu time, que na América do Sul hoje fica atrás apenas do Brasil e da Argentina, só seria eliminado com uma perfeita cobrança de falta de Beckham. A camisa da seleção do Equador, ao disputar na Alemanha a segunda Copa de sua história antes cheia de fracassos, virou um hit nas lojas de artigos esportivos de Nova York.

 

Pierre-PhillippeMarcou/AFP

2 SCARFACE
Frank Ribéry, atacante da França, projetou-se como um dos destaques do torneio e, além do gol contra a Espanha, chamou atenção pelas cicatrizes do rosto, fruto de um acidente de carro quando tinha apenas 2 anos. Arremessado através do pára-brisa (o pai, que dirigia, nada sofreu), o menino teve de passar por várias cirurgias plásticas. Seu rosto ainda marcado lhe valeu o apelido de Scarface (personagem de um filme de gângster de 1932 cujo rosto era marcado por uma cicatriz).

1 O GAUCHÃO
Luiz Felipe Scolari, o Felipão, técnico que comandou os canarinhos na conquista do pentacampeonato, foi campeão da Libertadores da América com o Palmeiras e da Copa do Brasil com o modesto Criciúma, de Santa Catarina. Depois de esnobar um convite para dirigir a seleção inglesa, ele já levou Portugal mais longe do que muitos portugueses esperavam e atingiu uma marca fantástica em Mundiais: com grande competência para motivar seus jogadores, uma eficiente armação da equipe e boa dose de sorte, mais a habitual gritaria à beira do gramado, somou onze vitórias consecutivas até as oitavas-de-final, um recorde na história das Copas.

 

...e os maiores vexames

 

Celso Junior/AE

10 HINO REDUZIDO
Antes dos jogos, só são tocados 68 segundos do Hino Nacional brasileiro (até o trecho que diz "Ó pátria amada, idolatrada, salve!, salve!"). Outras seleções, a começar pela Alemanha, naturalmente, ouvem a execução de seu hino na íntegra.

 

Fabrice Coffrini/AFP/Getty Images

9 FERROLHO SUÍÇO
A seleção suíça jogou um futebol horroroso, mas conseguiu um feito para entrar na história da Copa do Mundo: ficou invicta e não sofreu um único gol em quatro jogos. Acabou sendo eliminada na decisão por pênaltis contra a Ucrânia, graças a outra façanha: não converteu nenhuma das três cobranças (a série foi encerrada aí porque os ucranianos já tinham acertado três e não poderiam mais ser alcançados).

 
Tosten Blackwood/AFP
8 NENÊ QUER MAMAR
Para comemorar seu gol de pênalti que classificou a Itália já nos descontos do tempo normal da partida com a Austrália, o atacante Francesco Totti, um marmanjo de 29 anos e 1,80 metro, ficou com o dedo na boca, como se estivesse mamando. Foi uma homenagem a Christian, seu filho de 7 meses com a estrela de TV Ilary Blasi.

 

7 ENTREGA DE BANDEJA
Poucos jogos já foram entregues de forma tão absurda como o que o Japão deu de presente para a Austrália na sua estréia. Ganhava por 1 a 0 quando faltavam oito minutos para o encerramento da partida – e então levou três gols. "Nossa classificação foi perdida ali", lamentou o técnico Zico.
Ben Radford/Getty Images

 
Valery Hache/AFP
6 O MAIS EFÊMERO
O goleiro paraguaio Justo Villar jogou oito minutinhos com a Inglaterra. Sofreu um gol, machucou-se, foi substituído e tornou-se um dos atletas com passagem mais curta pelos gramados em uma Copa do Mundo.

 
Dimitar Dilkoff/AFP

5 O TIME-FANTASMA
A seleção de Sérvia e Montenegro, remanescente da extinta Iugoslávia, entrou na Copa quando o país que representava não existia mais. Um plebiscito havia decidido, dias antes, pela separação de Montenegro. Além de terem deixado de ser uma nação, os sérvio-montenegrinos também desapareceram como time de futebol. Tomaram dez gols e perderam seus três jogos.

4 BLOGS SEM ASSUNTO
Por falta de notícias entre um jogo e outro, muitos blogueiros da Copa se dedicaram a contar banalidades do cotidiano na Alemanha. A vereadora petista paulistana Soninha – que resolveu pedir licença da Câmara para comentar a Copa na televisão – foi uma das campeãs. Falou-se da dificuldade de lavar roupa, dos cardápios incompreensíveis, do horário inflexível dos restaurantes, da necessidade de usar água mineral para não ressecar os cabelos na hora de lavá-los e de Maria, nome que alguns deram ao GPS (veja nota acima) configurado no português de Portugal – o que trouxe certas complicações, pois usa termos como "rotunda" para designar um cruzamento.

 
Kai Pfaffenbach/Reuters
3 A CELEBRIDADE PASSA MAL
Não, não foi por bebedeira. Era indisposição mesmo. No jogo contra o Equador, o atacante-celebridade inglês David Beckham acabou devolvendo no gramado a comida que não lhe descera bem. Apesar do desconforto, deu a vitória ao English Team com um gol de falta.

 


2 ADIOS, ESPAÑA!

A Espanha tem, há décadas, um dos melhores campeonatos da Europa e seus grandes times reúnem alguns dos maiores craques do mundo. Todos estrangeiros, é claro. Enquanto eles vão defender na Copa os próprios países, a seleção espanhola sempre fica menor do que seus clubes, entre eles potências como Real Madrid e Barcelona. Assim, mais uma vez, depois de dar a impressão de que em 2006 a história poderia ser diferente, com as três vitórias iniciais, a "Fúria" – como os torcedores costumam chamá-la – amansou contra a França e ficou no meio do caminho.
Pierre-PhillippeMarcou/AFP

 
Ricardo Corrêa

1 CHUTEIRAS CHOCANTES
Chuteiras, o jogador escolhe a marca que quiser – aliás, aquela com a qual tem contrato. Não precisam combinar com o uniforme e agora são de qualquer cor – branco, amarelo, vermelho e, como no tempo de Garrincha e Pelé, até preto. Também não há exigência de bom gosto. As mais chocantes foram as de dois reservas da Ucrânia, com textura que imita a de um gramado. Um terror. No extremo, podem ser perigosas. Como as que provocaram as famosas bolhas no pé de Ronaldo, às vésperas do início da Copa.

 
 
 
 
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